Sobre o blog: Devo começar explicando-lhes que isto não é um blog. Não. O Dios Mio!! (com dois pontos de exclamação) é simplesmente o caminho mais fácil até a dominação global que encontrei em anos de assumida megalomania. Minha meta é difundir meus ideais insanos até que toda a sociedade ultra-moderna tenha digerido cada um de meus principios dadaístas. Entretanto, se isto não funcionar, admito me contentar com um prato de torradas com geléia.


Sobre o Autor: O autor deste blog (eu, prazer) é uma pessoa normal, como você ou ele. Exceto por seu terceiro olho e sua incrível capacidade de queimar arroz, claro. Matias Melo Júnior é seu nome, mas, ao que sabemos, prefere ser chamado de Jayme, ou Magnânimo Jayme. Bem, Jayme levava uma vida pacata até atingir a puberdade e pêlos começarem a crescer em lugares inusitados (certa feita encontrou um grande tufo de pêlos crescendo atrás da estante de sua avó). Desde então Jayme nunca foi o mesmo... começou a referir-se a si mesmo na terceira pessoa e a escrever em um blog, aspirando sair do anonimato e/ou ganhar um prato de torradas com geléia.


Sobre Lontras: A lontra (Lutra longicaudis) é um animal mamífero da subfamília Lutrinae, pertencente à ordem carnívora e à família dos mustelídeos. Vive na Europa, Ásia, porção sul da América do Norte e ao longo de toda a América do Sul, incluindo o Brasil e a Argentina. Seu habitat é no litoral ou próximo aos rios onde busca alimentos como peixes, crustáceos, répteis e menos freqüentemente aves e pequenos mamíferos..

A Relação entre Lontras e o Blog: Nenhuma, rá! Bem-vindos ao Dios Mio!!


(Estoy Aquí)
-Dios Mio no Orkut
-El Arlequín
-El Púdin
-Lo Que Mando...


(Concorrentes)
-Ah, É?
-BbLinda
-Blog Zé Dend´água
-Depósito Calvin
-Dilemas de Uma Rosa
-Escuta Só
-História Pra Boi...
-In Loko Again
-JBF
-Kibe Loco!
-Mi Casa, Su Casa
-N e c r o s i s
-Sabe...?
-Secos & Molhados
-Spoiler
-Syl
-Uaaai?!
-Último Momento



(Não Leia)
-Isto Aqui






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SINCE
24/01/2004




Imagens gentilmente surrupiadas de Jay

Blasfemado por Jayme - 30.11.07



Anacatarse

Cedo, numa manhã, o sol estava brilhando; ele deitado na cama, se perguntando se seu cabelo ainda era vermelho. "Isso é parte de uma canção de Dylan", pensou, "irônico...".

E ironia era o termo correto, concluiu, pois sentia-se embaraçado em azul há meses. Também percebeu que as pessoas que conhecera também não passavam de ilusão. Alguns são matemáticos, outros, mulheres de carpinteiro... Mas simplesmente não sabia o que faziam de suas vidas neste momento. Só sabia continuar continuando. Seguir até o próximo ponto de descanso, sem parar, sem pensar e, só, penar.

Em seus raros momentos de reflexão fazia o que faz esta manhã. Perguntava-se sobre seu cabelo, lembrava das frases que lhe foram sussurradas ao ouvido. Recordava da última vez que estalou seus dedos, recostado nos degraus da escada de um velho hotel. Imaginava reencontros que não aconteceriam e ensaiava discursos que não faria. Escrevia sobre si mesmo na terceira pessoa. Tudo para afastar a dor que sentia.

Agora, e sempre que fecha seu caderno, engole a agonia. Desfaz os penteados imaginários e cobre os dedos há muito estalados. Ele não pode parar, pois Dylan não parou. A ironia continua.

"Não é desejo, nem é saudade
Sinceramente, nem é verdade."



Si, si, craro:









Blasfemado por Jayme - 22.11.07



Queima de Estoque

"Não estou conseguindo me apaixonar", ela disse. "Não sei", respondi, "essas coisas acontecem... não dá pra ficar esperando, não é um ônibus.".

Foi aí que me bateu: e se ela de fato não conseguir mais? E se houver uma quantia limitada de paixão reservada a cada indivíduo vivo? Seria o ceticismo, a amargura que nos cerca após inúmeros relacionamentos falidos apenas sintomas de uma baixa (ou, quiçá, esgotada) reserva de paixão?

Logo, se cada um de nós tem apenas uma quantia de amor a ser gasta durante nosso tempo terreno, o que acontece com o amor que não é usado? É descartado? É reciclado e usado como amor ao futebol, à bebida, amor ao mar? Ou vira fanatismo? Político, racial, ou religioso, se equivalendo ao ódio?

Tenho um primo de 7 anos, por exemplo, que se diz apaixonado por sua professora, por figurinhas do Dragon Ball e por gente fantasiada de dinossauro (especialmente dinossauros roxos). Teria eu de obrigá-lo a esquecer isso tudo e guardar seus amores para o futuro? Terei de dissuadi-lo da idéia de que figurinhas e dinossauros são o máximo (a professora não. Eu já a conheci, e nessa paixão ele tem razão)? Terei de informá-lo que não existe dinossauro roxo? E, se existirem, dizer que Deus tinha um baita de um mau gosto ao escolher cores? E todos os outros garotos de 7 anos de idade apaixonados por coisas que só outros garotos de 7 anos podem se apaixonar? Quem vai recheá-los de bom-senso? Quem vai impedir que gastem as reservas de uma vida toda ao sentar e assistir "Mansão Foster Para Amigos Imaginários"? Quem?

Mas... E se não for assim?

E se for... Pior? E se estivermos certos? E se amor for ilimitado e se, mesmo céticos e amargurados, estivermos todos fadados a nos apaixonar constantemente, cegamente? E se aquela garota, a que não conseguia apaixonar-se, estiver destinada a se apaixonar e sofrer tudo de novo, só para se preocupar com a ausência de uma nova paixão quando a antiga acabar? Isso quer dizer que o amor é como um ônibus e passa a cada 15 minutos. E, pior... Quer dizer que a analogia amor-ônibus, por mais escrota que seja, está correta.


Si, si, craro:









Blasfemado por Jayme - 19.11.07



O receio de perder, de julgar, de não agir, de não saber como agir. Mantra de quem teme conhecer, aproximar, ver e deixar que vejam, cuidar e deixar que cuidem. Existe, assim como o temor de ver lágrimas em espelhos alheios, tal qual terror de quem se entrega. De quem fecha os olhos, de quem joga, de quem se deixa tragar, de quem deseja afogar-se em cabelos alheios, de quem deita abraçado e aceita mudanças insensatas e inconvenientes; pavor de quem topa, mas não sabe bem o quê, horror de quem liga, pânico de quem convida. Onde está a coragem de tudo isso enfrentar?


Si, si, craro:









Blasfemado por Jayme - 16.11.07



Monólogo a Dois

- Já me decidi. Hei de ser um escritor.

- Jura? Desistiu do curso técnico pra torneiro mecânico?

- Estou falando sério. Demorei em aceitar isso. Talvez por medo do processo de criação. Medo de enfrentar destinos como o de Orson Welles, cheio de trabalhos interrompidos pela metade e nunca finalizados.

- Orson Welles? Não é o cara do "Revolução dos Bichos"?

- Não, esse é George Orwell...

- Tá, mesmo assim... Depois de ler esse livro eu nunca mais consegui olhar um porco nos olhos...

- Ok, mas não é esse meu ponto. Como é que vou conseguir ser um escritor se você vive desviando o assunto para fatos banais? Foquemo-nos em mim. Eu posso me tornar um novo Orson Welles ou até um J. D. Salinger e viver recluso por anos, sem dar entrevistas ou aparecer publicamente. Mas, J. D. Salinger foi capaz de escrever "O Apanhador No Campo de Centeio". Orson Welles dirigiu "Cidadão Kane". São contribuições importantíssimas para a formação do homem no século 21... Então mesmo que eu tenha a necessidade psicológica de um recluso, como o de J. D. Salinger, acho que é apenas um preço a se pagar por ter criado algo tão maravilhoso quanto ele...

- Sei... Esse "J", de "J. D." é de quê?

- Jerome, acho...

- Porra... E você quer ser parecido com alguém chamado "Jerônimo"? Haja mau gosto, hein meu filho?

- Não é o nome que me importa. O importante é saber que existe a síndrome de Barton Fink. O processo criativo advém das entranhas do homem, um lugar que você não deve olhar ou espiar, mas tem de fazê-lo mesmo assim. Criar exige conhecimento da alma, das entranhas... É necessário saber o que você possui lá dentro... É preciso conhecer a causa daquilo que agita seu estômago e faz contorcer seus intestinos...

- Fácil... GASES. Uma tia minha tinha, e acredite, você não quer ver o que é...


Si, si, craro:









Blasfemado por Jayme - 8.11.07



MSN

Jayme diz:
Fala, rapaz... já leu o que escrevi no Dios Mio!! ?

André - Hoje é dia de tanga diz:
Ainda não, por quê?

Jayme diz:
Leia lá e veja se você consegue descobrir sobre quem é o post...

André - Hoje é dia de tanga diz:
Ok.

Jayme diz:
Quero saber se ficou muito óbvio...

André - Hoje é dia de tanga diz:
Se você parar de me mandar msgs e me deixar ler, eu leio...

Jayme diz:
ok

Jayme diz:
...

André - Hoje é dia de tanga diz:
Pronto... já na segunda linha descobri que era sobre a ********* (pensaram que eu ia falar, né?)

Jayme diz:
Poxa, tão fácil assim?

André - Hoje é dia de tanga diz:
Você me contou essa história... guria tava com o pé quebrado e te pediu pra visitar ela.

Jayme diz:
Aaaaaaah, é...

André - Hoje é dia de tanga diz:
Sei nem como você se esqueceu.

Jayme diz:
Isso diz um bocado sobre mim... né?

André - Hoje é dia de tanga diz:
Acho que sim... e a piada do carro movido a mágma é meio idiota... Mas eu ri mesmo assim

Jayme diz:
E isso diz um bocado sobre você... né?



Nota: tenham paciência, meus queridos. Estou trabalhando pra danar em inúmeros trabalhos... um deles pode ser até publicado por aqui... mas, enquanto isso, me ausentarei (ou postarei coisas cretinas como essas aí).


Si, si, craro:









Blasfemado por Jayme - 1.11.07



Situações
em que só eu fui capaz de estar - Parte 1

Certa feita fui visitar uma garota com quem planejava ter qualquer coisa (e, garotas, quando um cara planeja ter "qualquer coisa" contigo, excluam a opção "amizade"). Ela não podia sair de casa, o motivo para tal já não me recordo, mas por isso tive de dirigir Átila (meu UNO sem ar-condicionado) sob um ameno sol de 40ºC até sua casa, sol que frustrou minhas tentativas de comprar um chocolate qualquer para ganhar alguns pontos ao tentar ter qualquer coisa.

Cheguei à casa todo suado, fedido e esbaforido, afinal, Átila é um automóvel implacável. Especialmente quando se mora no interior paulista. Enfim, toco a campainha... nada... toco novamente... nada... toco uma terceira vez e... se vc pensou em "nada", acertou. Praguejei cerca de cinco mil vezes (algo como "como aquela ******* me faz vir até aqui, suado, fedido e esbaforido, e nem em casa está!!!" passou por minha cabeça... mas não tenho certeza se foi exatamente isso) e decidi ir embora. Não havia motivo para ficar ali, debaixo do sol, já que não planejava renovar meu bronzeado. Voltei ao meu forno-móvel e parti.

Dez minutos depois, uma ligação. Dela. Sim, a garota com quem eu gostaria de ter qualquer coisa. Ela me perguntou por que é que não tinha ido até lá e eu expliquei educadamente, sem asteriscos, nem nada, que não fui porque ela não estava em casa. Ela retrucou dizendo que estava... eu trepliquei dizendo que não, não estava. Ela perguntou o número da casa em que eu apareci... e eu descobri que tinha ido até a casa errada.

Dei meia volta com meu carro movido à magma e segui até a casa certa.

E se eu falei que estava suado, fedido e esbaforido antes, desta vez eu estava um nojo. Chego a acreditar que minhas glândulas sudoríparas poderiam abastecer um caminhão de bombeiros... mas, claro, sou idiota o suficiente para não desistir quando sei que tenho de desistir.

Toquei a campainha e ela me atendeu, fingindo não perceber meu estado físico. Adentrei seus domínios com cautela, morrendo de medo de levar um choque térmico, já que sua casa, diferente de Átila, possuía ar-condicionado. Ela me pediu para sentar, sentou-se ao meu lado e começamos a conversar.

Ela conversava tocando meu braço (e aqui vai outro aviso às garotas: homens interpretam isso como um bom sinal para se ter qualquer coisa... que não amizade) e rindo de cada piada cretina que eu fazia. Eu poderia simplesmente citar os únicos dois números primos que conheço, e ela daria risada. Esperei meu corpo se adaptar à temperatura ambiente, até que eu ficasse razoavelmente mais apresentável, e me decidi: iria tomar a iniciativa.

Lambi as sobrancelhas e limpei a garganta, tal como o Kiko. Aproximei meu rosto do dela e...

O telefone tocou.

Ela pediu licença e foi atender. Era o ex-namorado. Dela, não meu...

Eis, então, que o diálogo (monólogo, no caso, já que eu só a ouvi) mais bizarro que já presenciei se sucedeu.

- Alô - disse ela ao atender. - Ooooi...!

- Aham... aham... sim... Não... não venha. O Jayme está aqui.

Por algum motivo essa combinação de palavras "não venha, o Jayme está aqui", me pareceu curiosa. Mas não questionei, afinal, ela não queria que o sujeito fosse até lá.

- É, o Jayme... - continuou ela ao telefone - Por quê? Algum problema?

A palavra "problema" também soou estranha.

- Ué... não fiquei. Não, não fiquei com ele! - ela esbravejou. - Juro por Deus que não fiquei com ele!!!

Foi que a coisa ficou incômoda de verdade.

- Affe! - reclamou ela - Acredita em mim! Não fiquei! Mas se tivesse ficado, problema meu, né?!?

Eu só fui capaz de me levantar, dizer "Problema seu, nada... sorte tua!" e partir. Entre alguém que me dá fora falando com o ex-namorado no telefone e um UNO pegando fogo, prefiro meu carro infernal.


Nota: Nomes foram omitidos para poupar a mim mesmo de uma possível iminente surra.


Si, si, craro: