Sobre o blog: Devo começar explicando-lhes que isto não é um blog. Não. O Dios Mio!! (com dois pontos de exclamação) é simplesmente o caminho mais fácil até a dominação global que encontrei em anos de assumida megalomania. Minha meta é difundir meus ideais insanos até que toda a sociedade ultra-moderna tenha digerido cada um de meus principios dadaístas. Entretanto, se isto não funcionar, admito me contentar com um prato de torradas com geléia.


Sobre o Autor: O autor deste blog (eu, prazer) é uma pessoa normal, como você ou ele. Exceto por seu terceiro olho e sua incrível capacidade de queimar arroz, claro. Matias Melo Júnior é seu nome, mas, ao que sabemos, prefere ser chamado de Jayme, ou Magnânimo Jayme. Bem, Jayme levava uma vida pacata até atingir a puberdade e pêlos começarem a crescer em lugares inusitados (certa feita encontrou um grande tufo de pêlos crescendo atrás da estante de sua avó). Desde então Jayme nunca foi o mesmo... começou a referir-se a si mesmo na terceira pessoa e a escrever em um blog, aspirando sair do anonimato e/ou ganhar um prato de torradas com geléia.


Sobre Lontras: A lontra (Lutra longicaudis) é um animal mamífero da subfamília Lutrinae, pertencente à ordem carnívora e à família dos mustelídeos. Vive na Europa, Ásia, porção sul da América do Norte e ao longo de toda a América do Sul, incluindo o Brasil e a Argentina. Seu habitat é no litoral ou próximo aos rios onde busca alimentos como peixes, crustáceos, répteis e menos freqüentemente aves e pequenos mamíferos..

A Relação entre Lontras e o Blog: Nenhuma, rá! Bem-vindos ao Dios Mio!!


(Estoy Aquí)
-Dios Mio no Orkut
-El Arlequín
-El Púdin
-Lo Que Mando...


(Concorrentes)
-Ah, É?
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-Blog Zé Dend´água
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-Dilemas de Uma Rosa
-Escuta Só
-História Pra Boi...
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-Mi Casa, Su Casa
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-Secos & Molhados
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-Syl
-Uaaai?!
-Último Momento



(Não Leia)
-Isto Aqui






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SINCE
24/01/2004




Imagens gentilmente surrupiadas de Jay

Blasfemado por Jayme - 26.3.07



Mórbido, eu sei.

Não sei o que escrever. Não tenho a menor idéia de sobre o que escrever. "É obscuro o branco do papel", diria Lourenço Mutarelli. Na cabeça, além do cabelo roxo, só há uma coisa: metadona. Metadona é um estupefaciente utilizado na tentativa de curar viciados em morfina. "Estupefaciente" é uma substância tóxica que atua sobre o sistema nervoso causando dependência. Utilizamos uma substância que causa dependência para curar outra dependência. É como tentar parar de fumar, bebendo café. Mas como estamos falando de morfina, não de cigarrinhos, é como tentar usar uma britadeira no décimo andar de um prédio condenado. Bem, o fato é que eu já escrevi sobre isso antes e não quero escrever novamente. Penso em começar a escrever de maneira diferente. Vou começar pelo epílogo.

Mas sobro o quê? Sobre o que escreveria? Ou devo escrever sob algo? Claro, algo sobre mim. Só escrevo sobre mim... Isso é um tanto ridículo. Política, esportes, cultura. Nada disso é me vem à cabeça quando escrevo. Nada, a não ser eu mesmo. E eu sei o quão egocêntrico isso parece ser. Ou é, de fato. Kundera escreveu algo que me parecia resumir tudo isso. Dizia ele que todos seus personagens são possibilidades suas. Possibilidades que não deram certo, ou deram. Mas não deixavam de ser suas possibilidades. Esse era meu epítome.

Mas um epítome equivocado, creio. Há uma diferença entre absorver suas experiências e transformá-las em escritos e alfarrábios, e escrever sobre sua própria vida o tempo todo. Agora acho que necessito não de um epílogo, nem de um epítome, mas, sim, de um epíteto.

Eu, o egocêntrico. Aí está um bom epíteto. Assim não preciso mais me preocupar sobre o que escrever. O epíteto é auto-explicativo. Basta ler e entender: "ele é egocêntrico demais para escrever novamente sobre metadona". Por isso escrevo, agora, sobre o obscuro branco do papel a que Mutarelli se referiu em "Jesus Kid', e a que eu me referi lá no distante primeiro parágrafo. Se bem que esta frase, "é obscuro o branco do papel", não é um epíteto. Nem um epítome. Nem um epílogo. Parece mais um epitáfio.


Si, si, craro:









Blasfemado por Jayme - 24.3.07



Monólogo a Dois

- Hey, rapaz. Que cara é essa?

- É a vida...

- Xiii... Ela te deu um pé, não foi?

- Não exatamente.

- Ok. E como foi que ela te deu um pé na bunda?

- Nem eu entendi direito. Percebi que estávamos meio distantes e disse que não nos comunicávamos mais. Ela disse "Mas é claro que nos comunicamos! Não quero mais falar sobre isso!". E pronto... Cá estamos.

- É porque mulheres são telepatas. Elas se comunicam sem abrir a boca. Nunca percebeu?

- Não... Mas o pior de tudo foi o final. "Acho que quero ver outras pessoas", ela me disse. Como estávamos numa praça, eu gritei "Ué, é só olhar à sua volta! Tá cheio de gente aqui!". Aí entendi o que ela queria dizer.

- Viu? Você demorou a entender porque ela só dizia isso telepaticamente...

- E ela vivia dizendo que era minha alma gêmea. Que nossos espíritos estavam destinados a se encontrar e aquela besteira toda.

- Talvez ela tenha encontrado outra alma semelhante à dela. Sabe? Uma alma mais alta, mais forte, mais bonita...

- É..

- Ou então ela encontrou um caça-fantasma. Vá saber.


Ps: Eu juro que voltarei a postar algo decente por aqui. Juro.


Si, si, craro:









Blasfemado por Jayme - 21.3.07



E como tudo no mundo muda, o post anterior já não faz mais sentido.

A não ser, é claro, para pontuar uma noite divertida.


Si, si, craro:









Blasfemado por Jayme - 18.3.07



Memórias de Um Porre; Um Porre de Memórias

Acordo com um gosto amargo em minha boca. Cabeça latejando, olhos semicerrados, tudo gira... Olho para o relógio: oito e quinze. Puta merda, oito e quinze... Dormi só três horas... Sofro dessa condição cretina de madrugar apenas nos dias em que posso dormir até tarde. Mas tenho coisas melhores em que pensar... Na ressaca, por exemplo. Realmente não me lembro de ter bebido tanto ontem, mas também não me lembro onde diabo eu enfiei minhas lentes de contato, nem de como cheguei em casa... É, talvez eu tenha bebido muito ontem.

Levanto-me cambaleando e vou até o banheiro. "São Patrício é o caralho..." é o que sai de minha boca, mas tenho certeza de que não sou eu falando. É o cara que bebeu por mim ontem. Esse cara, aliás, fez um bocado de coisas por mim, ontem. Só não agiu quando eu queria que agisse, nem falou quando queria que falasse. E, agora, ele liga o computador e seleciona algumas canções. A vocalista do Hooverphonic começa a pedir dias salgados a Jackie Cane e eu tento assumir o controle de meu corpo, mas tudo dói. Minhas pernas, minhas mãos, meus braços... Porra, até meu cotovelo dói. Constatei que vou me desintegrar com o tempo se esperar que meu corpo acompanhe minha mente.

Assim que o cara que bebeu começa a se retirar, inicio meu processo de conscientização. Frases avulsas, desejos reprimidos, danças estranhas, abraços... Não acredito que fiz tudo aquilo. Aliás, não acredito que não fiz o que deveria ter feito. Começo a me insultar. Sim, eu mereço.

Lembro-me de conversas, de ficar sem fala, de contar piadas (e nisso eu sou bom...), de sorrir, de olhar, de ter me frustrado, de chegar em casa e escrever um e-mail... Putz, eu escrevi um e-mail! E, pior... Enviei-o! Preciso me insultar novamente. Sim, eu mereço. Ah, merda... Eu escrevi um e-mail! Sei que devo tê-la assustado com isso e... Ah, merda, eu escrevi um e-mail.

Se eu puder dar um conselho a você, tal conselho seria: fique longe do computador depois de beber. Mas digo isso porque acho que vai dar merda. Se eu conseguir produzir o efeito contrário mudo o conselho para: escreva o que puder depois de beber! Mas ainda acho que o primeiro conselho sai mais em conta.

A não ser que eu veja o lado bom disso tudo. Consegui escrever um post sobre isso. Um post que provavelmente ninguém vai entender. E também consegui dar um fim à minha apatia. Escrevi um e-mail e disse logo o que pensava. Querendo, ou não, defini um rumo para as coisas... E quem sabe eu possa mudar o tal conselho, não?

Ah, merda... Eu escrevi um e-mail!


Si, si, craro:









Blasfemado por Jayme - 15.3.07



Um Conto Machista Sobre Jonatans

De todos os oxímoros existentes, desde o careca peludo, passando pelo beija-flor alérgico a polem, até o médico com pavor a agulhas, nenhum se compara ao paradoxo que o destino reservou a Jonatans. Vejam bem, Jonatans é cabeleireiro. Cabeleireiro e, ao mesmo tempo, nutre uma paixão platônica por seres humanos do sexo feminino. Sim, Jonatans é um cabeleireiro heterossexual.

Ninguém sabe ao certo quando tudo começou. Talvez tenha sido o impacto de assistir "Edward Mãos de Tesoura" pela primeira vez, ou quem sabe foi o fato de seu pai se chamar Sansão... O que sabemos é que Jonatans adquiriu um gosto incomum por tesouras e salões de beleza. O conflito deste pequeno conto, porém, é simples e um tanto quanto ridículo (sim, estou ciente disso). O problema é que Jonatans, mesmo após começar a usar creme rinse, mesmo depois de fazer sua primeira massagem capilar, nunca deixou de amar as mulheres.

"E o que é que tem?", perguntam vocês... Bem, aí tem muita coisa, meus amigos. Ao completar a Faculdade de Cursos Capilares do Anhangabaú aos 25 anos, por exemplo, Jonatans, ainda não acostumado à sua mais nova condição de cabeleireiro heterossexual, resolve tomar um pileque. Senta-se no balcão, pede uma cerveja (cerveja, pois era hetero. Outros cabeleireiros pediriam um "drink") e eis que, ao longe, avista a mais bela mulher que seus olhos já tiveram o prazer de mirar. Cabelos castanhos, olhos azuis, esbelta, a mulher lhe lança um olhar penetrante e sorri. Jonatans, confiante como qualquer garoto de xampú recém-formado, decide conversar com ela:

- Olá, me chamo Jonatans... - diz ele com um largo sorriso - Mas meus amigos me chamam de Jonatans Emanuel da Costa Pinheiro.

Ela ri e, discretamente, encosta a palma da mão em seu braço. "É hoje", pensa Jonatans. Ela se identifica como Natasha. É modelo internacional, adora futebol, sua comida preferida é o pastel gorduroso do Seu Mané e não entende muito de compras e essas coisas que só as outras mulheres conseguem gostar. O inevitável, então, acontece... Jonatans começa a se apaixonar. Seu sorriso é ébrio e intoxicante. Seu toque é caloroso e suas risadas cativantes. Jonatans acaba de encontrar o paradoxo da companheira perfeita.

Agora, no entanto, devo lembrar-lhes de que este pseudo-conto contém um conflito. Jonatans é heterossexual e cabeleireiro. E é neste exato momento que a pergunta fatídica é posta à mesa:

- Antes de te convidar para o meu apartamento - diz ela - eu queria te perguntar uma coisa... o que você faz?

- Ora - responde ele, confiante como uma mula - Eu acabo de me formar. Sou cabeleireiro!

- Cabeleireiro?

- Isso! Aliás, se você quiser fazer uma escova ou hidratação algum dia desses, deveria ir até o salão onde trabalho...

- Ah, você trabalha num salão?

- Sim.

- Poxa... Desculpa... Eu... Ahm... Bem... Não sabia...

- Não sabia de quê? - pergunta ele, confuso com a reação de Natasha.

- Que você era... bem... "cabeleireiro". Que desperdício...

Assim, Natasha corre para a porta enquanto Jonatans permanece embasbacado com toda a situação. Jonatans é cabeleireiro... e heterossexual.


Si, si, craro:









Blasfemado por Jayme - 9.3.07



Like a Rolling Stone

Há tempos quero escrever sobre as viagens que tenho feito. O problema era saber como. Como dizer e expressar o mínimo do que vejo por aqui? Apelei para Dylan (o Bob), que, por sua vez, me perguntou como é se sentir sem a direção de casa. Como é se sentir como um completo desconhecido, como uma pedra rolante.

Bem, caro Bob, após muito refletir devo dizer que...

Não tenho a menor idéia. É verdade, não sei mesmo. Não sei por que estou tão longe de ser a tal pedra rolante quanto a Gretchen está de deixar de fazer outro filme "adulto". Isso, aliás, talvez seja algo que só Dylan (o Bob, novamente) saiba (e que Mick Jagger finge saber num desses covers mais-ou-menos).

Mas também cheguei à conclusão de que é possível apenas entender tal sentimento. Não sentir, mas entender. Talvez seja como me sinto pequeno toda vez que ponho os pés na rodoviária. Ou talvez seja como reparar que os gringos por aqui só usam havaianas e bermudas. Ou, quem sabe, é como reparar nas pessoas do metrô... No número impressionante de cegos e surdos que freqüentam o lugar; a moça que ouve música, batuca e recebe olhares mal-humorados; o menino cujos tênis piscam a cada passo que dá; o cara vendendo balas; o rapaz que dorme em pé; o casal com alargadores; o cego que tapa a boca ao bocejar; a senhora que lê um volume novíssimo de "365 Objetos que lhe Trarão a Felicidade"...

Pode ser, pode ser... pode ser que sentir-se como Dylan seja perceber que, apesar de estarmos vivendo em uma cidade com 14 milhões de habitantes, a singularidade ainda existe... seja num cego bocejando, num cara vendendo balas, num livro de auto-ajuda ou em minha visão caipira e interiorana das coisas...



How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?



Si, si, craro:









Blasfemado por Jayme - 8.3.07



A Reciprocidade do Mal-Estar

Concluí que quero uma amante que eu não tenha de amar. Quero conhecer sem ser conhecido, decifrar sendo indecifrável. Quero ser alguém sem nome, sem endereço. Sem laço, sem nó.

Quero ser "aquele cara ali", que apenas dança desajeitadamente, sem aspirações, sem metas, sem expectativas, sem esperanças.

Esperar é fenecer. Portanto quero um mundo de surpresas, um mundo inesperado... Um mundo onde minha solidão semanal é recompensada com telefonemas casuais num sábado à noite. Sem perguntas sobre meu estado de espírito ou sobre os espinhos que cultivo. Um mundo em que consigo o que preciso sem ter de me doar por inteiro. Um mundo em que sobro para mim mesmo.


Si, si, craro:









Blasfemado por Jayme - 4.3.07



De minhas paixões avassaladoras só sobram os cabelos caídos ao chão... Sempre.


Si, si, craro: