Jayme: Rapaz de 21 anos, demorou 19 para descobrir o que queria da vida e demorará mais
19 para atingir suas metas. Admirador de filmes estrelando Ursinho Pooh e sua trupe, Jayme gosta de longos passeios na praia
e sentar junto à lareira nas noites frias de domingo. Isto é, se em sua cidade houvesse uma praia, se ele não sofresse com o calor
de 40ºC durante o verão, e se ele acreditasse em domingos. Mas nem tudo são flores em sua vida, nosso querido rapaz afirma que desgosta de
flores, coraçõezinhos, da geração powerpuff e de um bocado de outras coisas. E enquanto está ocupado desgostando de um bocado de coisas por aí, Jayme
escreve num blog, ou o que ele pensa ser um blog. Apresento-os, o Dios Mio!!: (aviso: personagens aqui citados que possuam qualquer
semelhança com pessoas reais são frutos de horrendas coincidências.)

O estado pegando fogo, Marcola "à solta", caos geral no governo, a briga entre Adriano e Edmilson na seleção, entre outras coisas... apesar de vivenciar tudo isso, com nada me importo. Todos meus problemas são mais frívolos que esses citados. Especialmente em relação à briga na seleção. Tomemos como exemplo minha vizinha.
Minha vizinha na verdade não é minha vizinha. Ela é apenas namorada de meu vizinho. Mas, como levaria tempo demais para dizer "namorada de meu vizinho", chamá-la-ei apenas de "minha vizinha". Bem, minha vizinha é definitivamente a mulher mais alta que conheço. Não que ela seja de grande estatura, nem que seja obesa ou coisa do tipo. Aliás, sequer a vi mais de uma vez, e, quando vi, vi apenas de relance. O que quero dizer é que ela é "alta".
Numa noite dessas, por exemplo, precisando dormir relativamente cedo por ter de acordar às 6 da matina (e isso é desumano... mas fica para outro post), deitei-me por volta de meia-noite. Cerca de uma hora depois sou impelido a acordar por uma série de gritos abafados que vêm, estranhamente, da direção da minha sacada. "Alguém está sendo assaltado lá embaixo", pensei, "ou tem alguém tentando sufocar um recém-nascido".
Abri a porta da sacada, olhei à minha volta, mas nada vi. Não havia ninguém na rua e o grito agora era mais claro, eliminando qualquer possibilidade de homicídio àquela hora. Muito pelo contrário, o grito agora tinha certo tom de deleite. "Bem, acho que alguém está gostando de ser assaltado", foi o que pensei. Mas o grito continuava... parava... continuava...
O que diabo era? Vocês devem estar se perguntando. Se não, perguntem-se. Eu espero...
...
..
...
Perguntaram-se?
Que bom! Pois eu também me perguntei. E foi aí que vislumbrei a verdade. Os gritos vinham do apartamento logo à frente ao meu. E, pasmem, vinham de minha vizinha... e, então, consegui chegar a duas hipóteses prováveis:
1) Ela estava sendo assaltada dentro do próprio apartamento, e tal ato já levava cerca de 2 ou 3 minutos.
2) Ela era subjugada aos prazeres carnais dos quais não falamos... pelo menos não em horário nobre. (a não ser que você seja alguém do elenco de Rebeldes)
E das duas opções, escolhi a segunda. Por mais difícil que tal aceitação fosse, escolhi a segunda. "Difícil" porque ela é certamente a mulher mais "alta" que já ouvi em toda minha curta vida, e eu já ouvi algumas mulheres em minha vida (não, nenhuma delas imaginária) . "Difícil" porque aquilo me parecia humanamente impossível... algo que só acontecia em filmes pós-horário-nobre, ou em Rebeldes... e se acontecesse realmente, a mulher certamente teria problemas irreversíveis com sua laringe (e quiçá com partes ainda mais sensíveis de seu corpo).
Claro, não dormi o resto da noite, abismado com tal revelação. E então...
HMMMM AAAAAHH OOOOHHH HMMMMM...
concluí que preciso vedar minhas janelas...
dito e feito por Jayme
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Paulo tinha o universo em seu umbigo.
Morreu alguns meses depois, vítima de esquistossomose.
Matheus tinha o mundo a seus pés.
Faleceu há um ano, torturado pela trombose.
Manuela vivia com a cabeça nas nuvens.
Ainda vive... mas sofre de uma enxaqueca dos infernos.
dito e feito por Jayme
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Todos os Olhos
Olhos que me atraem... eu disse "atraem", e não "traem"... Pois pode não parecer, mas existe uma sensível diferença entre ambos os verbos.
Existem olhos que atraem e olhares que traem. Esses, no entanto, apenas me atraem. "Apenas".
Olhos e olhares que me atraem. E me convidam. "É cedo", digo a mim mesmo. Mas os olhos, seus olhos, me afogam. Me atraem, me convidam e me afogam. Seus olhares me acalentam e vejo-me desejando que sejam todos dirigidos a mim. Mas certamente me contento com apenas um ou dois.
São esses todos os olhos. Os únicos que olho, ou tenho olhado. Olhos que afogam, e que quando unidos a (e munidos de) sorrisos decretam, impõem, todos os meus olhares em retorno.
dito e feito por Jayme
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Ato Leigo de Constrição
- Artur da Távola
Meu talento é defesa.
Minha inteligência é acaso.
Não sou criador, sintetizo.
Minha bondade é culpa.
Meu bom senso é medo.
Não sei, sugo.
Meu equilíbrio tem as deformações do que é normal.
Minha lucidez nasceu da doença.
Não sou, suo.
Minha simpatia é falta de naturalidade.
Meu galanteio é corruptor.
Não tenho gestos, tenho intenções.
Minhas admirações são inveja.
Meu espanto é covardia.
Não invento, formulo.
Minha indiferença arde de desejos.
Minha doçura é timidez.
Minha versatilidade é equizóide.
Não planto: colho, espertamente, a emoção comum.
Não fecundo porque sou hábil.
Não educo porque sou fraco.
Não desagrado porque sou dependente.
Não abalo porque sou medroso.
Meu brilho é a máscara do meu vazio.
Minhas palavras são "flatus vocis".
Não sou expulso porque me acomodo.
Não crio porque pouco ouso.
Não abro caminhos, sou mero tradutor.
Não renovo porque repito.
Não ameaço porque prefiro o mais fácil.
Não espanto porque me deixei amansar.
Não sangro porque desisti.
Meu não tem disfarces demais.
Meu sim, quando será integral?
Meu eufemismo é hipócrita.
Não perco o emprego porque aprendi a sobreviver.
Não digo verdades por medo e preconceito.
Não escrevo o que sei e sim o que finjo saber.
Não sei tudo o que finjo.
Minha frase é esconderijo.
Meu prestígio é insegurança.
Minha palavra não é "sal da terra".
Minha alegria é de estufa.
Meu elogio é demolidor.
Não sou a imagem que projeto.
Não mereço os carinhos que recebo.
Não valho a sua admiração.
Não sinto, sentindo, o que sinto escrevendo.
Minha modéstia é arrogante.
Minha agressão é ressentimento.
Minha ironia dá úlcera.
Minha vitória é menoridade.
Não me decido a ser definitivo.
Não venci as derrotas antigas.
Não derrotei as vitórias fáceis.
Meus ideais são ambições fantasiadas.
Minha crítica é projeção.
Minha frustração escreve melhor do que eu.
Minha amargura me finge simpático.
Não consegui vencer minha infância.
Minha coerência foi parar no sanatório.
Meu sarcasmo tem cara de anjo.
Meu riso é amortecedor, emoliente e trânsfuga.
Não sou bom, preciso de bondade.
Minha esperança e minha salvação: saber de tudo isso.
E confiar e prosseguir.
E isso me define.
dito e feito por Jayme
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Minha masculinidade latente está claramente estampada em uma de minhas folhas de bichinhos silvestres.
dito e feito por Jayme
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Gostaria de ser capaz de comover. Escrever algo, assim, do fundo d'alma, que fixe sorrisos em rostos tristes e esprema lágrimas de olhos tristes. Para conseguir isso, no entanto, é preciso escrever algo em que realmente acredito. E eu não acredito em muita coisa.
Não acredito em felicidade absoluta, não acredito em eterna amargura, nem num meio termo eu acredito. Ora, em mim mesmo eu não acredito. Claro que não. Por que acreditaria? Eu posso muito bem ser um fruto de minha imaginação, assim como você ou você. E só não afirmo isso com toda convicção que me é possível porque não acredito convicção.
E por ser assim, tão desconfiado, eu não comovo. Não, porque como vou escrever do fundo d'alma se nem tenho certeza de que ela existe? Seria mais fácil dizer que escrevo do fundo do pâncreas, ou do interior de um de meus rins. A não ser, é claro, que tudo seja imaginário... e que imaginação exista mesmo...
Acredito
Acre dito
A crédito
Ah, credo!
dito e feito por Jayme
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Analisem a seguinte canção de Gabriel, O Pensador:
A minha vida é um pesadelo e eu não consigo acordar
E eu não tenho perspectivas de sair do lugar
A minha sina é suportar viver abaixo do chão
E ser um resto solitário esquecido na multidão
Eu sou o resto
O resto do mundo
Eu sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou o resto do mundo
Eu num sou ninguém
Eu num sou nada
Eu num sou gente
Eu sou o resto do mundo
Agora, a partir de tal análise, complete a frase: Essa canção, escrita por Gabriel, trata do sofrimento de ser um...
a) emo
b) corintiano
c) gótico-powerpuff
d) emo-corintiano-gótico-powerpuff
Nota: "gótico-powerpuff" são os góticos que se destacaram do goticismo original de Byron e sua trupe, e abandonaram o cemitério para passearem nos shoppings de sobretudo e batom preto.
dito e feito por Jayme
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Acordo com a cabeça latejando e com um tenebroso gosto de cabo de guarda-chuva em minha boca. Levanto-me só, no entanto não me encontro solitário. Estão todos comigo, as emoções também. Medo, Saudade, Dúvida, Remorso, Rancor e as irmãs Vontade e Desejo.
Minha mente é uma roleta-russa emotiva. Um furacão e eu sou o epicentro. Não quero que falem, não quero que falem, não quero que falem. Mas falam mesmo assim.
"Eu quero..." diz Desejo.
"Não sei não..." intervém o Medo.
"Mas faz tanto tempo..." repete a Saudade.
"Ótimo, que passe mais tempo ainda..." resmunga Rancor.
"Melhor não..." diz a Vontade, só para contrariar sua irmã.
"Não? Tem certeza?" pergunta Dúvida.
Tudo enquanto Remorso permanece calado, provavelmente se auto-flagelando.
Aí então elas se calam. Calam-se e somem, repentinamente. E minha cabeça volta a apenas latejar... Estou só, no entanto não me encontro solitário.
dito e feito por Jayme
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- Você gosta de adiar as coisas, não?
- Bem... Amanhã eu respondo...
dito e feito por Jayme
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Não é a solidão que me incomoda. É a total ausência de vontade/desejo de dividir algo com alguém. Muito além do "egoísmo".
Mas o que realmente importa é que a comunidade do Dios Mio!! continua a todo vapor...
(isso se você considerar "a todo vapor" sinônimo de "cheia de tópicos bobos")
dito e feito por Jayme
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