Jayme: Rapaz de 21 anos, demorou 19 para descobrir o que queria da vida e demorará mais 19 para atingir suas metas. Admirador de filmes estrelando Ursinho Pooh e sua trupe, Jayme gosta de longos passeios na praia e sentar junto à lareira nas noites frias de domingo. Isto é, se em sua cidade houvesse uma praia, se ele não sofresse com o calor de 40ºC durante o verão, e se ele acreditasse em domingos. Mas nem tudo são flores em sua vida, nosso querido rapaz afirma que desgosta de flores, coraçõezinhos, da geração powerpuff e de um bocado de outras coisas. E enquanto está ocupado desgostando de um bocado de coisas por aí, Jayme escreve num blog, ou o que ele pensa ser um blog. Apresento-os, o Dios Mio!!: (aviso: personagens aqui citados que possuam qualquer semelhança com pessoas reais são frutos de horrendas coincidências.)


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24/01/2004

|Quinta-feira, Novembro 30, 2006|



Insônia e o Buraco no Universo

- Alô, assistência técnica? - perguntou Jarbas, afoito, quando percebeu que sua ligação fora completada.

- Sim!? - respondeu a pessoa ao outro lado da linha.

- Olha, ahm... - voltou a dizer Jarbas, procurando palavras para se expressar - Bem, desculpe, mas estou procurando palavras para me expressar. - como podem ver, eu já tinha adiantado isso.

- Tudo bem, basta estar me dizendo qual é o problema. - disse o assistente em tom afável.

- Bem, tem um... ahm... "buraco" na minha geladeira. - respondeu Jarbas.

- Buraco?

- Sim, mas não qualquer buraco. Eu abri a geladeira há uns 15 minutos e havia uma fenda no espaço-tempo lá...

- Uma fenda no espaço-tempo? - perguntou o homem.

- Sim, uma fenda no espaço-tempo. - confirmou Jarbas.

- E de que tipo é?

- Como assim "de que tipo é?" ? - Jarbas começava a indignar-se com o sujeito - Olha, estou começando a me indignar...

- Bem, acalme-se. O quero dizer é que existem inúmeros tipos de fendas no espaço-tempo diferentes. Existem as triangulares, as octogonais... Algumas aparecem até como um grande vórtex. - explicou o sujeito.

- "Vórtex"?

- Isso, "vórtex", ou "vórtice", é um escoamento turbulento giratório onde as linhas de corrente apresentam um padrão circular ou espiral. São movimentos espirais ao redor de um centro de rotação. Essas fendas costumam "sugar" todo corpo com massa inferior a 2 kg existente no cômodo em que surgem.

- É, é isso mesmo! É um vórtomox! Ele sugou meu gato!

- Seu gato?

- Sim, o Sr. Pantufas!

- Sr. o quê?

- Pantufas! Pan-tu-fas!

- Que raio de nome é esse?

- Vem cá, dá pra dizer logo o que diabo eu devo fazer?

- Claro, você tem um pouco de tofu aí?

- Tofu? - perguntou Jarbas enquanto tentava se recordar de quais queijos comprara no dia anterior - Tenho, mas estava dentro da geladeira...

- Xi...

- Mas eu tenho algumas sardinhas aqui...

- Ok, dá para estar fazendo um macarrão com sardinhas delicioso...

- Mas como isso vai me ajudar a fechar o buraco?

- Ah, você quer fechar o buraco? Pensei que quisesse apenas algo para fazer no meio da noite...

Jarbas permaneceu em silêncio por alguns minutos, tentando conter o ímpeto de dirigir até o outro lado da cidade e surrar metade do departamento de assistência técnica daquela empresa. Empresa tal que chamarei apenas de "daquela empresa" por motivos de força maior, tais como royalties e merchandising indevido.

- Bem, se fosse um buraco octogonal poderíamos simplesmente ignora-lo. No caso de um triangular, bastaria colar um pedaço de chiclete ao fundo de sua geladeira... Mas como é um vórtex, teremos de enviar um técnico até sua residência.

- Ok, vai me custar?

- Uhum...

- Certo - resmungou Jarbas - E quando ele vem?

- Deixe-me ver - disse o assistente e digitou algo durante 15 minutos, quando finalmente voltou a falar - Olha, pedimos que o senhor aguarde em sua residência, pois estaremos mandando um técnico entre o dia de amanhã e a páscoa do ano seguinte.

- Como é? Eu tenho de esperar tudo isso???

- Infelizmente sim. Problemas de fendas no espaço-tempo em refrigeradores "daquela empresa" são comuns, hoje em dia. Por isso receio estarmos enviando todos nossos técnicos a outras residências neste exato momento. Mas assim que um deles estiver terminando seu trabalho, estarei enviando-o à sua casa. Isso é, se o senhor ainda estiver colaborando...

- Put* merda! - disse Jarbas.

- Como é? - perguntou o assistente.

- Desculpe, o escritor colocou um asterisco no meio do meu palavrão, eu disse: Puta merda!

- Ah, sim... Estamos recebendo muitos asteriscos e palavrões como esses hoje em dia.

- Olha, esquece que eu liguei, ok? Eu vou comprar outro gato e outra geladeira...

- Tem certeza que não prefere estar esperando pelo técnico?

- Tenho! - disse Jarbas ao desligar.

Jarbas, porém, esquecera que seu emprego como consultor de passadeiras não pagaria outra geladeira. Assim, quando se lembrou deste triste e singular fato, teve de se habituar a ter uma fenda no espaço-tempo dentro de seu refrigerador. Habituação nada difícil devo acrescentar. O problema mesmo era descobrir por que diabos seu leite amanhecia azedo. Mas aí é outra história...


dito e feito por Jayme
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|Sexta-feira, Novembro 24, 2006|



Sabem, tenho tentado escrever sobre um bocado de coisas ultimamente. Inspiração não me falta. Escrevo sobre coisas cretinas, e idéias cretinas sempre foram o meu forte. Quero, por exemplo, escrever sobre homens e meninos, o que (n)os separa; também sobre a morte ser o preço da vida, acrescentando valor a ela, caso contrário a vida não passaria de uma doença sexualmente transmissível sem cura aparente; quero escrever sobre alma, sobre conclusões precipitadas, sobre amizades, sobre mulheres e suas sandices, sobre queijo e sobre um homem que encontra uma fenda no espaço-tempo em sua própria geladeira.

Quero, mas talvez seja melhor reconjugar o verbo e dizer: Queria. "Queria" porque tenho tentado escrever sobre tudo isso, como disse anteriormente (ali no primeiro parágrafo, caso você não se recorde). Tentado, mas sem sucesso. Não que eu tenha fracassado... mas também não obtive sucesso. Ainda.

A razão de meu insucesso, aliás, é simples: não encontro as palavras de que necessito para escrever o que quero dizer. Ou seria dizer o que quero escrever?

Não importa. O fato é que não as encontro na maioria das vezes que as procuro. E, quando as acho, vejo que elas escorrem como mercúrio escorreria por entre minhas mãos. Passam através das fendas de meus dedos e caem num grande ralo, e...

Opa, achei...

Esqueçam tudo o que eu disse.


dito e feito por Jayme
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|Sábado, Novembro 18, 2006|



De: Carolina Marten
Para: Márcio

Olá,

Desculpe aparecer assim, sem mais nem menos, após tanto tempo.

O negócio é que preciso daquele livro que te dei há uns dois anos. Então, se você puder devolve-lo, serei muito grata.

Um abraço,
Carol


De: Márcio
Para: Carolina Marten

Olá para você também,

Não é necessário pedir desculpas, você sabe disso. Vinha mesmo pensando em você ultimamente e vejo que seu jeito adorável de ser ainda não mudou.

É claro que posso devolver o livro que você me deu em nosso primeiro aniversário de namoro, porque não?

Aliás, o fato é que eu mesmo gostaria de pedir-lhe algumas coisas de volta. Coisas como o anel que lhe entreguei certa vez e aquele colar (eu menti, aliás... comprei aquilo num brechó) também.

Mas não quero me prender às coisas materiais. Seria mesquinho demais de minha parte. Assim, se for possível, me devolva todo o tempo que desperdicei em você. As horas escrevendo cartas, os dias de conversa e até os meses que passei a lhe cultuar. Todo esse tempo seria graciosamente bem-vindo e muitíssimo bem aproveitado se você apenas o devolvesse.

Que tal, temos um acordo?

Beijos e abraços,
Márcio.


De: Carolina Marten
Para: Márcio

Ok, fique com essa merda de livro!



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|Domingo, Novembro 12, 2006|



Monólogo a Dois

- Cara, foi você quem quebrou meu discman?

- Hm? Quebrei o quê?

- Meu discman. Amanheceu quebrado. Foi você?

- Olha, eu só sei que vivemos sob o regime de uma cultura de vitimização. Não podemos ser plenamente responsabilizados por supostos erros porque somos todos vítimas de erros maiores. Eu, por exemplo, sou filho de pais divorciados, tendo sofrido com um longo e duro processo de separação; não consigo me manter feliz porque não sei ao certo diferenciar momentos de alegria e a real felicidade, graças a novelas, a canções melosas e ao cinema, que me bombardearam com a idéia de que a felicidade deve ser plena e constante para ser manter verdadeira; minha alimentação é péssima, dado o número absurdo de comerciais de refrigerantes e sanduíches que vejo espalhados por aí; e tenho medo de sair nas ruas porque vi telejornais demais e fui possuído pela cultura do medo. Sou uma vítima. Portanto meu niilismo inconseqüente deve ser perdoado.

- Você quebrou, não foi?

- Sim, mas não é culpa minha!!!


dito e feito por Jayme
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|Terça-feira, Novembro 07, 2006|



Alice

Alice suspirou, entediada. "Acho que vocês podem fazer alguma coisa melhor com o tempo", disse, "do que gastá-lo com adivinhações que não têm resposta."

"Se você conhecesse o Tempo tão bem quanto eu", disse o Chapeleiro, falaria dele com mais respeito!"

"não sei o que quer dizer", disse Alice.

"Claro que não!", desdenhou o Chapeleiro, jogando a cabeça para trás. "Atrevo-me a dizer que você nunca chegou a falar com o Tempo!"

"Talvez não", respondeu Alice, cautelosa; "mas sei que tenho de bater o tempo quando estudo música."

"Ah! Isso explica tudo", disse o Chapeleiro. "Ele não suporta apanhar. Mas, se você e ele vivessem em boa paz, ele faria praticamente tudo o que você quisesse com o relógio. Por exemplo, suponha que fossem nove horas da manhã, hora de estudar as lições; bastaria um cochicho para o Tempo, e o relógio giraria num piscar de olhos! Uma e meia, hora do jantar!"

"Seria formidável, sem dúvida", disse Alice, pensativa. "Mas nesse caso eu não estaria com fome, não é?"

"Não a princípio, talvez", disse o Chapeleiro; "mas você poderia mantê-lo em uma e meia até quando quisesse."

"É assim que você faz?", perguntou Alice.

O Chapeleiro sacudiu a cabeça, pesaroso. "Eu não", respondeu. "Brigamos em março passado..."


dito e feito por Jayme
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|Sábado, Novembro 04, 2006|



Umas e outras dicas sensacionais, incríveis e estupendas para passar com inimaginável facilidade no vestibular.
- Vol II


Item 1- Pois bem, agora a prova já se iniciou e devemos continuar a eliminar a concorrência. Faça sua prova calmamente e espere até que todos estejam concentrados em suas respectivas provas. Aí, pegue seu saco de Ruffles e coloque-o sobre a carteira. Observe-o atentamente, como se estivesse intrigado por algo, como se não soubesse como abri-lo. Assim, após alguns instantes, tente abri-lo pelo lado, sem puxar as bordas. Isso provará que o saco de Ruffles faz muito, muito barulho. Acabe por abrir o saco com os dentes e, uma vez aberto, resgate uma porção de 3 ou 4 batatas de uma só vez e enfie-as em sua boca. Sempre é bom lembrar que, num vestibular, o correto é mastigar com a boca aberta.

Item 2- Agora que você comeu um saco inteiro de ruffles é muito provável que você esteja com sede, não? Pois bem, é por isso que a água com gás está aí. Aliás, é por isso que suas 2 garrafas estão aí. Abra a primeira garrafa e se deleite com o ''TSSSSSSS'' que ecoará pela sala. Beba um gole e feche a garrafa. Abra-a e repita o procedimento até que você esteja satisfeito com o barulho ou até que o japonês sentado ao seu lado comece a te enviar olhares psicopatas. Se você ainda não estiver satisfeito e o japonês ainda não percebeu sua presença, faça o mesmo com sua segunda garrafa, certificando-se que, durante os últimos goles, ela acidentalmente caia e role até o bocó mais próximo de você.

Item 3- Agora você provavelmente sente uma vontade tremenda de visitar nosso amigo W.C., pois então, não passe vontade, estique o braço e diga: ''Bixo, posso ir ao banheiro?'' e quando o fiscal mal-humorado deixar, lembre-se de tropeçar em uma ou duas pessoas que acham que o corredor das fileiras é um lugar apropriado para esticar as pernas.

Item 4- Pois bem, agora que você já torturou seus concorrentes com barulhos gastronômicos ensurdecedores, é hora de enojá-los de vez. Abra sua fanta-uva, que numa hora dessas já deve estar mais do que quente, e beba-a em três rápidos goles. Isso fará com que seu estomago ribombe e se contorça, provocando arrotos inimaginavelmente bizarros. Funciona até melhor se você for mulher, já que mulher é um ser que aparentemente não emite gases, o que torna o processo mais nojento (e, convenhamos, engraçado).

Item 5- Agora que você torturou-os, ensurdeceu-os, enojou-os, amedrontou-os, e tudo o mais, deve faltar uns 10 minutos até o horário de entrega da prova, e, como você passou esse tempo todo fazendo gracinha, provavelmente não teve tempo nem de olhar a parte destinada à matemática. Pois bem, pegue o gabarito e marque alternadamente as alternativas ''C'' e ''D''. Não há como errar. ''C'' de Cristo e ''D'' de Deus, é o poder da fé na prova do vestibular.

Item 6- Evite conferir sua prova com a de outras pessoas. Isso pode causar vergonha e, em alguns casos, suicídio. Mas não se preocupe, as '' dicas sensacionais, incríveis e estupendas para passar com inimaginável facilidade no vestibular'' são infalíveis.


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|Sexta-feira, Novembro 03, 2006|



Salvem, meus pneumáticos leitores. Como vão vocês, felizes?

Bem, hoje é um dia atípico. Não que haja qualquer motivo especial que o torne atípico. Eu apenas acordei com ressaca e pensei com meus botões: "Hoje é um dia atípico.". E, por ser um dia atípico, resolvi republicar aqui, neste longevo blog algo que apareceu aqui há cerca de 2 anos.

Assim, como sei que o número de pessoas que me lêem se renova a cada ano, ou pouco mais que isso, e que a maioria de vocês não checa os arquivos (por sorte...), e que a temporada de vestibulares está a chegar, apresento-os:

Umas e outras dicas sensacionais, incríveis e estupendas para passar com inimaginável facilidade no vestibular. - Vol I

Item 1- Certifique-se de possuir os seguintes itens em sua mochila/sacola/sei-lá-o-que-você-usa-para-carregar-suas-coisas:

- Um ou dois sacos de Ruffles

- Duas garrafas de água com gás

- Um saquinho de amendoins

- Uma lata de Fanta Uva


Item 2- Fique coçando pelos corredores e espere até que falte, exatamente,10 minutos para o início da prova e entre na sala. Ao entrar, lembre-se de cumprimentar os fiscais simpaticamente, como se já os conhecesse há tempos. Assim, outros concorrentes lunáticos (como qualquer vestibulando é) pensarão: ''Danou-se! Ele/a conhece os fiscais. Vai ganhar moleza".

Item 3- Ao sentar-se, certifique-se de que sua cadeira é realmente sólida o bastante para que você faça sua prova. Mova-se para os lados, dê uma baita espreguiçada e coisa e tal. Se a cadeira ranger, peça para um fiscal a trocá-la, lembrando-se de chamá-lo de ''Meu Chapa'' durante o processo.

Item 4- Assim que conseguir outra cadeira, que vai ranger da mesma maneira, mas isto não importa, deite-se e finja que está dormindo até que a prova seja entregue. O objetivo aqui é fingir que está completamente relaxado, logo, se você soltar um fio de baba, que escorra pelo queixo, ganhará alguns pontos adicionais.

Item 5- Assim que as provas forem entregues, folheie a sua de cima a baixo, fazendo bastante barulho, como se fosse um jornal que você não consegue dobrar. Logo que terminar de folhear, levante sua mão direita e pergunte em alto e bom som: ''Preciso esperar DUAS horas pra entregar essa provinha?!?!?''.

Item 6- Pois bem, agora você massacrou seus adversários psicologicamente, já que os mesmos estão achando que você conhece os fiscais, está extremamente relaxado e sabe tudo que cai na prova (ou simplesmente estão te achando um puta dum chato), é hora de torturá-los com seus apetrechos alimentares...

Continua...




dito e feito por Jayme
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