Jayme: Rapaz de 21 anos, demorou 19 para descobrir o que queria da vida e demorará mais 19 para atingir suas metas. Admirador de filmes estrelando Ursinho Pooh e sua trupe, Jayme gosta de longos passeios na praia e sentar junto à lareira nas noites frias de domingo. Isto é, se em sua cidade houvesse uma praia, se ele não sofresse com o calor de 40ºC durante o verão, e se ele acreditasse em domingos. Mas nem tudo são flores em sua vida, nosso querido rapaz afirma que desgosta de flores, coraçõezinhos, da geração powerpuff e de um bocado de outras coisas. E enquanto está ocupado desgostando de um bocado de coisas por aí, Jayme escreve num blog, ou o que ele pensa ser um blog. Apresento-os, o Dios Mio!!: (aviso: personagens aqui citados que possuam qualquer semelhança com pessoas reais são frutos de horrendas coincidências.)


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SINCE
24/01/2004

|Sábado, Dezembro 30, 2006|



Não escrevo há tanto tempo que cheguei a pensar que tinha perdido o jeito. Se é que já o possui, claro. Não obstante, o ano está se encerrando e achei necessário encerrar, também, meus pensamentos de 2006. Tomemos isso como uma demonstração de ética e bons costumes... Acho que queria apenas listar minhas memórias, não sei ao certo. Mas o fiz mesmo assim, tal qual faço todo ano.

Enfim, de 2006 guardarei recordação de dedos estralados em escadarias e beijos salgados a lágrimas. Lembrarei-me de minha recomposição e do momento em que descobri que me encontrei. E olha que nem sabia que estava perdido. Mas estava. Estava e por isso vou me lembrar das lágrimas, dos gritos e dos sussurros. O que seria de mim sem lágrimas, gritos e sussurros?

Recordarei-me do meu sentimentalismo furado, que adoro negar, mas que existe mesmo assim. Recordarei-me das amizades feitas, das pessoas afastadas, da liberdade desenfreada, das paixões arrebatadas; do par de filmes que assisti 15 vezes (cuja única fala que consegui decorar é "Me sinto como, se alguém me tocar, dissolverei em moléculas"), do riso, da embriaguez, do trabalho, do estudo, da tatuagem, do carro e até de meu pífio natal.

E me flagrei sorrindo enquanto escrevia...

É, foi um bom ano.


dito e feito por Jayme
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|Domingo, Dezembro 24, 2006|



Depois de uma súbita e inesperada mudança de eventos, desejo-os um feliz natal... e aquela balela toda =)

Até mais!


dito e feito por Jayme
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|Quarta-feira, Dezembro 20, 2006|



Pergunta a Caronte

Existem mudanças que se dão sutilmente. Tão sutilmente que o momento exato em que ocorrem chega a ser imperceptível. Só nos damos conta de que mudamos quando nos flagramos mudados. Existe, no entanto, o outro tipo de mudança. Aquela em que sabemos exatamente quando e porque mudamos. E é desse tipo que começo a escrever neste exato momento.

Marcos André Furtado costumava ser três pessoas em uma só. Marcos André para seus colegas universitários, que o diferenciavam de outro Marcos existente na mesma sala, o Marcos Aurélio, que não era imperador, mas possuía o nome mesmo assim; Marquinhos, entre seus familiares, especialmente sua mãe, que insistia no sufixo "inhos"; e Caneleiro, como era chamado por seus companheiros de pelada, graças a sua famigerada habilidade com uma bola de capotão. Marcos André Furtado era, ao mesmo tempo, Marcos André, Marquinhos e Caneleiro. Mas hoje em dia é apenas Marcos. E sabe exatamente quando e porque tal mudança ocorreu.

Marquinhos se via diante de seu primo, Giovanni, quando aconteceu. Uma pergunta o fez mudar... ou melhor, a total incapacidade de responder uma pergunta o fez mudar. Giovanni, rapaz magro, cabelos encaracolados e feição não muito brilhante, perguntara "E por que não?" a um Marcos André ainda embasbacado.

As palavras o atingiram em cheio e tiraram qualquer chance de reação que Caneleiro poderia ter naquele exato momento. O que ele diria? Por que ele o impediria? Por quê? Por que não?

Seus olhos, antes fixos nos olhos de seu primo, bailaram até sua testa, depois rumaram à pistola que segurava, depois desceram... Desceram até seus próprios pés. Marquinhos olhava para seus próprios pés, calçados com tênis outrora brancos, agora vermelhos, quando aconteceu. Quando Marcos André virou Marcos.

Após alguns dias de luto e lágrimas, Marcos foi processado por ser cúmplice em suicídio por inação. Não se sentia assim, claro. Mas o promotor parecia acreditar que tomara parte numa eutanásia às avessas. E, quando foi convidado a depor, Marcos sentiu um impulso de fazer uma simples pergunta: "e por que não?".

"Coisa infernal, matar um homem", diria Clint Eastwood, "você tira dele tudo o que era e tudo o que poderia ser.". Marcos acreditava que a existência deveria ser louvada. Quero dizer, se existimos mesmo sem querer, por que não simplesmente abusar de tal existência e vivenciar a liberdade? Mas existe ato de liberdade maior do que saber exatamente quando encerrar sua passagem pelo plano terreno? E até que ponto a vida é sagrada? Até que ponto a sua vida é algo sagrado para outros?

Marcos nada perguntou à Juíza. Limitou-se a responder "sim" e "não". Mas sabia que a verdadeira resposta era, de fato, outra pergunta. A pergunta que o mudara. "Por que não?"


dito e feito por Jayme
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|Segunda-feira, Dezembro 18, 2006|



Simples soluções
para problemas complexos




Problema 1- Obesidade Infantil:
Solução: Pare de alimentar o moleque...


Problema 2- Emos:
Solução: Dê-lhes auto-estima e espere que se transformem em góticos...


Problema 3- Promiscuidade Adolescente:
Solução: Cinto de castidade...


Problema 4- Torcidas organizadas, o time do Corinthians e Galvão Bueno:
Solução: Armas de destruição em massa...


Problema 5- Solidão Feminina:
Solução: Vá a um bar, suba em uma mesa e grite: "Sou fácil!!!"


dito e feito por Jayme
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|Sexta-feira, Dezembro 15, 2006|



Entre o Impossível e o Improvável

De todas as nuances que possuo, de todas as crenças e tendências que assumo, a mais idiota delas é a de me apaixonar por impossibilidades. Explico: não sou um apaixonado por impossibilidades, não é isso, afinal, nem todas as impossibilidades me atraem. O fato é que sempre que me sinto atraído, me sinto atraído por uma causa impossível. Assim, todos os olhares, sorrisos, jeitos e trejeitos que me atraem são aqueles que não posso ter.

A razão de tal tendência ainda ignoro. Não tenho a menor idéia do porque disso. Talvez porque às vezes descubro que o que era impossível, é apenas improvável (e isso me rendeu algumas historias fantásticas, que espero um dia contar-lhes), tornando, assim, minha satisfação de apaixonar-me ainda maior. Ou talvez eu me apaixone pelo impossível porque é mais fácil e mais cômodo saber que algo não vai dar certo (e isso também me rendeu histórias), então não há nada a arriscar. Bem, não sei... Só sei que assim sou.

A razão para estar escrevendo tudo isso é simples. Acho que me apaixonei de novo pelo impossível... E sei muito bem que é uma dessas paixões. Mas desconfio que parte de mim não se importa, porque assim eu não assumo riscos e, no final das contas, tudo acaba como está (com apenas um ou outro pé na bunda a mais).

Há outra parte de mim, no entanto - a parte que deseja receber de volta os olhares impossivelmente lançados - torce para que o impossível se mostre, novamente, improvável. Pois se improvável for, e não impossível, há ao menos uma chance de conseguir o que desejo. Os olhos claros, a simpatia, as danças, a graça, o sorriso e tudo o que não conheço nela.

Conhecer ou não, no entanto, é apenas uma questão de possibilidade... ou probabilidade...


dito e feito por Jayme
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|Quarta-feira, Dezembro 13, 2006|



Digressão...

Engraçado como as pessoas supõem lhe conhecerem após meia dúzia de conversas casuais. E aí, quando julgam serem amigos próximos, cobram atenção, presença e um bocado de outras coisas que, sinceramente, eu simplesmente não estou a fim de distribuir por aí. Conversamos apenas meia duzia de vezes, pelamordêdeus...

Bem, ok, tudo não passa de uma digressão sem sentido. Eu queria escrever algo, mas estou cansado e sem lá muita inspiração. Meu MSN está desligado (para evitar que pessoas me cobrem e para evitar que me conheçam) e o site do blogger estava entre os favoritos. Assim, por ter saído durante a noite, dormido e acordado ainda meio bêbado, comecei a escrever qualquer coisa que me passe pela cabeça. Mas tenho de tomar extremo cuidado, por estar ainda meio bêbado.

Essa, aliás, é a parte mais perigosa de morar sozinho. Não há ninguém que me impeça de ligar o computador e tagarelar à vontade. Mas não um "à vontade" comum... Um "à vontade" bêbado. Mando scraps, mensagens, comentários... O pacote todo... E o pior mesmo é sair por aí adicionando pessoas no orkut que eu simplesmente não conheço. Ou talvez conheça... Mas tenha conversado apenas meia dúzia de vezes com eles...

Mas talvez seja ainda mais engraçado como supomos que conhecemos alguém após meia dúzia de conversas casuais... E aí cobramos, julgamos e aquela balela toda...

Acho que deveria ter terminado este post dois parágrafos atrás...


dito e feito por Jayme
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|Domingo, Dezembro 10, 2006|



Cidadãos de segunda classe

Desculpe, amigo, mas você não passa de um cidadão de segunda classe.

Se não for de terceira.

De segunda, certamente, se votou para reeleger o presidente da República, a prefeita de São Paulo, que não levou, e o partido do governador do Estado.

Governador que já escolheu o famoso ninguém para o Esporte, como é tradicional, alguém sem nenhuma ligação com a área, apenas um político, de um partideco.

Cidadão de terceira se, além do mais, você for torcedor do Corinthians ou do Palmeiras.

Porque nem os mais elementares de seus direitos como um simples habitante de uma grande cidade são respeitados e você não tem feito rigorosamente nada para mudar tal estado de coisas.

O que permite que se diga que você merece o apagão aéreo, as inundações, a falta de seguranças, a falta de gols (no caso de torcer por um dos times citados) e a miséria que nos cerca.

Você merece ficar duas horas dentro de um carro, blindado, é claro, para ir do centro ao bairro na hora do pico, ou da chuva.

Você colabora, com sua passividade bovina, para as filas intermináveis, o amontoamento de gente (gado?) e a nenhuma informação confiável nos aeroportos, apesar do preço salgado das passagens.

Você que nasceu em berço de ouro, sempre fez todas as refeições, comeu de garfo e faca, foi à escola, particular até o colegial e, quase certamente, à universidade pública, merece, ô se merece.

Porque ninguém se indigna, ninguém nem sequer levanta a voz diante de uma "otoridade".

Não precisa quebrar nada, mas, ao menos, protestar.

Fazer como, por exemplo, fizeram cerca de 50 mil torcedores do Bahia que tomaram a Praça Castro Alves para exigir a renúncia de toda a diretoria do clube. Ou vaiar o cara que você encontra no restaurante.

Lembra do que fizeram os argentinos, não faz muito tempo, quando resolveram dar um basta? Não houve quem esquentasse a cadeira na Casa Rosada.

Mas você, você não. No máximo você diz que o Brasil é uma merda, como se isso fosse novidade.

E o presidente da República diz que a saúde é nota quase dez; o governador fala que o Estado nunca esteve tão seguro, e o prefeito diz que jamais alguém fez tanto pela cidade, que só de piscinões...

Para não falar, é claro, do ministro que garante que o controle aéreo brasileiro é modelar, homem desses que desmoralizam completamente a honestidade. (...)

(...) Desculpe, amigo, mas você de cidadão não tem nada. (...)

(...) Ok, você pode dizer que o mesmo acontece com este que vos escreve, reação boba, mas natural.

Só que, ao menos, o escrevinhador berra, sangra as mãos na ponta da faca, defende-se na justiça dos bandidos que ataca.

E você faz o quê? Conhece o Estatuto do Torcedor, o Código de Proteção ao Consumidor, o Civil, o Penal? Conhece não.

Já leu a Constituição? Seja franco: já leu? Sabe de seus direitos e obrigações? Sabe nada.

Amigo, desculpe, mas você é um cidadão de segunda.

Ou de terceira.

Juca Kfouri


dito e feito por Jayme
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|Sábado, Dezembro 09, 2006|



Dez (10) conclusões tiradas após oito (8) meses de convívio solitário:

1- A casa não se limpa sozinha.

2- Meu vizinho, além de ser um tanto depravado, chegou à conclusão de que ninguém se importa se ele decide martelar um prego durante a madrugada de terça-feira.

3- A comida não se cozinha sozinha.

4- Eu posso assistir qualquer tranqueira e ninguém pede para mudar o canal.

5- Eu posso comer qualquer tranqueira e ninguém pede um pedaço.

6- Eu só como tranqueira.

7- Preciso comprar um guarda-chuva.

8- Hmm... ok, vocês não querem saber qual é a oitava conclusão.

9- Paredes em prédios costumam ser finas. Finas demais.

10- A casa realmente não se limpa sozinha.


dito e feito por Jayme
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|Terça-feira, Dezembro 05, 2006|



"Um é bem forte; dois é franzino...
três é garota; quatro, um menino...
cinco é de prata; seis é dourado...
sete é um segredo, nunca revalado."



dito e feito por Jayme
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