Sobre o blog: Devo começar explicando-lhes que isto não é um blog. Não. O Dios Mio!! (com dois pontos de exclamação) é simplesmente
o caminho mais fácil até a dominação global que encontrei em anos de assumida megalomania. Minha meta é difundir meus ideais insanos até que toda a sociedade ultra-moderna
tenha digerido cada um de meus principios dadaístas. Entretanto, se isto não funcionar, admito me contentar com um prato de torradas com geléia.
Sobre o Autor: O autor deste blog (eu, prazer) é uma pessoa normal, como você ou ele. Exceto por seu terceiro olho e sua incrível capacidade de queimar arroz, claro. Matias Melo Júnior é seu nome, mas, ao que sabemos,
prefere ser chamado de Jayme, ou Magnânimo Jayme. Bem, Jayme levava uma vida pacata até atingir a puberdade e pêlos começarem a crescer em lugares inusitados (certa feita encontrou um grande tufo de pêlos crescendo atrás da estante de sua avó).
Desde então Jayme nunca foi o mesmo... começou a referir-se a si mesmo na terceira pessoa e a escrever em um blog, aspirando sair do anonimato e/ou ganhar um prato de torradas com geléia.
Sobre Lontras: A lontra (Lutra longicaudis) é um animal mamífero da subfamília Lutrinae, pertencente à ordem carnívora e à família dos mustelídeos.
Vive na Europa, Ásia, porção sul da América do Norte e ao longo de toda a América do Sul, incluindo o Brasil e a Argentina. Seu habitat é no litoral ou próximo aos rios onde busca
alimentos como peixes, crustáceos, répteis e menos freqüentemente aves e pequenos mamíferos..
A Relação entre Lontras e o Blog: Nenhuma, rá! Bem-vindos ao Dios Mio!!
Receio informar-lhes que o autor deste blog entrou em férias. Portanto, não postará durante cerca de duas semanas; ou 14 dias; ou enquanto perdurar minha preguiça de escrever.
Enquanto isso sugiro que leiam posts antigos e toda aquela balela que hoje em dia já não faz sentido algum.
Dios Mio!! Apresenta:
Rápida Reconstrução Histórica da Indústria Contemporânea da Moda
Parte I - Os Mallandros do Hip-Hop.
O Hip-Hop, também conhecido como "aquele gênero musical que parece muito com rap, mas que dizem ser diferente, mesmo que ninguém saiba que raio de diferença é essa", ganhou demasiada força na última década com a derrocada do rock, também conhecida como "o momento em que surgiram roqueiros vegetarianos e straight edge". De uma hora para outra a indústria cultural estadunidense substituiu os grunges, ou o que restava dos sujeitos, por rapazes que malandros que cultivavam uma herança de vida sofrida, criada nas ruas sujas do Brooklyn e outros bairros cujos nomes desconheço, ao cantar sobre carrões, mulheres bundudas e diamantes. E como tudo que parece ser bacana por lá vira o máximo aqui, nós, brasileiros, adicionamos ao dicionário adjetivos incompreensíveis como "pimp" e "gangsta".
Mas o Hip-Hop não é só uma forma de alertar a sociedade para os perigos de ser o maior gansta da parada. Não é, também, uma maneira de vangloriar os cafetões e suas amigas da vida. Não. Tomemos um famoso rapper (ou seria hip-hopper?) 50 Cent - que, por ser muito meu amigo, chamá-lo-ei de Cinqüenta Centavos - como exemplo.
50 Centavos: "Já tomei mil e quinhentos tiros... agora já não passo mais por detectores de metal."
50 Centavos não é só mais um rostinho bonito que compõe canções sobre carrões e dinheiro. A verdade é que ele representa um estilo muito mais profundo e antigo do que aparenta. Vocês, missivos leitores, já repararam em suas vestimentas? Não? Nunca? Sempre que seus pais não estão por perto?
Bem, se vocês não fazem parte do último grupo, passem a reparar. 50 Centavos tempera com um ar cool toda essa fachada irascível que possui, construindo-a com vestimentas largas e longas, com números muito acima de seu manequim. Em outras palavras... Ele é aquele garoto gordinho que usa camisetas do pai porque nenhum das suas é capaz de esconder seu físico avantajado. Não que 50 seja, de fato, gordinho... Ele só se veste como um. Outro fator: O boné. Repararam como o boné de um hip-rapper nunca está corretamente fixado à cabeça do mesmo? O artefato sempre se encontra de lado, caído, casualmente desleixado, como se tivesse simplesmente caído no cocuruto de 50 Centavos quando ele ainda se chamava 15 Centavos.
Com todas essas pequenas observações feitas, somemos todos os fatores:
1) Um rapper deve usar: roupas coloridas e largas. Roupas de gordinho em geral.
2) Seu boné, ou qualquer artigo que use para esconder a calvície proeminente, deve se encontrar casualmente torto. Opondo-se ao sistema. Mesmo que não se saiba qual sistema é esse, ele deve se opor.
Mas, pergunto-lhes, que pessoa fez isso em seus tempos áureos? Que sujeito foi capaz de incorporar as roupas largas, o boné torto e até as dancinhas estranhas que alguns rappers (ou sei lá do que devo chamá-los) anos antes de estes pensarem em vender isso? Quem foi o gênio que começou com tudo?
A resposta?
Mallandro e 50 Centavos. Gangsta até a alma!
Sergio Mallandro! Sim, Sérgio Mallandro iniciou tudo. As roupas, o boné, as jóias desproporcionalmente grandes... Os maneirismos, com gestos enigmáticos feitos com as mãos, que os rappers hoje em dia usam para se dizerem Pimps ou Gangstas, já eram usados por Mallandro ao cantar "Vem meu amor, vem fazer Glu-Glu!". Até o relacionamento carnal para com as mulheres Mallandro inaugurou, ao dormir com inúmeras Mallandrinhas e negar tudo depois.
Em suma. Hip-Hop pode parecer algo risível, algo que é vendido a nós como artigo de liquidação da MTV dos EUA. Mas lembrem-se quem foi o primeiro a usar um boné de lado. Quem compôs inúmeros hits do rap como "Faro-fa-fa" e "Rap do Ovo". Lembrem-se e louvem Mc Mallandro por sua perspicácia e por antever o que mais tarde seria o boom daquele gênero musical que parece muito com rap, mas que dizem ser diferente, mesmo que ninguém saiba que raio de diferença é essa.
E tenho dito.
Aviso: No dia 04 de dezembro de 2007 (terça-feira) os mais afortunados entre vocês poderão conferir a minha pessoa surgir em seu aparelho televisor durante o primeiro episódio da minissérie Casal Neura da MTV nacional. Isso, é claro, se o diretor não teve o bom-senso em me cortar de todas as cenas. Assistam e vejam como desenvolvo meu papel de figurante, como o cliente de bar número 5, com maestria.