Sobre o blog: Devo começar explicando-lhes que isto não é um blog. Não. O Dios Mio!! (com dois pontos de exclamação) é simplesmente
o caminho mais fácil até a dominação global que encontrei em anos de assumida megalomania. Minha meta é difundir meus ideais insanos até que toda a sociedade ultra-moderna
tenha digerido cada um de meus principios dadaístas. Entretanto, se isto não funcionar, admito me contentar com um prato de torradas com geléia.
Sobre o Autor: O autor deste blog (eu, prazer) é uma pessoa normal, como você ou ele. Exceto por seu terceiro olho e sua incrível capacidade de queimar arroz, claro. Matias Melo Júnior é seu nome, mas, ao que sabemos,
prefere ser chamado de Jayme, ou Magnânimo Jayme. Bem, Jayme levava uma vida pacata até atingir a puberdade e pêlos começarem a crescer em lugares inusitados (certa feita encontrou um grande tufo de pêlos crescendo atrás da estante de sua avó).
Desde então Jayme nunca foi o mesmo... começou a referir-se a si mesmo na terceira pessoa e a escrever em um blog, aspirando sair do anonimato e/ou ganhar um prato de torradas com geléia.
Sobre Lontras: A lontra (Lutra longicaudis) é um animal mamífero da subfamília Lutrinae, pertencente à ordem carnívora e à família dos mustelídeos.
Vive na Europa, Ásia, porção sul da América do Norte e ao longo de toda a América do Sul, incluindo o Brasil e a Argentina. Seu habitat é no litoral ou próximo aos rios onde busca
alimentos como peixes, crustáceos, répteis e menos freqüentemente aves e pequenos mamíferos..
A Relação entre Lontras e o Blog: Nenhuma, rá! Bem-vindos ao Dios Mio!!
(Estoy Aquí)
-Dios Mio no Orkut
-El Arlequín
-El Púdin
-Lo Que Mando...
(Concorrentes)
-Ah, É?
-BbLinda
-Blog Zé Dend´água
-Depósito Calvin
-Dilemas de Uma Rosa
-Escuta Só
-História Pra Boi...
-In Loko Again
-JBF
-Kibe Loco!
-Mi Casa, Su Casa
-N e c r o s i s
-Sabe...?
-Secos & Molhados
-Spoiler
-Syl
-Uaaai?!
-Último Momento


Imagens gentilmente surrupiadas de Jay
Blasfemado por Jayme - 29.5.07
O Coríntio
Sou um cara de olhos. Quero dizer, olhos me agradam. Agradam tanto, aliás, que tudo que advém deles o fazem também. Agradam-me os olhares, me agrada vê-los, o olhos, fechados; piscadelas me agradam; até a palavra "humor vítreo", acho interessante. Gosto da idéia de haver humor em cada um de nossos olhos, ademais, gosto de como tenho de encher a boca para pronunciar "humor vítreo". Mas, bem, neste caso não é diferente.
Apesar das raras oportunidades que tive para constatar tal fato, sei que gosto de como suas pálpebras se cerram um pouco quando você ri. Gosto de como suas íris são claras... Claras e calmas, é o que eu gosto de pensar. Gosto também de como você me olha. Sem desviar o olhar, sem fingir olhar para o outro lado. Poucas pessoas fazem isso. Ora, eu não faço isso. Vivo olhando para todos os lados, sou um abuso ocular. Você não. Você observa com identidade. Com direção.
Claro, claro. Mal nos conhecemos, só saímos uma vez e é pouco provável que nos vejamos novamente. Mas isto me impede de gostar de seus olhos? Não. Espero que não. Pois mesmo que nos vejamos novamente, eu com meu olhar abusado e você com suas direções planejadas, o tempo é contagioso. Tempo é contagioso e todos crescem. Olhares se desviam, focos se alteram e imagens são esquecidas. Vou encontrar outros olhares para imortalizar e você, bem, você olhará por aí. E, dada sua beleza, olhará o quanto quiser.
Mas o que quero dizer é que, neste exato momento, seus olhos é que me atraem. E, neste exato momento, é o que me importa.
• Si, si, craro:

Blasfemado por Jayme - 26.5.07
Arizona, 1895
Bill, Paco, o traseiro do touro e o Narrador.
- Foi um tempo que u tempo naum esquece. - disse o velho - Que us trovão eram ronco de se ouvir, todo u céu começô a si abri.
- Só perguntei se você sabia do que aconteceu naquela noite. - interrompeu o homem à sua frente. Andara centenas de léguas, sempre a procurar por alguém que de fato conhecesse a história que buscava ouvir. E agora que encontrara o velho com olhos de vidro e ar de sapiência estampado nas rugas, já não tinha paciência para mais floreios. Estava curioso e já fora demasiado enganado por aspirantes a poetas. Precisava saber do que ocorrera quando o pistoleiro encontrara Paco, o Eloqüente, pela segunda vez.
- Sim, sim, sim. - respondeu o velho - Se não deixa contá du meu jeito, di qui jeito posso contá?
- Você vivenciou a história, não? - perguntou o homem.
- Não, ma li num livro.
- Num livro? - espantou-se o homem. Passara por chuva, fome, moscas e pulgões para ouvir algo que vinha de um livro. Um livro que poderia encontrar em qualquer lugar, provavelmente. Espantar-se era a única opção que possuia.
- Qué ouvi ou naum, fiote? Tenho mai o que faze.
- Conte-me - disse o homem. Talvez não fizesse mal escutar o que as rugas tinham a lhe ensinar.
- Escuta bem. Num vô repiti. - disse o velho enquanto acendia um cachimbo de barro cheio de fumo fedorento - O que li foi exatamente u siguinti.
"Madman Bill perseguira Paco, o Eloqüente, por todo o Arizona.
"Estava atrás de alguns de seus pertences roubados há tempos, numa outra história. Compre o outro livro se quiser saber disso. O fato é que Bill perseguira Paco durante muito, muito tempo. Cruzara o caminho de muitos de seus capangas ao fazer isso, e Ortega "El Loco" Raño, seu novo contador, era apenas um deles. Madman Bill também se deparara com o Apache Sem Nome e com Eddie Zarolho, pouco após aquele encontro.
"Após uma longa palestra com o Apache, Madman Bill decidiu mudar o nome de Eddie para Eddie Caolho, simplesmente por soar melhor (e, claro, por ter arrancado-lhe um dos vesgos olhos) e deixar o velho índio anomeado em paz. Ele tinha piolhos.
"Agora, meses depois do par de eventos, Madman Bill chegava a Bullhead City, uma pequena vila no meio do nada, marcada por um crânio de Búfalo preso à placa que demarcava os limites da "cidade". Tratava-se de um lugar pequeno, terrivelmente pequeno, onde qualquer um que tivesse visto o sorriso metálico de Paco, o Eloqüente, certamente seria capaz de dizer a Bill onde ele poderia ser encontrado.
"Bullhead City, na verdade, nada se parecia com sua tradução literal "Cabeça de Touro". Muito pelo contrário. Ela mais se parecia com o traseiro de um touro do que com a cabeça do animal. Composta por apenas duas vielas empoeiradas, Bullhead City - carinhosamente apelidada de Bullass City - era tão pequena que, ao defini-la, dizer "pequena cidade pequena" não era redundância alguma. Numa das vielas se encontravam os estabelecimentos comerciais. Um banco, um ferreiro, uma confeitaria que só vendia charutos e um curral, era tudo o que se localizava nela. Noutra viela, "a segunda rua mais importante de Bullass City", era o que os diligentes que por lá passavam costumavam dizer, se localizavam os estabelecimentos que faziam o agrado de Madman Bill. Nela haviam duas construções erguidas. Um bordel e uma taverna.
"A taverna, um lugar grande, grande o bastante para abrigar todos os diligentes que por lá passavam, possuía um grande aviso anexado à porta. "Não permitimos a entrada de blogueiros e estudantes de cinema. Favor não insistir", era o que o aviso dizia. No interior do galpão que constituía o lugar grandes homens bigodudos se encharcavam de bebida. Alguns atirando fichas de poker, no meio de um jogo de buraco, outros gritando "Porco!" ao jogarem dominó. Mas quase todos, certamente, com uma grande caneca de cerveja à mão. Quase todos. Um deles sorvia uísque de um pequeno copo sujo, ininterruptamente. Este homem era Paco, o Eloqüente.
"Madman Bill amarrou seu cavalo na pequena cocheira abandonada próxima à taverna - não citada anteriormente pelo óbvio motivo de que ela estava abandonada (e de que este que vos escreve acaba de lembrar que deveria haver uma cocheira próxima à taverna). E dirigiu-se à entrada, tentando ignorar o forte desejo de fazer uma visita ao bordel. "Diversão primeiro, depois os negócios", dizia ele a si mesmo, enquanto sacava a Pistola sedenta pelo sangue de Paco.
"Suas botas levantavam uma fina nuvem de poeira ao caminhar e suas esporas tilintavam a cada movimento que fazia. Madman Bill tinha a cabeça baixa de um matador à espreita (um dos poucos gestos que executava com naturalidade, além de um ou outro gesto com conotação bem mais sexual), deixando às suas vitimas a última visão de um breve sorriso, seguido pela aba de seu chapéu. Os mortos nunca veriam seus olhos.
"Madman Bill estava pronto para arrancar o sorriso metálico do rosto de Paco. Estava pronto para amarrá-lo ainda vivo em seu cavalo arrasta-lo por sete mil léguas, oeste afora, exatamente como este fizera com a única mulher que Madman Bill já amara.
"Bill teria sua vingança, cedo ou tarde. Ergueu as duas Pistolas no ar e chutou com violência - novamente, dizer isto não é nada redundante neste caso - a porta do estabelecimento. Observou Paco, que ainda sorvia o viscoso líquido, e sorriu. Sim, Madman Bill sorriu. Madman Bill sorriu, apontou as pistolas e...
BLAM!!!"
- Como assim "blam"? - perguntou o homem.
- Ué... "BLAM!". - respondeu o velho. - Bill acertô bem na cara du narradô. Ele bem avisô que num gostava di se chamado de "Madman Bill".
E, assim, morreu o terceiro narrador das histórias de Madm... digo, Bill, o pistoleiro, em menos de um mês.
• Si, si, craro:

Blasfemado por Jayme - 22.5.07
Arizona, 1895
A busca por Paco, o Eloqüente
O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás.
Com o deslumbrante sol escaldante servindo de luminária, o deserto era a apoteose de todos os desertos. Pelo menos era o que o homem de preto, Ortega "El Loco" Raño, deveria achar tendo Madman Bill em seu encalço. Madman Bill, no entanto, sabia que veria novos desertos. E novas perseguições, se assim o bom Deus desejasse (e ele sabia que Deus nunca desejaria algo que opusesse a vontade de Madman Bill).
Durante dez dias e dez noites, Ortega correra contra o tempo, tentando se afastar de seu perseguidor. Sem sucesso. Quando se tem alguém como Bill atrás de um pedaço de seu lombo, há apenas duas certezas. O problema é que ninguém jamais sobreviveu para sequer contar a primeira delas. E Ortega percebia, agora, que seu destino seria o mesmo.
Tentou todos os truques que conhecia para despistar alguém. Chegou à sandice de deixar seu cavalo para trás e andar 70 km num pé só, na pífia esperança de que Madman Bill desistisse, achando que seguia um saci. Mas Madman Bill já matara um saci, é óbvio. Sabia que aqueles pulos a esmo não pertenciam a um deles. Aqueles pulos eram de, ninguém mais, ninguém menos, Ortega, El Loco.
Ortega desfez sua fogueira ao raiar do dia e decidiu seguir em frente - desta vez usando as duas pernas. Não era capaz de dormir há quatro noites. Contos de como Bill torturara suas últimas vitimas ecoavam em sua cabeça. A semana que o cowboy passara arrancando as sobrancelhas de Pietro Wallace com uma pinça enferrujada, enquanto cantarolava a melodia de "El Quixote", ou quando Bill decidira executar Aaron Canvas arrancando-lhe os olhos e dando-lhe de comer, dizendo que eram ovinhos de codorna, eram apenas alguns dos casos que não permitiam um só momento de sono a El Loco. Sabia que tinha de se afastar daquele diligente sanguinário, mas também sabia que nunca seria capaz sair do deserto com vida. Seu perseguidor jamais permitiria tal coisa. Portanto Ortega vivia nos acréscimo da vida, encarando qualquer hora a mais respirando como uma espécie macabra de bônus. E faria de tudo para conseguir uma única e singular hora a mais.
Madman Bill, no entanto, já trazia seu destino consigo. Ortega mal teve tempo de retirar suas ceroulas e Madman Bill surgiu de súbito, "como um maldito vento primaveril", pensaria Ortega. Pensaria mesmo sem jamais saber o que diabo era um vento primaveril. Madman agarrou suas ceroulas, olhou no fundo de seus olhos e disse:
- Você está se sentindo com sorte hoje? - seu bafo cheirava a alho poro e a algo cítrico.
- Ma... Madm... Bill? - Ortega logo tratou de se corrigir. Sabia que Bill odiava ser chamado de Madman Bill e não queria provocar mais ainda a ira de alguém que comia alho poro logo pela manhã.
- Sorte a sua, não? - disse Madman Bill jogando-o sobre os restos fumegantes da fogueira recém-apagada.
Ortega El Loco se debateu, tentando apagar um pequeno incêndio que ganhava vida em suas roupas, enquanto Bill grunhia. Alguns encarariam aquele grunhido como uma risada. Mas não Ortega.
- Vai me dizer onde encontrar Paco? - disse Bill após ver Ortega rolando para o lado, tentando apagar o fogo.
- Yo já disse... No se donde estás! - respondeu Ortega num choro manhoso.
- É uma pena. Se soubesse faria você me levar até lá. Como não sabe, você não tem mais utilidade para mim. - Bill retirara um de seus Revolveres do coldre enquanto conversava.
- Ay, Dios, no! - suplicou Ortega - Yo tengo una família! Ún cachorro! Y ún furón! - El Loco se arrastou em seus joelhos e agarrou as calças de Madman Bill na vã esperança de ser poupado.
- Largue minhas calças, criatura amarga - disse Bill, que agora apenas limpava seu Revólver com um paninho umedecido. Até hoje não se sabe como ele arranjava tais paninhos em pleno século 19. - Não vou te matar. Não agora...
- Dios mio, você vá me enterrar ahasta el pescoço y esperar qui los abutres comam mis ojos, como fez con Doc Mahoney? - Ortega estava tão desesperado que molhara suas ceroulas queimadas - Vá amarrar una cuerda en my pescoço y my deixar na ponta de los piés hasta que yo me canse e sea enforcado, como fez con William Turner?
- Não seja idiota. - limitou-se a responder Bill.
- Dios Mio!! Lo que hacerá, lo quê? - suplicou Ortega.
- Você merece coisa muito pior, chicano.
Assim, Madman Bill continuou seu caminho pelo deserto à procura de Paco, o eloqüente. Enquanto isso, Ortega foi visto numa cidade próxima, ainda vivo. Abrira um escritório de contabilidade e fora obrigado a passar o resto de sua vida trabalhando como contador. Madman Bill é um sujeito sem alma e sem piedade.
• Si, si, craro:

Blasfemado por Jayme - 20.5.07
Maleável Como Uma Rocha
Escrevo neste exato momento, não por vontade, mas por necessidade. Escrevo porque sei que sentimentos são efêmeros, fugazes. Escrevo porque logo não fará mais sentido, por sorte, e porque este blog necessita de algo mais real do que meu conspícuo ódio pela superficialidade. Escrevo porque abri minha caixa de pandora.
Sim, abri a caixa num momento em que pensava em alguém por quem posso me apaixonar (outro dia escrevo sobre isso, quem sabe) e vi coisas vindas de alguém por quem já fui apaixonado.
Idiota, é o que posso dizer.
Idiota, abri a caixa de pandora e observei seu conteúdo por tempo considerável. Entre fotos, papeis e mensagens só encontrei objetos que traduziam um único sentimento. Solidão. Não a solidão exacerbada, desenfreada, de Goethe, não. Solidão real. Que bate no fundo do peito, que bate como uma única e singular gota caindo no fundo de um poço produzindo um sonoro encontro com a água estagnada. Solidão de quem já teve e não quer mais ter. Solidão de quem sentiu e não sente mais. De quem lembrava, mas preferiu esquecer.
Fechei a caixa de pandora como se tentasse encostar uma porta em meio a uma tempestade de vento sem fazer o menor ruído. A tampa cerrou-se com um estampido e voltei ao mundo real. Voltei com a gota do fundo do poço talhada ao peito. Voltei a pensar em tudo o que me cerca. Com um otimismo cego e inquietante.
Otimismo.
Mas mesmo que outrora tenha abafado o som que ecoava pelas paredes de meu poço, hoje ele não mais funciona. Não funciona porque minha consciência fez o papel de Epmeteu, enquanto meu corpo interpretava Pandora. Não funciona porque me lembrei de como era sentir-me visto pelos olhos cobiçadores de outrem. Não funciona porque sei que não tenho força de vontade o suficiente para querer sentir isto novamente. Não funciona porque agora sou uma daquelas figuras que derrama lágrimas no carro... E, ironia, choro enquanto o auto-falante ecoa:
I'm bustin' out
Hard as a rock
Harder than a rock
Hard as a rock
Harder than a rock
The lightnin' rod, strike it hot
Gonna hit you like the Rushmore rock
No nicotine, no pipe dreams
So low and dirty, it's darn right mean...
Hard as a rock...
• Si, si, craro:

Blasfemado por Jayme -
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo...
• Si, si, craro:

Blasfemado por Jayme - 16.5.07
Momento Diarinho
Bem, para quem comentou no post anterior (minha cara colega desconhecida, Laura Natasha) - que, por sua vez, foi devidamente apagado - e está alarmado ao ver um novo post, explico: este blog está num pseudo-recesso criativo. "Recesso criativo" porque me encontro estático neste exato momento. Tenho exatamente duas mil e quinhentas e noventa e sete idéias na cabeça. Mas não consigo escrever sobre nenhuma delas. E "pseudo" porque, apesar disso, consigo escrever sobre o que me circunda. Sobre minha vida. Sobre meu umbigo. Portanto, ainda me encontro apto a postar qualquer coisa por aqui.
Agora, se você não é a Laura Natasha (que comentou no último post) e não leu o tal post apagado, apenas ignore o parágrafo acima. Apenas saiba que este é um post diarinho e que muitos virão. Prepare-se, começarei no próximo parágrafo.
Ainda não defini bem se é um sentimento geral da nação, ou se sou só eu (pois existem coisas que só eu faço mesmo, como acertar o alarme do relógio para tocar exatas seis vezes antes que eu acorde), mas, estou cercado de cretinice. Sei que é um pensamento cretino. Mas é verdade.
Veja bem, vou tentar ilustrar corretamente: estudo numa universidade particular (e não uso o verbo "estudar" por acaso). Eis uma definição da palavra "universidade":
Universidade:
instituição educacional que abrange um conjunto de escolas superiores destinadas à especialização científica e profissional;
Agora, após alguns meses de estudo (notem que o verbo está aí de novo), deixe-me dar a minha definição da palavra "universidade":
Universidade:
Creche muito cara.
Não sei se ficou muito claro, mas espero que você tenha visto a diferença entre tais definições.
Não me leve a mal, eu gosto de meu curso. Gosto mesmo. Como é que não gostaria? Eu curso cinema (e espero que isso baste para responder a pergunta). O problema não é o curso.
E, ao contrário do que você está pensando neste exato momento, o problema não são as pessoas. O problema não sou eu, tampouco. O problema é o tempo.
Sim, o tempo. O tempo passa... E eu fico mais velho. Velho e ranzinza. Reclamo de tudo. Reclamo de como alguns colegas dão risadinhas e dizem "Hihihi, ele é viado!", ao apontarem para alguém que teve muito mais hombridade do que eles terão nos próximos 10 anos (quiçá a vida toda) ao assumir a adversa sexualidade aos 18 anos de idade. Reclamo das brigas insanas que surgem depois de comentários inocentes como "Não gosto deste filme.". Reclamo do sujeito que diz meu nome a cada 30 segundos. Reclamo de ouvir frases como "Tá, então... Dá pro Jayme escrever", como se eu, subitamente, defecasse criatividade e transpirasse bom-senso. Reclamo de tudo. Reclamo porque já passei da idade.
E o que concluo a partir disso tudo? Fácil. Se seguir neste ritmo, aos 40 anos a única atividade que farei o dia todo será sentar numa cadeira de plástico, posta à calçada, matar formigas e resmungar o dia todo.
Mas pelo menos estarei formado e não mais escreverei sobre meu umbigo.
Bah... A quem estou enganando?
• Si, si, craro:

Blasfemado por Jayme - 10.5.07
Verdadeiras Verdades Bíblicas
ou "textos que me garantirão uma longa estadia no inferno"
Eis que José, o carpinteiro, encontrava-se perdido. Não fisicamente, pois conhecia Nazaré como a palma de sua mão. Era capaz de apontar todas as carpintarias, olarias e casas lotéricas da cidade em menos de 30 segundos. Isso se tais 30 segundos fossem contados numa ampulheta de areia judia, é óbvio. José encontrava-se emocionalmente perdido.
Perdido, pois descobrira que sua esposa, Maria, estava grávida e sequer a tocara. E, para piorar sua situação, fora visitado por um anjo na noite anterior, anjo tal que possuía uma estranha semelhança com seu vizinho, Josué, o leiteiro. O anjo vestia uma túnica branca e dizia "José, caro José... Não te alarmes! Sabes muito bem que esse pãozinho que está no forno não foi feito por tuas mãos carpinteiras. Mas, sim, pelas mãos do Padeiro Divino.". José, na ocasião, balançara a cabeça e perguntara "Mas que diabos...?". E o anjo respondeu-lhe "Tá devagar, hein? To dizendo que o filho não é teu. É de Deus!".
Mas a eloqüência do mensageiro o instigara. Isso e, é claro, a semelhança com o tal leiteiro, que vivia rondando sua casa enquanto Maria estava a sós. Por isso, José agora se encontrava vagando pelos arredores de Nazaré, procurando por respostas. Procurando por um arbusto em chamas ou coisa parecida. Porém, quando finalmente encontrou um arbusto, era um arbusto comum. Nada de chamas.
José não se deteve, riscou um fósforo e ateou fogo na temível planta.
- Senhor... Senhor! - louvou ele - pode me ouvir?
- José?!
- Senhor! Finalmente! Estava ansioso para conseguir palestrar Contigo! - disse José olhando diretamente para as chamas que estalavam e crepitavam do arbusto.
- Sim, entendo! Mas por que botastes um arbusto em chamas? Bastava chamar!
- Bem, funcionou para Moisés...
- Não foi Moisés quem ateou fogo ao arbusto! Eu é que resolvi aparecer desta forma...
- Ah é? E por quê?
- Er, bem... - Deus pigarreou antes de continuar - olha, os deuses gregos viviam aparecendo como gansos, cabras, carpas e todos os tipos de animais possiveis. Por que questionas Minha escolha de comunicar-Me através de um arbusto em chamas?
- Não era a intenção. - desculpou-se José. O problema era que agora não sabia para onde deveria olhar. Começara olhando para o arbusto, mas quando Ele disse que não era, de fato, o arbusto em chamas, José começou a comunicar-se olhando para o nada. Mais ou menos como fazem apresentadores de televisão que atendem telefonemas com telefones imaginários no ar.
- Olha... Descobri que minha mulher está grávida. - continuou José, olhando para o nada com um largo sorriso no rosto - Mas sequer me deitei com ela. Como isso é possível? Só há duas explicações... Ou foi o maldito leiteiro... Ou... Bem, ou Você.
- Sim, José. Entendo teu dilema. O leiteiro é realmente um homem desvairado.
- Eu sabia! Aquele...
- Não profanarás ante minha presença! - interrompeu Deus - O que eu dizia era: O leiteiro é realmente um homem desvairado... No entanto, fica tranqüilo. O filho é meu.
- O filho é... Seu? - perguntou José, incrédulo.
- Sim, meu!
- Seu sacana! Nem me esperou molhar o bico e já foi se assanhando com minha esposa, é?
- Acalma-te José!
- Acalmar-me? Porra! Eu fui corneado! E, pior, corneado por Deus!
- José, não é bem assim...
- Como não? O Senhor sabe de tudo, não sabe? Sabia que era minha mulher! Pô, por que não engravidar uma solteirona? Tenho uma tia que ninguém quer... Aposto que ainda é virgem... Por que não ela?
- Sou Deus mas tenho bom gosto! E, tua tia... Bem, digamos que a qualidade do barro usado em sua criação não era das melhores. Andei usando um material de segunda...
- Não é desculpa! Ainda assim me corneou! - gritou José inconformado.
- José, tu não enxergas teu destino claramente. Poderás educar o filho de Deus. Criá-lo, como se fosse teu próprio. Alimentá-lo, como se tivesse saído de teu próprio corpo.
- Mas não saiu...
- Chega! - vociferou Ele - Se cuidar de Meu filho não é honraria o suficiente, talvez não mereças minha atenção. Nem mesmo um lugar ao Meu lado.
- Tá, tá, tá - José sacudiu os ombros, demonstrando conformar-se com o corneamento a situação. - Também não é como se Você fosse escrever um livro e contar para todo mundo, não é?
- Não. Eu nunca faria isso.
- Menos mal. - disse José.
- Em Meu lugar, mandarei um Apóstolo executar tal ato.
- Deus-do-céu!!!!!
- Sim?
E, assim, inicia-se a saga de José, o corno mais famoso de toda a história teológica ocidental.
• Si, si, craro:

Blasfemado por Jayme - 6.5.07
Estórias Reais, Relacionamentos Imaginários
Faltava uma semana para meu aniversário. Não que eu ligue para isso. Não ligo mesmo. Chego a não ligar tanto que as pessoas se chateiam comigo quando minha indiferença é sentida. Mas não é sobre isso que vou escrever.
Faltava uma semana para meu aniversário. O telefone tocou, olhei para o nome no visor. Era ele. Ele, com quem não falava há cerca de dois meses. Ele, quem não via há três meses. Ele, quem se afastou de todos e foi morar numa bolha.
- Alô? - digo eu, desta vez fingindo a tal da indiferença.
- Alô, quem tá falando? - diz a voz ao outro lado da linha.
- Sou eu, Jayme... - "Porra, cara, que saudade! Que é que você anda fazendo? Como é que você está?". Isso eu penso, não digo.
- Ué, liguei pra você? - diz a mesma voz com súbito espanto.
- Uhum... - desta vez nada penso além de "uhum".
- Poxa, era pra ter ligado para outra pessoa...
- Certo... - digo eu.
Um momento de silêncio. Sinto seu constrangimento a 500 km de distância. Ele quer desligar, quer voltar à bolha, quer completar sua ligação. Mas, simultaneamente, sente que tem de falar comigo. Ele sente que tem. Eu, nem tanto.
- Ahm, como você está? - diz ele massacrando o silêncio.
- Bem... E você? - digo eu.
- Bem, também.
- É... - silêncio. "Que bom saber que você está bem, semana que vem vou praí e queria sair contigo. Queria te ver. Quebrar essas barreiras... Quero conversar contigo mais uma vez... Te ver nos almoços de domingo.", não digo.
- Seu aniversário é semana que vem, não?
- É, sim. - "E queria muito que você aparecesse por lá. Sabe que não ligo pra essa besteira toda. Não quero 'parabéns', quero apenas todos reunidos.", não digo.
- Ah, legal.
- É, é sim... - "E apareça mesmo por lá. Esqueça a bolha, o mundo que você criou, o mundo inexistente em que quer viver. Vamos viver um pouco mais. Temos todos entre 20 e 24 anos, sejamos hedonistas, inconseqüentes, absurdos e irrelevantes. Vivamos nesse mundo inexistente, não noutro. Vivamos no mundo dos finais de semana. Como se não houvesse segunda-feira. Apareça... Por favor", não digo.
Assim, ele desligou. Falamos através do sentimento de obrigação, não por espontaneidade. E tudo o que não disse provavelmente morrerá comigo, pois nosso relacionamento é imaginário. A estória é que é real.
"e essa dor que sara faz viver e acordar pra mim
eu quero ver você dançar
em cima de uma faca molhada de sangue
enfiada no meu coração"
• Si, si, craro:
