Dios Mio!! é um blog. E eu (prazer) sou seu criador. Não que eu tenha,
de fato, criado algo, eu apenas fiz um cadastro no blogger (séculos atrás, quando
Bloggerman ainda não havia descambado para o lado negro) e, Kazam (ou qualquer
outra onomatopéia à sua escolha), eu tinha um blog. Trombetas não soaram, a terra não
se abriu sob meus pés, e ninguém se curvou ante minha vontade (até hoje tenho de brigar
para conseguir que guardem o leite na geladeira no meio da noite). Frustrante, se querem
saber... Mas, bem, enquanto nada disso acontece, e enquanto ainda esquecerem o
leite pra fora, sigo fingindo que escrevo e ludibriando as mentes menos astutas. Mas,
não se enganem... quando chegar o dia do juízo final, hei de tomar alguma atitude...
ou então quando guardarem o leite na geladeira... o que vier primeiro....

Nossas vidas são frações de um inteiro, entendem? São várias partes com diferentes formas e tamanhos, que acabam se compondo próximas o suficiente para dar certa noção de inteiro. Mas elas nunca se juntam o suficiente para preencher todos buracos e lacunas. Elas apenas se aproximam e parecem se completar, quando não se completam de verdade. Não se completam por serem diferentes demais. Praticamente independentes. Praticamente, e não totalmente, porque elas acabam, de uma maneira ou de outra, mesmo não se unindo, precisando das outras partes para fazer sentido.
Estou fazendo sentido para vocês?
Bem, deixem-me exemplificar:
"Eu costumava passar por uma certa rua, num certo momento, em quase todos os dias da semana, e numa esquina dessa rua havia um ponto de ônibus com um banco de concreto já abandonado. O ponto tinha sido cancelado há algum tempo. Mas isso não significava muito para um velho, já que o sujeito aparecia sentado lá quase todo dia.
Aquilo me intrigava. Digo, sempre achei que o velho já estivesse um tanto gagá, ou coisa parecida, por isso nunca cheguei a me importar tanto, mas não deixava de me deixar curioso. Movido pela curiosidade - ou por pena, quem sabe - decidi dizer a ele:
- Hey, meu senhor, não passa mais nenhum ônibus aqui já faz tempo.
- Isso é o que você pensa. - ele respondeu
'Isso é o que você pensa', dá pra acreditar nisso? Se não me desse tanta pena, eu diria que era patético. Ele realmente esperava por um ônibus ali, onde não havia a menor chance de conseguir um. A capacidade de criar ilusões dessas pessoas me espantava. Esperar por algo que nunca vai chegar. Era realmente triste.
Mas, num dia randômico, passei pelo ponto de ônibus abandonado e o velho não estava lá. Uma semana se passou e ele não apareceu. De início pensei que ele tivesse morrido, ou coisa que o valha, mas por alguma razão aquilo não saiu da minha cabeça - não que eu não tivesse mais no que pensar... acreditem, quando você é adolescente e percebe que o mundo é cheio de mulheres, você tem muito no que pensar.
E se o velho não tivesse morrido? E se o tal ônibus realmente tivesse passado por ali? Valeria a pena cultivar esperança pelo que - não se sabe ao certo se - vem? Quando olhei para mim mesmo, me sentava no mesmo banco de concreto, ainda me indagando sobre aquilo. O que pode parecer uma grande besteira para vocês, imagino. Mas, me respondam uma coisa: Se um de vocês me vender a sua alma, quem é o tolo? Eu, que comprei algo que possivelmene não existe, ou você, que abriu mão de algo que talvez exista?
Não me dei conta de que há outros mundos além deste. Há um mundo em que o ponto de ônibus ainda existe. E esse mundo existe no mesmo mundo que o meu. E o meu mundo existe no mesmo mundo que o de cada um de vocês. Eles são todos conectados, entendem? São praticamente independentes e se aproximam o suficiente para dar a noção de um todo... mas são diferentes uns dos outros.
E foi aí que tudo se conectou de uma só vez. Alguém, sabe-se lá quem, enquanto eu pensava e repensava, se aproximou de mim e disse:
- Hey, não passa mais nenhum ônibus aqui já faz tempo."
expurgado por Jayme, o Arlequim
| Só não te dou outra porque... ()