
Imagens gentilmente surrupiadas de Mission Hill
Ps: Não, ainda não escrevo sobre pigmeus.
Fome
no singular
O grande problema de morar sozinho é comer sozinho. Quer dizer, não me importo em comer sozinho. Fato é que não me agrada a idéia de cozinhar para mim mesmo. Sempre que ligo o fogão fico com fome e, como sei que sou o único a esperar por minha gororoba, acabo com meio pacote de bolachas antes que a água ferva, ou coisa do tipo. Assim, só me resta comprar minha comida por aí, num saudável boteco, ou numa pastelaria natural, ou num carrinho de lanches light.
Aí vem outro problema (sim, eu sou uma pessoa cheia de problemas... ó vida, ó céus... blablabla): eu como por apenas uma pessoa. Isso se dá pelo simples fato de ser uma pessoa só e de não engravidar (por sorte, se algum dia eu engravidar o mundo será um lugar, muito estranho). Portanto, sempre que vou comprar minha suntuosa refeição, compro para apenas uma pessoa. Eu. Todavia, sempre que não consigo comprar comida para uma pessoa só, as coisas dão terrivelmente erradas. Tomemos como exemplo o dia em que, no ápice de minha pretensão, resolvi comprar pão.
Bem, notaram que escrevi "pão", no singular, e não "pães"? Pois então...
Cheguei à padaria, lépido e faceiro (de forma não-homossexual, é importante frisar) como sempre. Desejei um bom dia ao Alemão, o simpático faxineiro do local que nunca responde aos meus "bom dia", e segui meu caminho até a pequena sessão de pães e frios. Dei outro "Bom dia!", também ignorado, ao sujeito que vendia pães (cujo nome desconheço) e logo pedi:
- Vê um pão pra mim?
- Quantos você quer? - perguntou o sujeito agarrando o imundo pegador de metal.
- Um, um pão. - respondi.
- Só um?
- É, um pão.
- Mas... Só um mesmo? - questionou ele, coçando a cabeça com o pegador.
- É, só um. - respondi sem querer explicar toda minha teoria sobre morar sozinho.
- Mas... Leva dois. - tentou ludibriar-me ele.
- Não, não quero dois. Quero um.
- Leva dois. - insistiu ele. E, admito, após tal fantástico argumento, quase mudei de idéia.
- Sério, quero só um... Só vou comer um. - expliquei.
- Ué, o outro você come depois.
- Depois o pão fica duro...
- Esse aqui não fica! - aí ele quase me venceu.
- Claro que fica, todo pão fica duro.
- To falando que este não fica.
- Ok - respondi - Então se ficar, posso vir aqui devolver o pão?
Ele parou, pensou por um instante e então respondeu:
- Claro que não...
- Então me vê um pão!
- Mas é pouca coisa, não vou abrir o caixa pra cobrar só um pão! - disse ele perdendo a paciência.
- Então vai ser de graça? - reivindiquei genuinamente.
- Não! - exclamou - Faz o seguinte, compra outra coisa além do pão...
Pensei por alguns segundos e, quando a oferta me pareceu justa o suficiente, fiz meu pedido:
- Beleza, me vê uma fatia de salame!
Redigido, avaliado, postado e psicografado por Jayme F.
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Modelo que usou tapa-sexo de 4cm no Carnaval posa nua
Manchete que também poderia ser lida como:
"Exclusivo! Veja os 4cm inéditos de Viviane Castro!"
e/ou
"Sim, somos redundantes."
Redigido, avaliado, postado e psicografado por Jayme F.
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Verdadeiras Verdades Bíblicas
parte 2
A vida seguia seu pacato e rufião caminho na pecaminosa cidade de Nínive. Bicheiros anunciavam o resultado de seus jogos livremente pelas vielas, prostituas usavam da lei da oferta e demanda para negociar o valor de seus produtos, bardos embriagados cantarolavam sobre façanhas homo-eróticas e larápios eram capazes de construírem impérios com o que roubavam. Mas, entendam, Nínive era a cidade dos pecados. Era como Las Vegas, sem os sinais em Néon; como Amsterdã, sem o eurotrem; como Brasília, sem o palácio do planalto; como São José dos Palmares, sem os palmares. Logo, toda e qualquer pessoa que habitasse Nínive e suas cercanias, vivia embebido em jogatinas, fornicação e drogas alucinógenas. Sei que parece ótimo, mas Deus não achava. Tratava-se do ninho de Lúcifer. Nínive era o refúgio do Tinhoso, do que Ronca e Fuça, do Chifrudo, do Belzebu (ou de qualquer outro sinônimo que você conhecer para "Capeta"); portanto, o Senhor tratou de mandar um arguto profeta até tais terras, incumbido de uma única missão. Expor à luz da justiça os erros e pecados dos cidadãos de Nínive, antes que demasiado tarde fosse. Ou antes que alguém pensasse em uma metáfora melhor que "expor à luz da justiça".
Assim, após meses de viagens e desvios, chegou a Nínive o profeta. Jonas encontrava-se esfarrapado, barbudo e faminto, portando apenas as rotas roupas do corpo e um cajado, que usava para amenizar a dor que sentia nas ancas. Jonas escalou o morro mais íngreme da cidade, o ponto culminante daquela terra, onde todos os pecadores poderiam observá-lo, onde toda a maldade que os ninivitas perpetravam poderia ser devidamente extinguida.
- Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida. - disse Jonas erguendo seu cajado ao céu. Sem que ninguém lhe desse bola.
- AINDA QUARENTA DIAS - repetiu Jonas, desta vez gritando - E NÍNIVE SERÁ SUBVERTIDA!
Mas de nada adiantou. Apenas um ninivista, um velho mendigo maltrapilho (e, desse modo, bastante semelhante a Jonas), dera-lhe a devida atenção.
- Diacho! - gritou o profeta - Dá pra me escutar?
- Olha, é Moisés! - replicou o mendigo apontando, confuso, para a figura barbuda que erguia seu cajado no topo do morro que os ninivitas costumavam usar como banheiro.
- Moisés é o caralh.. - Jonas deteve-se prontamente, pois a observação errônea do mendigo atraíra centenas de transeuntes que buscavam nele a figura de Moisés. Portanto Jonas continuou - Não, meu querido amigo! Não sou Moisés, mas sou, também, um profeta. Sou Jonas, filho de Amitai. Vim de uma terra muito, muito distante, simplesmente para alertá-los de que Deus direcionará sua fúria a esta cidade se sua malicia não cessar.
- Moisés! Cadê o bezerro de ouro? - gritou alguém em meio a multidão.
- Já disse que não sou Moisés. Sou Jonas... e, como vocês, tentei fugir do chamado do Senhor, indo até Társis, cruzando o grande mar. Mas Ele me achou, jogou-me aos terrores que habitam as águas salgadas do ocidente.
- Mas por que você não partiu o mar ao meio?!? - gritou o mendigo, incrédulo.
- Eu não sou Moisés! - vociferou Jonas - Vocês são burros ou o quê?
E embora o alvoroço tomasse conta da multidão, ninguém respondeu.
- Bem, uma baleia me engoliu - continuou - E dentro dela permaneci, por três dias e três noites.
- Uma baleia? - perguntou o mendigo - Ela cantava ópera?
- Baleia cantando ópera? - retrucou um advogado, que nunca assistiu aos desenhos da Disney, metros atrás do mendigo - Isso não existe!
- Não importa! - bradou Jonas, impaciente, enquanto sacudia seu cajado em direção a eles - Olha, deixem esse negócio de baleia pra lá. O fato é que após muito orar ao Senhor, fui agraciado com a liberdade. E Ele, o Senhor, o Todo Poderoso, instruiu-me a vir até esta cidade e dizer que vocês arderão no fogo trazido pela ira de Deus, se não cessarem suas atividades pecaminosas!
- Como é? - alguém da multidão gritou, sem entender bulhufas do que Jonas dissera.
- Vocês vão morrer se não pararem de fornicar... - explicou Jonas, exausto.
Eis, então, que uma onda de pânico e sandice atingiu a multidão com força o suficiente para que seus berros fossem ouvidos pela baleia que engolira o profeta.
- Vamos todos morrer! - proferiu o dono de uma tabacaria.
- É o fim do mundo! - clamou um publicitário.
- Eu já sabia! - disse outro mendigo, que, por ironia, trazia consigo um cartaz com os dizeres "O Dia do Juízo Final Está Próximo".
Jonas balançou a cabeça, suspirou e voltou a falar.
- Olha só. Não é pra tanto... O cara lá em cima falou que pára tudo se vocês simplesmente pararem de sacanagem... Dou minha palavra.
- Sua palavra? - inferiu uma mulher da vida em meio ao desespero dos ninivitas - Você nem conseguiu abrir o mar ao meio, como vai conseguir nos salvar?
- Já disse que não sou Moisés!
- Moisés nega suas origens! - gritou alguém.
- É o fim do mundo! - voltou a gritar o publicitário.
- Eu avisei primeiro! - reivindicou o tal mendigo.
- Já que é meu último dia na terra, vou passá-lo com uma mulher! - concluiu um cafetão.
- E eu vou pegar todo o dinheiro que puder - disse um deputado.
- É o fim do mundo! - berrou o publicitário.
- Matem o publicitário! - gritou qualquer outra pessoa, cuja identidade não é importante nesse ponto da história.
Assim, os habitantes de Nínive esqueceram-se da presença de Jonas que, com lágrimas escorrendo pelos olhos, observou a turba ensandecida depredar a cidade. Quando a destruição se encerrou, Jonas retornou a sua cidade natal, mudou de nome e escreveu um livro sobre suas aventuras com a baleia. Por algum motivo desconhecido, resolveu adotar um boneco de madeira que desejava ser um menino de verdade. Mas isso eu já acho que é mentira.
Redigido, avaliado, postado e psicografado por Jayme F.
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O Cheiro das Cores
Fernando sentira uma súbita pontada de dor em sua cabeça, como se sofresse com a ressaca de toda uma noite de bebedeira e alguém lhe gritasse com um megafone ao pé do ouvido. Sua cabeça agora latejava. Vestiu prontamente seu melhor sorriso, aquele que parecia dizer "cometi um pecado mortal, mas ou bom-moço... perdoem-me", pediu licença e se afastou dos ali presentes. Atravessou a rua rapidamente, sem olhar para os lados, esperando que a enxaqueca sumisse como os parentes que acabara de deixar. Mas não sumiu.
Sentou-se na guia, os pés ocupando uma vaga que serviria a uma motocicleta e o traseiro ocupando espaço destinado aos pedestres. "Já me levanto", pensou "só preciso de alguns minutos.". Sabia que tinha de voltar e não queria atrapalhar os transeuntes. O problema era não ser capaz de pôr-se em pé. Fernando comandou seu corpo, que não atendeu. Ao contrário, sentiu os músculos forçando-o a ficar sentando. E pouco tempo após a dor, vieram as lembranças.
As imagens eram vívidas e quase palpáveis. Podia ver com clareza a nuca de sua mãe, que se sentava no banco da frente e estendia a mão esquerda para trás, com o braço levemente curvado para que pudesse alcançar o banco traseiro. Lembrou de sua mão, indo de encontro a de sua mãe e, após poucos segundos de silêncio, ela disse "É a mão do Fer!".
"A minha mão..."
Era algo que sua mãe fazia sempre que viajavam. Ela estendia a mão ao banco traseiro, sem olhar para trás, e esperava que alguém lhe tocasse. Logo depois ela podia apontar a quem a mão que a tocara pertencia. E nunca errava.
Fernando abaixou a cabeça e passou a olhar fixamente para os pés, cobertos por sapatos pretos que cheiravam a couro e a algum produto de limpeza com odor de pinho. Foi jogado à cena do carro novamente sem piedade alguma. Podia ouvir Supertramp tocando no rádio e sentir seu irmão cutucando-lhe a perna esquerda, reclamando que Fernando ocupara todo o espaço do banco. Ele gritou uma negação e seus pais ignoraram qualquer coisa que ocorria no banco traseiro. Fora ignorado, mas sentia-se estranhamente reconfortado com aquilo.
Recordou do cheiro que a mão possuía, cheiro de creme hidratante. Recordou, também, que tudo possuía cheiro naqueles tempos. A chuva, a grama seca, a grama molhada, a comida, até gelo tinha cheiro. O carro a tinha cheiro de carro... Não de produtos de limpeza. Sua mãe não cheirava exatamente a hidratante... Ela tinha cheiro de sua mãe, o hidratante é que quase cheirava a ela. "Quase", porque os cheiros ainda assim eram diferentes.
Havia mais cores também. Lembrava-se de vestir uma camiseta amarela e tênis vermelhos. Lembrou-se de se sentir sobrepujado pelo azul estampado em ônibus pela cidade. Adorava a idéia de haver táxis amarelos em algum lugar no mundo e sentia pena de não haver alguns onde morava. Mas ainda assim se deliciava com as sirenes de ambulâncias e carros de polícia.
De súbito Fernando foi arrastado de volta à calçada e aos negros sapatos de couro com pinho. Alguém o chamava e acenava do outro lado da rua.
- Fer! - seu primo gritou - Tudo bem? Pessoal está preocupado... - disse ele após se certificar de que os carros não passariam mais e ele poderia atravessar.
- N-não... - gaguejou Fernando - Tá tudo bem... Eu só precisava respirar um pouco.
- É o terno, aposto - disse seu primo - Quando eu morrer quero que todos venham pelados ao velório... Não quero ninguém passando calor.
Ao observar melhor, Fernando notou que ambos estavam cobertos de preto, dos pés a cabeça. Seu smoking, camisa, sapatos e até meias eram pretos. Fernando riu e, assim que pôde encontrá-lo, voltou a vestir o sorriso com o qual dispensara seus parentes. Sem saber como, se pôs em pé e, com alguns tapas, tentou limpar as calças que tocaram a calçada. Ele suspirou e então perguntou:
- Cara, você sente cheiro de quê neste exato momento?
- Aqui? - replicou seu primo, sem entender o que lhe fora questionado - Puta cheiro de merda... Deve ter um esgoto aberto por aí... Vamos entrar, vai. Minha mãe vai me matar se eu não te trouxer. Por mim você podia ficar, mas sabe como é a velha.
Ele assentiu e sorriu, já caminhando em direção ao velório. A dor em sua cabeça passara, mas as questões por ela ressuscitadas, não. Quando é que o ato de ignorar passou a incomodá-lo? Quando é que os cheiros sumiram? Quando é que os tênis vermelhos deram lugar aos sapatos pretos? Quando é que as diferenças, que cabiam na palma de uma mão, ficaram grandes demais para sequer serem apontadas?
Redigido, avaliado, postado e psicografado por Jayme F.
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Eu, Eu Mesmo e... bem, Eu
Olá, inanes leitores. Como vão vocês? Felizes?
Algumas pessoas perguntaram-me qual era a razão de meu breve desaparecimento após o aniversário do Dios Mio!!, ao que respondi "Nenhuma". Entendam, nada que envolva este blog ou minha pessoa possui, de fato, razão. É tudo irracional, acreditem... Ou vocês pensam que eu estaria aqui se fosse capaz de pensar racionalmente? Bem, fato é que não existe razão... Mas existe um motivo para tal desaparecimento.
Não, não é culpa do carnaval e de minhas bebedeiras infindáveis. Não bebo muito (mas quando bebo me transformo numa outra pessoa que, essa sim, bebe demais), então não é esse meu motivo. Meu motivo é mais profundo, filosófico e existencialista do que uma simples bebedeira (se é que consigo ser mais profundo, filosófico e existencialista do que quando bebo).
Entendam, dias atrás, uma amiga minha, Julhana, a garota que dá nome de gente a seus gatos (nomes como "Adalberto" e "Pedro José") e batiza seus familiares como animais (juro, um de seus irmãos se chama "Fido"), abriu meus olhos para uma verdade terrível. Algo que me obrigou a passar dias ponderando, matutando e revendo detalhes de teorias inimagináveis. Algo que me impediu de escrever aqui nos últimos dias. Julhana, a garota dos gatos, me mostrou isto!!!
Cliquem à vontade... não é um site pornô. Mas talvez devesse ser, para que vocês pudessem clicar à vontade...
Clicaram? Viram? Compreenderam?
Não?
Ok, explico: Trata-se de um blog. Um blog tal qual este. Escrito por uma pessoa. Uma pessoa tal qual eu. E tal pessoa é tão "tal qual eu" que possui o mesmo nome que eu.
Sim, o sujeito conseguiu a proeza de chamar-se Jayme Freire. Ao menos foi o que pensei a princípio...
Vejam bem, quantos "Jaime" vocês conhecem? Poucos, aposto. Agora, quantos ''Jayme" vocês conhecem? Também aposto que sou o único. Eis, então, que surge alguém chamado Jayme Freire. E esse Jayme Freire também possui um blog!!! A coincidência é absurda. É ridiculamente absurda. Tão inacreditavelmente absurda que deixei de acreditar (daí o "inacreditavelmente") que seria apenas uma coincidência. Elaborei outra teoria: esse tal "Jayme Freire" é outra personalidade minha.
Sim, uma personalidade pouco criativa, devo dizer. Afinal, usar o mesmo nome que eu é pura falta de criatividade. Porém uma personalidade que gosta de Luiz Gonzaga e Maria Bethânia (portanto uma personalidade com um baita mau gosto... sem ofensas).
Tudo se encaixa... após pensar em deletar o Dios Mio!! cerca de 15 mil vezes, meu intelecto ficou tão abalado que se partiu em dois. O novo intelecto, então, passou a apreciar MPB e decidiu criar um blog e postar apenas duas vezes, saciando sua vontade de deletar um blog mais-ou-menos. Simples.
Ou isso, ou há alguém com o mesmo nome que eu.
Mas prefiro a minha teoria.
Redigido, avaliado, postado e psicografado por Jayme F.
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