Blogue Mio!!

Anos atrás, seis para ser quase exato, esta simpática e modesta figura que vos escreve, decidiu começar a escrever. Sim, pois sem tal decisão eu não estaria aqui escrevendo, estaria? Bem, fato é que decidi começar a escrever e, por consequência (ou peripécia de Destino, o sádico), criei um blog. Tal blog passou a carregar dezenas e dezenas de posts geniais e idéias mirabolantes com o passar do tempo. Furos de reportagens lá surgiam, teorias existenciais fantásticas lá nasciam e poemas parnasianos, dadaístas, futuristas e surrealistas lá tomavam forma. Havia de tudo. Tudo, menos textos sobre pigmeus. Não gosto de pigmeus. O único defeito do blog em questão, se é que havia algum defeito, era não possuir leitores. Assim, após meses pensando no que deveria ser feito, finalmente encontrei uma solução. Apaguei aquele blog e criei o Dios Mio!!. Que não é nada disso, mas pelo menos alguém lê. Divirtam-se.


Comentários Suyos!!

O sistema de comentários (aquele pequeno link inserido logo após todo post) não é um mero enfeite. Eu pensei que fosse durante um tempo, mas, acreditem, não é. Portanto comentem, escrevam, reclamem, revelem o amor de sua irmã mais nova por minha pessoa. Façam o diabo. Para incentivá-los, decidi separar infames comentários de famosos leitores que já registraram seus dizeres por aqui:

"Para você, sou um simples ateu. Para Deus, sou a leal oposição" - Woody Allen

"Se você quer uma visão do futuro, imagine uma bota pressionando um crânio humano com toda sua força" - George Orwell

"Minha irmã ama você..." - Immanuel Kant

"..." - Charlie Chaplin


Projetos Mios!!

Dios Mio no Orkut!!
Abandonadolog!!
Pudim!!


Bloguentos Mios!!

Ah, É?
Ainda Podia Ser Pior
BbLinda
Bom Procê
Cata Treco
Conjunções e Advérbios
Confissões de Uma Mente [nada] Perigosa
Depósito Calvin
Escuta Só
História Pra Boi...
In Loko Again
JBF
N e c r o s i s
Reticente
Sabe...?
Secos & Molhados
Spoiler
Syl
Uaaai?!
Último Momento



Arquivo Mio!!
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SINCE
24/01/2004




Imagens gentilmente surrupiadas de Mission Hill




Ps: Não, ainda não escrevo sobre pigmeus.


Terça-feira, Janeiro 29, 2008



Três dias.


Redigido, avaliado, postado e psicografado por Jayme F.
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Quinta-feira, Janeiro 24, 2008



A Gralha

Esta história é verdadeira, portanto puxe uma cadeira.
Dias atrás algo se sucedeu, algo terrível, na cidade de Batatais.
Já era madrugada, logo após uma noitada.
Tão tarde que até no bordel de Dona Mara, cliente não havia mais.
Eu já dormia, pois bebera tanto que mal possuía sinais vitais.
Mas, espere, ainda tem mais.

Eis que após um ronco estridente, acordei levemente.
Acordei para deparar-me com uma gralha, que fuçava meus CDS musicais.
Não pude acreditar no que via. Que gralhas gostassem de Strokes eu não sabia.
Levantei-me para lavar o rosto na pia. Isso às vezes cura essas bebedeiras infernais.
Mas aquilo de nada adiantara, lá estava a gralha, de olhos desiguais.
E foi aí que disse "Nunca Mais!"

"Cruz Credo! Ela fala!", exclamei "Vá comprar um Opala!"
Isso, não gritei, apenas transcrevi, pois rimas não tinha mais.
"Sai daqui, ave vesga!", isso sim, gritei, "De minha alma não terás nem uma nesga!"
Assim, começamos nossa rusga. Eu batalhava, procurava pelos insultos ideais.
Algo que espantasse aquele demônio emplumado, para que voltasse jamais.
Mas, dizia ela "Nunca Mais!"

Ela nada mais dizia, nada além do "Nunca Mais!" que zizia.
"Xô!", eu gritava. "Nunca Mais!", ela respondia. "Ai, meus sais!"
Uma idéia até me acometeu, mas para bota-la em prática, precisaria de um judeu.
"Que queres de mim?", disse eu, "Que queres, gralha? Já não tenho com o que rimar 'ais'!"
"Não sou gralha", respondeu ela "sou corvo. Deverias saber mais."
E finalizou com "Nunca Mais!"

"E eu lá sei a diferença?", respondi "Ambos têm um bocado de penas", medi.
"Há algo estranho aqui", disse. "Havia um busto de Atena no umbral, Agora não há mais."
"Busto de Atena? Acho que erraste de endereço. Aqui só veneramos Ana Bolena."
"Essa minha sorte nazarena!", disse ela."Errei de casa uma vez mais!"
"Poe vai me matar", concluiu e voou em silêncio, sem acordar meus pais.
Depois daquela noite, beberei nunca mais!



Nota: Se você não entendeu bulhufas, saiba que trata-se de uma paródia de "O Corvo", de Edgar Allan Poe, transcrita por Fernando Pessoa, entre outros. Veja a original aqui. Até a próxima.


Redigido, avaliado, postado e psicografado por Jayme F.
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Segunda-feira, Janeiro 21, 2008



Revolta Contra Mim

- Mas, quer dizer que ele só gosta de mim porque não tem mais opções? - perguntou-me Larissa.

- O que te importa? - respondi, com mais crueldade e grosseria do que o recomendável - Todos têm alguma razão, desculpa ou motivo para gostar de alguém; até você, para gostar dele.

Isso porque, se a desculpa dele era a total ausência de opções, a dela era a carência. Relacionamentos exigem razões para começarem. Ninguém se entrega sem ter um motivo que o leve a cometer esse erro. E, se não temos razões aparentes, passamos a inventá-las, subjugando a razão real que nos enfia em ciclos viciosos por aí. Mas o contrário também entra na regra. Existe quem arranja desculpas para não iniciar um relacionamento, para não entrar num ciclo vicioso. Incluo-me solidariamente neste último caso.

Entendam, não arranjo razões para simplesmente não me aproximar das pessoas. Até me aproximo o bastante. O suficiente, pelo menos. Simplesmente sei que não tenho vontade, fôlego ou saco o suficiente para dividir minha cama com alguém. Sei que relacionamentos são, por sermos todos homens e lobos de nós mesmos, ciclos viciosos. Não são razões inventadas, são fatos. Meu problema é o que me leva a inventar razões para não envolver-me. Ela.

Por ela me vejo inventando desculpas, criando motivos e invocando razões, tudo o que me ajude a ganhar as batalhas que travo contra mim mesmo. Vejo sua doçura, mas sei que está acompanhada. Sei como é linda, mas digo que não faz meu tipo. Vou abatendo meus desejos um a um. Faz-me rir, mas rio de qualquer coisa. Tenho calafrios ao ver sua foto no orkut, mas mulheres bonitas sempre causam esse efeito. Temos inúmeros interesses semelhantes, mas também... quem é que não gosta de Damien Rice e Nick Drake? Percebo sua clara inteligência, mas ao invés de mergulhar em sua profundidade, prefiro dizer que não sei nadar. Metáfora idiota, mas verdadeira. Tudo porque simplesmente não tenho razão para isso, mas gostaria de ter.


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Terça-feira, Janeiro 15, 2008



Situações
em que só eu fui capaz de estar - Parte 2


Pouco tempo após me mudar para São Paulo voltei algumas vezes ao interior. Sempre por motivos de força maior, claro. E quem já passou a morar a 500 km de sua cidade de origem sabe que "motivo de força maior" significa que finalmente me cansei de comer Doritos no almoço, tive vontade de dormir numa cama limpa e/ou conheci uma garota que não mora na capital.

Bem, num desses momentos de força maior, voltei para a casa de meu pai por um final de semana, pois tinha planos de sair com uma amiga (e com "amiga" espero que vocês já saibam o que quero dizer) e, claro, queria tirar a barriga da miséria.

Pois bem, a tal amiga convidou minha recém-paulistana pessoa para uma festa durante um festival de teatro que acontecia na cidade (não que o festival tenha qualquer relação com a história contada, eu apenas divago um bocado). Por ser extremamente bem-apessoado, cavalheiresco e modesto, resolvi dar carona à garota e fazer suas vontades. Afinal, amizade é uma coisa que prezo muito (e, com isso, vocês já sab... ah, deixa pra lá). O problema é: quando alguém decide fazer suas vontades, é óbvio que você opta pela alternativa responsável e passa a encher a cara de cerveja. Ela não foi diferente, paguei-lhe uma ou outra (ou seis) bebida.

Assim, a embriaguez da jovem, ao invés de torná-la sociável apenas para com minha pessoa, tornou-a sociável para com quase todos que na festa estavam. Extremamente sociável. Tão sociável que, passado algum tempo, todos ao meu redor desejavam a mesma amizade que eu procurava. Uma dessas pessoas, um sujeito meio mala que gostava de conversar sobre carros e máquinas automotivas (devia ser mecânico), foi mais além. A amizade entre ambos ultrapassou o que este que voz escreve julga por "sensato" e adentrou a barreira do "dou risada e coloco a mão em seu braço". Aí não pude me conter... Arranjei uma desculpa e arranquei minha quase ex-amiga de lá. Ela, super-sóbria e ciente de suas ações, recompensou-me com um beijo. Eis, então, que vejo nosso ex-amigo mecânico a chamando.

- Hey - disse ele.

- Hey - disse ela num diálogo tremendamente lúcido e eloqüente.

- Não sabia que você gostava de caras exóticos... - disse ele olhando para mim.

Sim... "caras exóticos". Exótico (preciso escrever "exótico" mais uma vez para que vocês entendam?). O sujeito me chamou de exótico... (escrevi mesmo assim). O que diabo é uma pessoa "exótica"? Entendam, em minha opinião, alguém "exótico" é alguém que usa um osso de iguana em seu nariz e come besouros no café da manhã... Senti-me um aborígine. Um mico-leão-dourado. Ele me desarmou completamente. Não havia outra opção senão levar a garota para casa e voltar para minha choupana...

Nunca mais vi minha amiga e creio que nunca mais verei... Não enquanto minha exótica vida durar, pelo menos.


Nota: Lembrem-se, inóspitos leitores, de que dia 01/02 (primeiro de fevereiro) este blog fará aniversário. Templates serão trocados, links adicionados, posts escritos e vidas arruinadas. Temos muito o que celebrar... ^_^


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Domingo, Janeiro 06, 2008



Trilogia do Amor Falido
Parte I - Dependência.

- Hoje não vai dar - disse ele ao telefone -, vou beber até cair.

- "...mensagem após o bip" - respondeu a secretária eletrônica - "bip".

- Hoje tenho de me humilhar.

A secretária nada respondeu.

- Vou olhar por aí, beber, dançar, beber, olhar, beber e ligar. Porque hoje não vai dar. Preciso me humilhar. - ele continuou - Vou dançar embriagado, você sabe como... Sorrir para qualquer uma, a primeira que ao meu lado estiver. Uma ruiva, com piercing nos lábios, creio. E... - ele hesitou - E... Ela é você, nesta noite. Ela é só mais uma de você. Dançaremos, ela sorri, eu sorrio, ela sorri e diz qualquer coisa... Eu discordo, mas sorrio e respondo. Pois ela é você, não importa o que ela disse, ou deixou de dizer... Entende? Só escuto... Bem, só escuto você. Ela tem uma ou outra tatuagem, eu observo e pergunto sobre o que são; ouço suas respostas. Eu sorrio e olho em seus olhos... Você sorri de volta e fecha os olhos. Eu te beijo. Você me beija de volta...

Ele, de súbito, pára de falar por alguns segundos.

- Ela me beija de volta - continua - Você... Não é ela. Hoje não vai dar... Desculpe.

Ele desliga o telefone.


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Quarta-feira, Janeiro 02, 2008



Foi o primeiro ano novo em que não choveu.

Sim, após esse mês de ausência, a melhor coisa que tenho a dizer é isso, e nem correta a frase está. Eu apenas não me lembro de um ano novo sem chuva, mas é óbvio que tenha chovido em algum ano novo. De qualquer forma, é a melhor coisa que tenho a dizer, pois não vale a pena escrever sobre quanto tempo faz que não escrevo. Sobre como me sinto incapaz de encostar numa caneta ou de olhar para a tela branca, com um traço vertical piscando, esperando que meus dedos toquem o teclado e comecem a digitar ininterruptamente. Não, é melhor escrever sobre como não houve chuva no ano novo.

Melhor é escrever sobre como não houve celebração, como me repudiava a idéia de encontrar-me com gente que usa a laringe (ao invés do cérebro) para falar. É descrever os livros que li e como bati a Juventus por 4 x 0 no videogame quando os fogos começaram e não pude mais me concentrar na leitura. Prefiro elogiar George Orwell por me fazer sentir repúdio por membros do partido e obrigar-me a questionar o Grande Irmão, em "1984".

Agrada-me mais a idéia de questionar o envolvimento de minha família em tais datas, como ano novo e natal. Perguntar os motivos para a obrigação moral em que se tornaram, ao avesso da saudável reunião de bêbados niilistas que vejo por aí. Prefiro pensar na razão que nos fez pegar os sorrisos, o fácil descompromisso com o futuro que acarreta numa simples frase otimista como "feliz ano novo" (mesmo que saibamos que este será exatamente igual ao ano velho), e trocar tudo pelo leve aceno burocrático com a cabeça, aquele que parece dizer "não me importo com você, mas tenho de cumprimentá-lo mesmo assim".

E por não querer escrever sobre meu não-escrever, vi que foi o primeiro ano novo em que a chuva não veio. Mesmo que tenham vindo os acenos burocráticos, a chuva não veio. A chuva, que insistia em estragar todos os planos de churrascos, bebidas e comemorações ao ar livre, não veio como não vinha há muito tempo... Daí a inevitabilidade de parar, sorrir com descompromisso e dizer com otimismo:

Feliz Ano Novo...

Pois foi o primeiro ano em que não choveu.


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