Jayme: Rapaz de 21 anos, demorou 19 para descobrir o que queria da vida e demorará mais 19 para atingir suas metas. Admirador de filmes estrelando Ursinho Pooh e sua trupe, Jayme gosta de longos passeios na praia e sentar junto à lareira nas noites frias de domingo. Isto é, se em sua cidade houvesse uma praia, se ele não sofresse com o calor de 40ºC durante o verão, e se ele acreditasse em domingos. Mas nem tudo são flores em sua vida, nosso querido rapaz afirma que desgosta de flores, coraçõezinhos, da geração powerpuff e de um bocado de outras coisas. E enquanto está ocupado desgostando de um bocado de coisas por aí, Jayme escreve num blog, ou o que ele pensa ser um blog. Apresento-os, o Dios Mio!!: (aviso: personagens aqui citados que possuam qualquer semelhança com pessoas reais são frutos de horrendas coincidências.)


-Andale, Andale-
Mandamos você...
|Dios Mio no Orkut|
|Folog|
|El Púdin|


-Parejas-

|Ah, É?|
|Ana ou algo assim|
|BbLinda|
|Blog Do Zé Dend´água|
|Cérebro Eletronico|
|Depósito Calvin|
|Escuta Só|
|In Loko Again|
|Kibe Loco!|
|Macarro Nada|
|Mi Casa, Su Casa|
|N e c r o s i s|
|Sabe...?|
|Secos & Molhados|
|Spoiler|
|Uaaai?!|
|Último Momento|



-Memorias de ún Jillipolla-

|Arquivos|



CLIQUE E VERÁS





SINCE
24/01/2004

|Quarta-feira, Agosto 30, 2006|



Ousadia é mitologicamente recriminada e severamente punida.

Ícaro morreu ao se aproximar demais do sol com suas asas postiças; Prometeu tem seu fígado devorado por um abutre até hoje, pois roubou o fogo e com ele presenteou os homens; Loki, após assassinar Balder, filho de Odin, se encontra amarrado com tripas abaixo de uma serpente gigante, que goteja seu veneno noite e dia em seu rosto, causando-lhe convulsões de dor (fato que provocaria os terremotos).

E agora, sabe-se lá por que, me encontro numa situação em que quero ousar. Quero dizer o que penso, exclamar o que sinto e pronunciar paixões. Quero falar sobre, falar com, falar de. Quero ser ouvido e confortado. Quero cessar o constante "ouvir", quero retirar meu ombro amigo e apresentar idéias e desejos. Quero ousar.

Vai entender...


dito e feito por Jayme
| Digame:





--------------------------------------------------------------------





|Segunda-feira, Agosto 28, 2006|



15 Anos

Nilmar tinha 15 anos e o mundo em suas mãos. É de se supor que todas as pessoas, quando possuem 15 anos de idade, também possuem o mundo em suas mãos. Mas Nilmar era diferente. Nilmar realmente tinha o mundo em suas mãos. E quando saía de jeans acabava colocando-o no bolso da frente, para que ninguém pudesse aparecer e simplesmente roubá-lo. Além do mais, Nilmar tinha 15 anos. Quero dizer, ele realmente possuía os 15 anos. Ele tinha 15 anos como ninguém mais poderia ter 15 anos.

Andava por aí de cabeça erguida, olhando nos olhos, olhando para tudo. Certa feita Nilmar olhou nos olhos de uma luminária, assim, bem no fundo dos olhos, e a luminária iluminou-se num instante. A maioria das pessoas, no entanto, nem sabe que luminárias têm olhos. Esse era Nilmar.

A despeito de todos os outros jovens de 15 anos, Nilmar também nunca ia à "balada". Nilmar apenas saia para se divertir. Usava uma camiseta bufante e um chapéu panamá azul. Tomando todo o cuidado de colocar o mundo dentro chapéu antes de vesti-lo, claro.

E todas as garotas admiravam-no. Algumas apenas fechavam os olhos, mostravam a língua e diziam "argh!", quando Nilmar passava com seu chapéu panamá, num claro sinal de apreço e interesse. Mas Nilmar bancava o difícil. Não via graça em conquistar garotas que mostravam línguas e fechavam os olhos, não. Para chamar sua atenção era necessário mais que um rostinho bonito e linguarudo. Nilmar se interessava por mulheres. Mulheres. Geralmente as que tinham muito mais de 15 anos. Mulheres esguias, esbeltas, de queixo empinado e de beleza clara. Essas eram as sortudas que Nilmar costumava eleger.

E era assim a mulher que lhe roubou o fôlego, certa vez, numa dessas "baladas" a que os garotos de 15 anos costumavam ir. Lá estava ela, linda, maquiada, bochechas rosadas, lábios vermelhos, cabelo longo e caindo sobre os ombros. Maravilhosa. Nilmar vestia uma camisa amarela (bufante) e seu chapéu, claro. Aproximou-se da pequena dançando a passos curtos, enquanto murmurava "Um, dois, três, quatro, cinco, tcha tcha tcha...", e perguntou-lhe:

- Me concede esta dança, minha flor?

Ela vislumbrou-o de cima a baixo, ele tirou o chapéu e fez uma reverência.

- Não danço com criança... - respondeu ela.

Nilmar, no entanto, claramente comovido com a situação, voltou a colocar o chapéu em sua cabeça e treplicou em tom de cumplicidade:

- Ora, ora... Nem havia reparado que a senhorita estava grávida. É para quando?

Nilmar definitivamente tem os 15 anos.


dito e feito por Jayme
| Digame:





--------------------------------------------------------------------





|Quinta-feira, Agosto 24, 2006|



O Inimaginável Retorno do Magnânimo Patético Inveterado.
Ou, simplesmente,
Memória


Há certa relutância em admitir isso tudo... principalmente por estar certo de que "isso tudo" será lido ora ou outra. Mas ok, eu admito.

É o sorriso...

É o sorriso que ocupa minha memória quase que por completa. A despeito do beijo, da boca, das mãos frias, da vergonha desavergonhada, dos puxões, das piscadas, da popularidade monstruosa, das pinturas, do cheiro, dos "talvez", da clara beleza, da simpatia e das possíveis peculiaridades, é o sorriso que ocupa minha memória. Assim, quase que por completa...

E depois dizem que não sei ser brega.


dito e feito por Jayme
| Digame:





--------------------------------------------------------------------





|Terça-feira, Agosto 22, 2006|



A Velocidade, O Cheiro e O Que Me Envolve

Preciso parar, estacionar, respirar. Estou indo rápido demais. Sei disso porque sinto cheiros. Cheiros como o de cigarro, o de coisa queimada, o de fuligem, são cheiros costumeiros quando começo a ultrapassar a velocidade máxima permitida por quem quer que seja que costuma permitir uma coisa dessas. Cheiro de suor, de lágrimas, de preocupação e de problemas, cheiro que me permite saber que estou rápido demais. Mais do que posso suportar.

Conheço tais cheiros por serem justamente o contraposto do que senti na infância, época tal que dificilmente me fazia ir mais rápido do que deveria ir. Sim, acreditem, cheiros da infância são diferentes. Cheiro de grama molhada, cheiro de chuva, cheiro de coisa no forno, cheiro de arte, cheiro de amigos, cheiro de correria. Cheiro de suco, de roupa nova, de comida ruim, de leite quente, de chocolate, de açúcar, de sorrisos, de risos. São cheiros que só sentimos quando pequenos. Talvez por estarmos plenos, em tal época. Talvez por nos preocuparmos mais em ser do que em vencer. Talvez por não saber que de fato existe um limite de velocidade, ou por simplesmente não se preocupar com coisas banais, como "velocidade"...

E eis que paro. Penso. Respiro. Cheiro. Sinto cheiro de calma, de estar pleno, de saber quem sou. Mas ao mesmo tempo sinto o cheiro do rapaz que não sabe o que quer e se enfia em todos os buracos que consegue ver; o cheiro do homem que cometeu um erro há anos, mas nunca admitiu ter errado, e por isso é perseguido por isso até hoje; cheiro do homem que queria ser menino, e por isso se envolve com pessoas mais novas; cheiro da mulher que trocou o que amava por momentos de racionalidade; cheiro da garota que quero para mim (não por inteiro, porque nada deve ser de alguém por inteiro, mas parcialmente); cheiro da solidão daquela outra mulher, que vive sozinha e faz seus próprios planos pensando que ninguém sente seu cheiro; cheiro de ar seco; cheiro de impossibilidades, de impassibilidade, de impotência.

Cheiro de querer ajudar, mas não poder parar para resgatar a todos. Porque posso estar pleno, saber quem sou, mas ainda assim há um limite mínimo de velocidade... Começo a sentir cheiro de conformismo.


dito e feito por Jayme
| Digame:





--------------------------------------------------------------------





|Sexta-feira, Agosto 18, 2006|



Mombojó - Absorva

vai, me absorve que hoje eu quero ser só seu
me dissolve e mexe com a colher
o seu prato predileto é quando eu digo não
não quero mais ser só
não quero mais ser seu só
não quero mais...

seu sorriso é um paraíso
e no ar voou em transe ao sol
para me livrar de tanto mar
resolvi espairecer, aparecer sem avisar
pra não ser sempre na mesma rotina de ilusões

vai, me ab-sorve que hoje eu quero ser só seu
Me dissolve e mexe com a colher...



dito e feito por Jayme
| Digame:





--------------------------------------------------------------------





|Segunda-feira, Agosto 14, 2006|



Im...
Paciência; Pertinência; Potência


A despeito de tudo o que há de errado na humanidade, de tudo o que há de putrefato e de ilusório, o que realmente me incomoda é algo ínfimo. Algo tão pequeno que talvez não incomode a mais ninguém, apenas a mim e a um seleto grupo de pessoas. O que de fato me incomoda é a Impotência.

A Impotência, sem qualquer conotação sexual, é aquilo que limita ações, destrói vontades e impõe o conformismo. Impotência é quando a obrigação de calar se faz mais que necessária. A obrigação se faz obrigatória. Impotência é onde acaba o eu e começa o você, bem na linha divisória, onde se separam os desejos individuais.

Meu incômodo, meu fardo, é esse, o da Impotência. Fardo que obriga a observar alguém que amo sendo estúpido e a perceber que tal pessoa simplesmente insiste na estupidez (como se ser estúpido fosse realmente agradável); mas fardo que também me apresenta o silêncio como única e singular solução diante de tais atitudes.

Silêncio porque nada poso fazer. Porque não posso agarrar alguém pelas orelhas e chacoalhar sua cabeça até que perceba que um broto de sensatez ali surgiu. Não posso, pois existem vontades individuais; a minha, de agarrá-lo pelas orelhas, e a dele, de ser estúpido. Não posso porque a Impotência é um quê, um quando, um onde, que existe a despeito e tudo o que há de errado, putrefato e ilusório neste mundo. A Impotência.


dito e feito por Jayme
| Digame:





--------------------------------------------------------------------





|Quinta-feira, Agosto 10, 2006|



Galileu - parte 2
(Peça em um só ato e duas partes)


(Juiz)
Meirinho, há alguma acusação de verdade contra Galileu? Eu tenho mais o que fazer hoje...

(Meirinho)
Tenho inúmeras acusações. Mas guardei o melhor para o final.

Sei que vossa excelência está agitada com o julgamento do Caixeiro Viajante, mas ele morreu hoje cedo.

(Juiz)
Morreu?!?

(Meirinho)
Sim, morreu. Em outra peça, uma chamada "A Morte do Caixeiro Viajante".

(Galileu)
Malditos autores... não deixam ninguém vivo para ser julgado pela inquisição hoje em dia...

(Meirinho)
Bem, se não se importa eu gostaria de continuar com as acusações...

(Galileu)
Xiu! Não vê que estamos todos ponderando sobre a Morte do Caixeiro Viajante?

(Juiz)
Tudo bem, eu supero. Leia, Meirinho.

(Galileu)
*resmunga*

(Meirinho)
Na página 709, Galileu diz: "o sol é o centro planetário, não a terra. E esta gira entorno do sol, e não o contrário. E quem discorda de tal fato é um completo imbecil e não possui um pingo de bom senso. Não senhor.".

(Turba Ensandecida)
....
....

*avisada pelo Ponto de que chegou a hora de sua fala*
Ooooooh!!!
*murmúrios, resmungos e assovios*

(Juiz)
Verdade, Galileu?

(Galileu)
Bem... sim... mas... É a verdade! A Terra realmente gira em torno do Sol!

(Turba Ensandecida)
Hahahahahahahahahaha!
*murmúrios, resmungos e assovios*

(Juiz)
Se tal afirmação fosse correta, se a Terra realmente estivesse se movendo, toda vez que alguém pulasse em linha reta, a mesma pessoa aterrissaria em um ponto diferente do ponto de que pulou, não?

(Galileu)
Bem, não exatamente...

(Meirinho)
Correto! Corretíssimo!

(Juiz)
Queres um exemplo de como é possível pular em linha reta e aterrissar no mesmo ponto de que partiu?

Pule, Meirinho!

(Meirinho)
*pula*

(Galileu)
Rá! Ele aterrissou dois passos adiante do ponto de que pulou!

(Juiz)
Bem, não é culpa minha se contrataram um ator descoordenado para interpretar o Meirinho.

(Meirinho)
Hey!

(Galileu)
Também, com o salário que oferecem... aposto que um descoordenado ainda sai por metade do preço...

(Meirinho)
Hey!!!

(Juiz)
Bem, o fato é que tuas afirmações são ambíguas. E se deparam contra as afirmações da Santíssima Igreja Católica, caro Galilei. Não tenho outra escolha senão condenar-te à morte por tais absurdas declarações.

(Galileu)
Hey!!!

(Meirinho)
Isso!!

(Galileu)
Espere! Espere!

Não sou realmente culpado disso tudo. Rousseau dizia que o homem nasce puro e é corrompido pela sociedade maligna e putrefata. Logo, não acredito ser culpa minha tais declarações. Não.

Claro, elas vieram de mim, mas o que me obrigou a fazê-las? Eu digo o que, a sociedade me obrigou. Pois sou apenas um produto do meio. Fiz tais declarações porque o meio me forçou a pensar desta forma.

Veja bem, se um homem é criado por uma família de lêmures, ele vem a pensar como um lêmure?

Claro que sim!

(Juiz)
Hmmm

(Meirinho)
Não caia em sua lábia, vossa excelência. Daqui a pouco ele vai dizer que não foi ele, mas, sim, o homem sem braço!

(Galileu)
Não é má idéia...

(Juiz)
Calem-se.

Admito que tu tens razão, Galileu Galilei. O homem é realmente produto do meio em que vive. E se há algum culpado de verdade nesta história, esse culpado é a sociedade em que vivemos. E também dos lêmures...

É por isso que te declaro inocente de todas as acusações. Estás dispensado, Galileu.

(Galileu)
Isso!

(Meirinho)
Hey!

(Turba Ensandecida)
Aeeee!!!

(Homem na platéia)
*levantando-se de seu assento*
Que palhaçada é esta peça!

Rousseau só nasceu em 1712. Como diabos Galileu poderia citá-lo em seu julgamento???

(Galileu)
Xiiiiu!!

(Juiz)
Bem... ahm...

(Homem da platéia)
Isso sem contar os diálogos ridículos que tive de aturar até agora. Tenham paciência. Quero meu dinheiro de volta!
*sai batendo os pés*

(Galileu)
....

(Juiz)
....

(Meirinho)
...

(Turba Ensandecida)
....
*murmúrios, resmungos e assovios*

(Juiz)
Ahm... bem...

*voltando a interpretar*
"Livre"? Eu disse "livre"? Enganei-me!

Eu quis dizer "Rousseau? Quem é esse tal de Rousseau?". Sim, foi isso o que eu quis dizer... sim.

Galileu estás condenado à morte.

(Meirinho)
Isso!

(Galileu)
Hey!!

Mas não era assim que a peça acabava!

(Juiz)
Bem, agradeces ao gordinho da terceira fileira por apontar os furos em nosso roteiro.

(Galileu)
Ok... e se eu... e se eu retirar tudo o que eu disse?

(Juiz)
Estás propondo desdizer tudo o que disse? Propões negar suas crenças e perder sua honra? Quer trocar sua alma por alguns anos de vida a mais?

É isso o que propões, Galileu?

(Galileu)
Ahm... bem...

Sim...

(Juiz)
Muito bem, eu aceitarei.

(Galileu)
Então eu admito que a Terra não gira em torno do Sol e que tudo em que acreditei até então é uma mentira deslavada. Uma grande e gorda mentira.

(Juiz)
Muito bem, estás livre de agora em diante, Galileu Galilei!

(Turba Ensandecida)
Viva!
*murmúrios, resmungos e assovios*

(Galileu)
Finalmente! Estou livre! Meu Deus, nem posso acreditar!! E tudo o que tive de fazer foi dizer que a Terra não gira em torno do sol!

*vira-se, no entanto, e sussurra*
mas que ela gira, gira...

(Juiz)
Como é? Disseste alguma coisa?

(Galileu)
Quem? Eu?

(Juiz)
Sim, você

(Galileu)
Eu, não!

(Meirinho)
Disse sim!

(Galileu)
Dedo-duro!

(Juiz)
Ok, ok... esta peça precisa de um final, não precisa?

Esqueçam... não ouvi nada. Estás livre!

(Galileu)
Isso!!!
*sussurra novamente*
mas que ela gira, gira.

(Meirinho)
Hey!!!

Fim



dito e feito por Jayme
| Digame:




--------------------------------------------------------------------





|Terça-feira, Agosto 08, 2006|



"(...) agora braba mesmo Karina ficou foi naquela noite em que Antônio se esqueceu de fazer de conta que era o personagem e o beijo saiu de verdade, logo no início do ensaio: 'Será que não dá pra entender como é um beijo de novela, meu Deus?' E Antônio respondeu: 'Dá demais. Um personagem que não sou eu vai usar a minha boca pra beijar um personagem que usa a sua boca, mas não é você. Eu tenho que sentir o personagem aqui dentro, sentir o amor dele, ter vontade por ele, mas na horinha mesmo eu tenho que deixar de ser ele e voltar a ser eu pra poder me lembrar que esse é um beijo de novela e quem está beijando não sou eu, é ele.'

E com essa explicação provou que, entender, tinha entendido, só não achava justo, pois o único beneficiado na história era o tal do personagem."

Adriana Falcão - A Máquina


Leiam o livro e assistam ao filme. São fantásticos.


dito e feito por Jayme
| Digame:





--------------------------------------------------------------------





|Domingo, Agosto 06, 2006|



Galileu
(Peça em um só ato e duas partes)


É o ano de 1616, Galileu Galilei, um famigerado cientista/filósofo/matemático/dono-de-casa é convocado a Roma para enfrentar o tribunal da Santa Inquisição, sob a acusação de Heresia. No tribunal estão presentes o Juiz, um nobre bispo; o Meirinho, o oficial de justiça; Galileu Galilei; e a turba ensandecida que decidiu comparecer ao julgamento e assisti-lo.

(Meirinho)
Declaro iniciado o julgamento do cientista, filósofo, matemático e dono-de-casa, Galileu Galilei, acusado de heresia. Galileu Galilei é o principal suspeito de ter respondido "é um bobo" à pergunta "o que você realmente acha do Papa". E também se suspeita de que teria dito que "o sol é o centro planetário, não a terra. E esta gira entorno do sol, e não o contrário". Todos de pé para a apresentação de vossa excelência, o Juiz.


(Juiz)
*ahem*
Onde está Galileu Galilei?


(Galileu)
Eu o vi saindo há pouco, vossa excelência. Acho que deu no pé.


(Meirinho)
Vossa excelência, Galileu é este à sua frente.


(Galileu)
*murmurando*
Dedo-duro...


(Juiz)
Bem, como vejo que estão todos aqui: eu, o meirinho e o réu. Podemos iniciar o julgamento. Sentem-se, sentem-se.


(Galileu)
Mas eu sou inocente!


(Juiz)
Mas eu só te mandei sentar...


(Galileu)
Sim, mas e se houver alguma arapuca nesta cadeira? Prefiro me reservar o direito de ficar em pé.


(Meirinho)
Sente-se!


(Galileu)
Não sento...


(Juiz)
Bem, faz como preferir. Teu destino já está traçado, maldito herege...


(Galileu)
Bem, já que é assim, eu sento.
*senta-se*


(Juiz)
Ótimo.

*dirige-se ao meirinho*
E então, trouxeste algum documento que evidencie a participação do réu em atividades heréticas?


(Meirinho)
Sim, vossa excelência.
*entrega centenas de papeis ao juiz*

Estes documentos, assinados pelo próprio Galileu Galilei, trazem um discurso contrário ao da Igreja em inúmeras questões. Como na página 58, artigo 29, lê-se: "Eu, Galileu Galilei, acredito que bispos não deveriam andar em linhas diagonais num tabuleiro de xadrez."


(Turba Ensandecida)
Ooooooh!!!
*murmúrios, resmungos e assovios*


(Juiz)
Você realmente escreveu e assinou tal discurso, Galileu?


(Galileu)
Ahm... Bem... Sim... Mas só porque andar em diagonais deveria ser algo reservado às torres. Veja, bispos deveriam ter maior liberdade de movimento, como as rainhas, devido a seus... ahm... longos... mantos e... ahm... graças... a... ahm... seus... chapéus... pontudos...


(Juiz)
Hmmm, é um pensamento demasiado inovador, isso me irrita. Mas considerarei. O que mais há aí que possa ser motivo de acusação contra Galileu, Meirinho?


(Meirinho)
Na página 453, artigo 7, Galileu afirma o seguinte: "Ovos não deveriam ser usados como bola de golfe".


(Turba Ensandecida)
Ooooooh!!!
*murmúrios, resmungos e assovios*


(Juiz)
Silêncio, turba ensandecida! Quem manda neste tribunal sou eu!
*bate o martelo contra o pódio a que se encontra sentado*

O que tens a dizer, Galileu?


(Galileu)
*suando nervosamente*
Bem, imagine-se usando um ovo para jogar golfe, vossa excelência. Sei que é difícil, mas imagine. Toda vez que desse uma tacada a gema ficaria grudada no taco e a clara voaria até o buraco. Além de sujo, é um tanto imoral, não crê?


(Juiz)
Bem, tens razão mais uma vez. Ovos não deveriam ser usados como bolas de golfe.

Meirinho, há alguma acusação de verdade contra Galileu? Eu tenho mais o que fazer hoje...


Fim da primeira parte



dito e feito por Jayme
| Digame:




--------------------------------------------------------------------





|Sexta-feira, Agosto 04, 2006|



Ode ao Patético Inveterado

Perdi a conta de quantas vezes jurei que não iria me apaixonar, pelo resto da vida. Que não iria procurar por mais ninguém. Que iria viver só. Que iria constituir o celibato mais longo de toda a história... (ok, isso não... mas o resto, sim!). O problema é que "resto da vida" pode ser, ao mesmo tempo, tempo demais e tempo de menos. Posso simplesmente morrer amanhã com a burra promessa nas costas, como também posso carregá-la pelo resto da vida, que pode durar décadas. Assim, vivo quebrando tal promessa.

Mas não é o único motivo que tenho para quebrá-la. O fato é que gosto de me apaixonar. Posso ir até mais além e declarar, pleonasticamente, que sou um apaixonado por me apaixonar. Desconfio que tenho me apaixonado uma vez por mês, ou coisa que o valha. E, claro, graças a isso tomo pés na bunda com a mesma freqüência. "Mas o que é um simples pé na bunda por mês para alguém que é apaixonado por se apaixonar?", pergunto eu.

"Nada!", é a resposta que eu mesmo dou (sim, eu respondo minhas próprias perguntas). Nada, porque minha súbita paixão é maior. Nada, porque adoro a condição de estar apaixonado. Adoro a condição de pensar horas a fio em uma pessoa, a de querer presentear, a condição que traz o desejo de sentir os risos da pessoa-alvo, a que te deixa com um sorriso bobo e cretino no rosto, a condição patética de estar apaixonado.

Sim, porque a paixão é patética. Patética pelos sorrisos bobos e cretinos já citados. Patética por levitar e entreter . Patética por expor o apaixonado ao ridículo de comprar flores a alguém. Patética por expor o apaixonado ao ridículo de comprar flores e bichos de pelúcia a alguém. Patética por criar buracos em armaduras. Patética por quebrar juramentos que durariam a vida toda.

E, apesar de patética de fato ser, é por isso que me declaro um apaixonado por paixões. Porque tudo isso me agrada. Até o lado patético, me agrada. Sou um apaixonado porque quebro minhas promessas e porque, certamente, continuarei tomando meus pés na bunda... mas tenho certeza de que vou continuar a comprar bichinhos e flores... porque patético/apaixonado, sou. E quem é que não precisa ser, um dia?


Nota: E estejam certos de que este foi o post mais patético que já escrevi.


dito e feito por Jayme
| Digame:





--------------------------------------------------------------------





|Quarta-feira, Agosto 02, 2006|



Trabalhando em Locadoras

situação 1:

[cliente] - Cara me indique um filme aí...

[eu] - Claro, que tipo de filme você tem em mente?

[cliente] - Ah, sei lá... algum em que o povo não fale muito...

[eu] - Não "fale" muito?

[cliente] - Odeio quando o povo fala demais e eu não consigo acompanhar...

[eu] - Bem, eu tenho uma coleção do Chaplin por aqui...


situação 2:

[eu] - Pois bem, a devolução deste filme está marcada para quinta-feira, por volta das 20h. Ok?

[cliente do sexo feminino] - Tá, ok, claro... Deixa eu perguntar...

[eu] - Diga...

[cliente do sexo feminino] - Você tem namorada?

[eu] - Não tenho não.

[cliente do sexo feminino] - hm...

[eu] - é...

[cliente do sexo feminino] - Então tá bom, até quinta.

[eu] - Até quinta!

[cliente do sexo masculino] - Tá arrasando corações, hein?

[eu, o lerdo] - Hã? Eu?


situação 3:

[cliente de sexo indefinido] - Vocês têm "Tempo de Violência"?

[eu] - "Tempo de Violência"? Ah, "Pulp Fiction"? Tenho sim...

[cliente de sexo indefinido] - Pulp o que? Eu quero "Tempo de Violência"...

[eu] - É isso mesmo, o título do filme é "Pulp Fiction", "Tempo de Violência" é apenas um subtítulo.

[cliente de sexo indefinido] - Tá... mas vocês têm ou não têm?

[eu] - Tenho sim, tá aqui, ó...

[cliente de sexo indefinido] - Peraí, esse daqui é Pulp não sei que lá... eu quero é "TEMPO DE VIOLÊNCIA"!

[eu] - Ai, minha santa...


dito e feito por Jayme
| Digame:





--------------------------------------------------------------------