Jayme: Rapaz de 21 anos, demorou 19 para descobrir o que queria da vida e demorará mais
19 para atingir suas metas. Admirador de filmes estrelando Ursinho Pooh e sua trupe, Jayme gosta de longos passeios na praia
e sentar junto à lareira nas noites frias de domingo. Isto é, se em sua cidade houvesse uma praia, se ele não sofresse com o calor
de 40ºC durante o verão, e se ele acreditasse em domingos. Mas nem tudo são flores em sua vida, nosso querido rapaz afirma que desgosta de
flores, coraçõezinhos, da geração powerpuff e de um bocado de outras coisas. E enquanto está ocupado desgostando de um bocado de coisas por aí, Jayme
escreve num blog, ou o que ele pensa ser um blog. Apresento-os, o Dios Mio!!: (aviso: personagens aqui citados que possuam qualquer
semelhança com pessoas reais são frutos de horrendas coincidências.)

Coragem Adquirida, Medo Evolutivo
Ao procurar por "coragem" no dicionário me deparo com:
Coragem s. f., firmeza de espírito, energia diante do perigo; intrepidez; ânimo; valentia; perseverança.
"firmeza de espírito, energia diante do perigo", notem. Em minha concepção, no entanto, eu colocaria como postar-se ante o medo. Não do perigo, mas do medo. Porque se você não tem medo, não tem coragem, e se tem coragem é porque há medo envolto ao objetivo a ser conquistado.
Agora, é aí que começo a construir meu ponto. Se simplesmente não tememos algo, não há coragem? Quero dizer, se você faz algo que temia há muito, algo de que tinha pavor, mas algo que hoje passou a ser considerado normal por você mesmo, existe coragem em tal ato? Se você superou o medo sem querer, foi bravo o suficiente para vencê-lo? Ou simplesmente o ultrapassou sem ligar?
Estranho, pois algo semelhante aconteceu comigo. E disso só me dei conta há pouco, depois de que tudo já havia passado.
Vivi intensamente coisas demais (experiências, chiliques e coisas do gênero) e me esqueci de que havia o medo, de que havia o pavor. Aí, quando me dei conta, o medo já não estava mais lá... E eu já tinha feito tudo aquilo de que tinha pavor anteriormente. Não que tenha, de fato, existido coragem em tal ato... Mas houve evolução.
Evoluir, aliás, não é um verbo positivo. Evoluir é mudar. Há quem (ou o que) evolua para o pior. Há quem (ou o que) evolua para melhor. As coisas apenas evoluem... Sem moralismos. A minha evolução parece ter sido assim... Apenas aconteceu. Apareceu lá, como uma olheira ou como a barba de um dia para o outro. É como tansusbstanciar-se... Mudar de uma substância para outra... Mas espontaneamente.
E agora que me vejo evoluído, para bem ou para mal, acho interessante. Acho interessante como viver certas coisas não é mais pesado... Nem requer esforço... Apenas vivo. E ponto. Vivo tal como evoluo. E o mais engraçado é que de tudo isso, do novo eu e do velho mim, sobrou-me apenas um punhado de memórias... Um punhado de memórias para me recordar da evolução e um pirulito de coração, para me lembrar de experiências vividas...
E juro que este foi meu último post sentimentalóide... Pelo menos durante esta semana.
dito e feito por Jayme
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Hoje consegui algo que realmente queria. Queria para mim mesmo. Ansiava como realização pessoal. Queria para poder dar fim a uma fase ruim. Mesmo sabendo que não é grande coisa, e que milhões de pessoas já passaram por lá e não chegaram a lugar algum, e que há enorme chance do mesmo acontecer comigo, eu queria.
E de tanto eu querer muitas pessoas tomaram como sendo delas a tal busca. E, assim que consegui, parecem ter pensado que a conquista também era delas. Mas não era, era minha. É minha. E um dos poucos que sabe que o desejo e a conquista são meus é ele.
Ele, de quem não herdei a cor dos cabelos, nem a cor dos olhos. De quem não puxei o jeito de andar, ou o gosto musical. De quem não tenho a sabedoria ou a sensatez. Ele, de quem não herdei a paciência, a modéstia ou a capacidade de compreensão, parece entender... E a felicidade genuína que ouço em sua voz quando dou-lhe a notícia me comove. Porque ele está feliz pela minha conquista. E isso ele demonstra.
Demonstra apesar de nossa inabilidade de mostrar o que sentimos (note que "inabilidade" é diferente de "incapacidade") uns pelos outros. E demonstra apesar de eu nunca me sentir parte operante da família que compomos. Não que eu me sinta parte operante de qualquer grupo de que eu "faça" parte. Não que eu precise de carinho e afago para me sentir parte disso ou daquilo... Longe disso... Mas tal demonstração já é o bastante para que eu conteste tal fato...
Enfim, só queria agradecer... Pela nossa conquista.
dito e feito por Jayme
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Diagramação de Sentidos
Ansiedade: s.f., dificuldade de respiração; opressão; angústia; inquietação de espírito; desejo veemente; impaciência.
Neurose: s. f., perturbação mental ou emocional, cujos sintomas se manifestam por um comportamento obsessivo, tal como raiva excessiva, medo, ansiedade ou ódio sem razão aparente.
Saudade: s. f., lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir; pesar pela ausência de alguém que nos é querido; nostalgia; Bot., nome de várias plantas dipsacáceas e das respectivas flores.
Ceeeerto...
dito e feito por Jayme
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Trabalhando em Locadoras
Parte II
situação 1:
[tia do perfume] - Olha, aqui estão os filmes que eu tinha de ter entregado ontem. Não consegui trazer no prazo...
[eu] - Tudo bem, só vou ter de cobrar um pouco a mais, ok?
[tia do perfume] - Ok. Hey, você gosta de perfumes? Gosta ou se interessa por comprar perfumes?
[eu] - Ahm... Não exatamente...
[tia do perfume] - Ah, não custa nada, vai (a não ser o que ela me cobraria pelos perfumes, claro). Cheire esse daqui...
[eu] - Mas... Eu...
[tia do perfume] - Tem este aqui também. E este. E este.
[eu] - Er...
[tia do perfume] - Vai, cheira!
[eu] - Hm, ok... (pego um frasco e cheiro-o). Hm, bacana...
[tia do perfume] - Pfff, já vi que você não entende nada de perfume...
[eu] - É... Eu bem disse que...
[tia do perfume] - Não é pra cheirar o frasco. É assim, você tem de passar um pouco na pele pra sentir o cheiro. (pega meu braço e espalha um bocado de perfume). Agora vai, cheira!
[eu] - Hm, bacana...
[tia do perfume] - Tem esse daqui também. (espalha outro perfume em meu braço). E esse. E esse.
[eu] - Legal... Mas eu realmente não estou tão interessado...
[tia do perfume] - Fica pra próxima, né? Tudo bem. Tchau!
[eu] - É... Tchau...
situação 2:
[rapaz] - Graaande Jayme! Tudo bom? Tem aí o novo do The Rock?
[eu] - Tenho sim, cara. Deixa eu pegar pra você.
[rapaz] - Ok..
[eu] - Pronto, tás em mãos.
[rapaz] - Opa, valeu. Mas, hã... Posso fazer uma pergunta?
[eu] - Ué... Manda!
[rapaz] - Por que diabo você tá usando tanto perfume assim?!?
dito e feito por Jayme
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Imagino que perdi o passo há algum tempo. Aliás, agora que paro e penso, chego à conclusão de que nunca acompanhei passo algum. Imagino que eu ande centenas de páginas a frente de algumas pessoas... ou milhares de páginas atrás delas (a essa conclusão eu ainda estou longe de chegar). Patético inveterado, brega, idealista, chame do que quiser. Todos esses nomes se unem em um único ponto em comum. O ponto ue me define e que me coloca no aqui. Aqui, onde eu estou. E não ali, centenas de páginas a frente ou milhares de páginas atrás.
Fato é que ainda me é estranho. Sei, sim, que não deveria ser. Que pessoas coexistem com isso há décadas, quiçá séculos. Mas ainda assim me é estranho. Me é estranho lidar com existências que inexistem, com frases que não são ditas, com sorrisos que não são sorridos, com pensamentos que não são pensados, com fins que sempre vão acabar onde começaram. E, acreditem, quando digo "estranho" eu quero dizer "estranho". Estranho porque é efêmero, porque é raso e, principalmente, porque sinto que somos todos emoções passageiras desta forma.
Não, não precisa ler mais uma vez. Eu realmente escrevi "emoções passageiras". Porque é o que acabamos por ser, não? Eu, você, ele, ela. Todos emoções passageiras, que vêm... Ficam por um tempo... E voltam (para onde sabe-se lá quem sabe). Acabamos por ser sentimentos fugazes, que buscam outros sentimentos (ainda mais fugazes) para satisfazer nosso imediatismo. Para satisfazer esse desejo de sentir qualquer coisa que seja.
E agora creio que realmente perdi o passo. Pois em nada me agrada ter emoções passageiras. Muito menos em ser uma delas. Pois estou em uma página diferente... Bem diferente desta página normal, em que todos coexistem com sentimentos velozes. E...
E...
E...
Enfim... eu deveria estar estudando...
dito e feito por Jayme
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Intermitência
- Você vai?
- Não sei, acho que sim.
- Como "acho"? Pensei que já tivesse certeza.
- É que as coisas não são tão simples assim. Digo, são bem simples, na verdade... ou vou, ou não vou. Mas não é tão simples assim... entende?
- Entendo... Afinal, de que você tem medo?
- Não é medo. Tenho, digamos, "receio". Tenho receio de perder minha identidade... é algo tão grande, tão magnânimo... E minha identidade não parece ser capaz de enfrentar tudo isso. Tenho receio de não saber quem sou, quando lá estiver.
- Entendo.
- Agora que eu paro e penso, me pergunto, como é que você conseguiu ir até lá?
- Bem, eu só fui...
- E sua identidade? E você? Como encarou tudo aquilo? Como ficou bem diante de tudo?
- Não fui tão bem assim. Afinal eu estou aqui mais uma vez. Eu acabei voltando, não foi?
- É, mas mesmo para voltar... Mesmo para voltar você precisou de um bocado. Se você diz que não foi capaz de ficar por lá, como diabo simplesmente conseguiu voltar?
- Eu simplesmente voltei. Fui e, puf, voltei.
- Certo, mas como? Preciso saber pelo menos isso!
- Bem, para isso creio que você precise ir.
- Como é?
- Para descobrir como voltar. Primeiro você precisa ir. Não?
- É...
dito e feito por Jayme
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A Grande Parada de Pacotes Sem Vida
Árdua é a batalha de quem luta por si mesmo. Por momentos de clareza pessoal, por conhecimento d'alma. A busca é nefasta, sanguinolenta, até. E por isso Ele desistiu da procura.
Sim, chamá-lo-ei por pronomes, pois de seus nomes Ele também desistiu, e todos sabemos que quando desistimos de nossos nomes só há dois caminhos possíveis de serem trilhados. O caminho do conhecimento, e da autoconfiança para ser "Ele" e mesmo assim não perder a identidade; ou o caminho dos números, o da anti-identdidade. E foi por este que Ele optou.
Ele viajou a terras distantes e assim que encontrou o chão polido do moderno corredor vazio, parou e observou a velha mulher sentada à mesa da recepção. Ela gritava: "Esta é a Grande Parada de Pacotes Sem Vida, aqueles que você verá estão todos inclusos em nossos serviços. Exceto por uma pequena quantidade de nossos novos produtos, na segunda galeria.". Assim, Ele pegou uma senha e esperou que o chamassem.
774...
775...
776...
777, enfim seu número foi berrado pela mulher e os portões se abriram, tal como faziam toda vez que outro número era chamado.
Ele entrou, passadas curtas, costas eretas e olhar baixo. Ouviu novas instruções da velha mulher que se aproximara e passou a observar as paredes.
Em seus fixos muros a fábrica apresentava corpos mergulhados em algum tipo de líquido viscoso, dentro de grandes containeres individuais feitos de vidro. Corpos altos ou baixos; gordos ou magros; finos ou volumosos; belos ou abissais; até mesmo corpos sisudos ou alegres.
- Esses são nossos modelos - disse a velha.
- E o que vocês farão com meu atual corpo? - perguntou Ele.
- Vai para outro casulo - disse ela, apontando para um container vazio - para outro "sem-nome" escolher.
- Duvido que alguém queira o meu. - disse Ele.
- É o que todos dizem.
Ele olhou mais uma vez à sua volta e percebeu que ao pé de cada um daqueles casulos havia uma pequena placa de identificação. Aproximou-se de um deles e leu "Rael".
- Alguns têm de ser "convencidos" a trocar de "pacote" - explicou a velha - Mas aí nunca os convencemos a deixar seus nomes para trás.
Ele deu de ombros e aproximou-se de outro casulo. Um que lhe chamara a atenção. "55764-B" era o que dizia a placa. "Ótimo", pensou, "não quero ninguém que já tenha um nome..."
Apontou para a placa e olhou para a mulher. Ela fez um gesto com as mãos, concordando, e, num instante, Ele, que desistiu de seus outros nomes, tornou-se 55764-B
55764-B saiu da fábrica, contente com seu novo "eu" e voltou ao mundo real após curta peregrinação. Adotou o nome de Tadeu, virou dentista, casou-se e teve três filhos no casamento e um fora dele, com uma garota 15 anos mais nova que ele.
E nunca mais teve de se perguntar quem era, pois sabia que se procurasse bem, e bem de perto, encontraria uma pequena placa de identificação presa a seu corpo.
dito e feito por Jayme
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Cerca de oito horas dentro de um carro moendo pensamentos me fazem pensar em:
Surrealismo:
Segundo os surrealistas, a arte deve se libertar das exigências da lógica e da razão e ir além da consciência quotidiana, expressando o inconsciente e os sonhos.
Entenderam?
dito e feito por Jayme
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Ode ao que não tenho
Eis um texto à auto-confiança.
Eis um texto ao pudor, quando bêbado.
Eis um texto à solidão, recheada de inimizades.
Eis um texto a maquinização do ser,
À troca do "sentir" pelo "refletir".
Eis um texto à idéia do que ela pensa.
Eis um texto aos corações quebrados e partidos.
Eis um texto aos sorrisos nunca encontrados.
Eis um texto ao vôo cauteloso,
ao medo, ao desconhecimento.
Eis um texto a tudo que não tenho
E a tudo que não sou.
Eis um texto como qualquer outro.
Exceto pelo que ele não é; ou é, mas deixa de ser.
dito e feito por Jayme
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Arizona, 1895
Arizona, 1895. Madman Billy, também conhecido como o Cachorro Sanguinolento, aproxima-se da fronteira de Nevada, acompanhado de Sancho, um mexicano que definitivamente não era amigo de Madman Billy, pois este não possuía amigos.
Billy subitamente faz seu cavalo parar com um seco peteleco de suas esporas, risca um fósforo em sua cela e com ele acende um charuto.
- Nos separamos aqui, Sancho. - diz ele tragando seu charuto e com os olhos fixos na acidentada geografia que o horizonte revelava.
- Pero... Pero Señor... - tenta retrucar Sancho, sem encontrar as palavras certas, no entanto. Possivelmente graças ao fato de Sancho não falar inglês.
- Não discuta, Sancho - disse Madman Billy, soprando fumaça como uma chaminé - Só quero que faça algo por mim. Se eu não voltar, diga à Rosie que sempre a amarei.
Sancho enxugou com a ponta de seu poncho algumas lágrimas que rolavam sobre suas bochechas e respondeu:
- Sí... sí señor - e após uma pequena pausa - Y lo que devo dizer a Cassandra?
- Diga que sempre a amarei. - respondeu Madman Billy, desta vez apagando o charuto com suas mãos nuas - E que não faço idéia de quem diabo é essa tal de "Rosie".
- Sí, sí. Y a Carrie?
- Diga o mesmo...
- Y Amie?
- O mesmo, Sancho! O mesmo!
- Sí... y Jane?
- Droga, Sancho, aqueles índios não vão esperar o dia todo! Apenas diga que eu saí numa longa, longa viagem, ok?
- Sí, señor.
E assim partiu Madman Billy. Partiu para nunca mais voltar, foi o que alguns disseram.
Mas é claro que no mínimo duas dúzias de homens enterrados a sete palmos do chão a partir daquele dia discordam firmemente de tal errônea afirmação.
dito e feito por Jayme
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"(...) Há rostos muito, para pessoas pouco.
Há rostos pouco, para pessoas muito.
Há pessoas muito, em rostos medianos.
Há rostos deslumbrantes, para pessoas aquém.
Rostos muito, para pessoas muito, são raríssimos.
Há, porém, rostos tudo."
dito e feito por Jayme
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