Na pacata cidade de Miranápolis vive um homem de honra, poder e carisma inigualáveis. Jádson é seu nome e, como dizem por aí, seus feitos somente são igualados aos feitos do próprio J.Cristo. Com apenas um toque de suas mãos peludas ele pode fazer com que patos ganhem pêlos, pigmeus percam o medo d'água, e pizzas portuguesas percam suas azeitonas. Jádson é, com toda certeza, um homem único. Um semi-deus, se me permitem dizer. Porém, Jádson não tem blog. Eu, no entanto, tenho! Meu nome é Jayme, muito prazer.

-CONTATO-

jaymefr@hotmail.com

168698612


-SOBRE MIM-

1- Apesar das semelhanças (onisciência, onipresença e onipotência), não sou Deus. Sei que pareço, mas não sou. Logo, não concorde com tudo o que escrevo ou observo. Discordar de mim pode até ser um esporte interessante.
2- Dios Mio!! é apenas um blog como qualquer outro, assim, vez ou outra escrevo um post narcisista e/ou maníaco-depressivo. Não se assustem, sou apenas um intrépido argonauta de minha própria alma.
3- Não, não há fotos minhas por aqui. Aliás, sequer existem fotos minhas em qualquer parte do globo terrestre. Sou como um vampiro: sem reflexo, sem imagem em fotografias e fã de suco-de-tomate.


-TAMBÉM TÔ LÁ Ó-


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SINCE
24/01/2004

-Terça-feira, Novembro 30, 2004-


''E eu que não sei dançar, por uma bailarina fui me apaixonar'' ele pensa, já vendo porcos num campo de golfe e meninos comendo presunto. Coisas que ninguém entenderia, senão ela. Ela, uma quase-galega, com uma boca maravilhosa e 45 namorados, que o faz suar na palma das mãos e engolir o coração toda vez que este sobe à garganta. Ela.

Engraçado é que ele já tinha se dado por vencido, já tinha jogado a toalha e abaixado as luvas, num sinal de plena derrota. Sei que já escrevi isso antes, um milhão de vezes, pra ser exato, mas é a mais pura verdade. É um fato. Justamente quando ele se ajoelhou no ringue por não conseguir lutar, e no palco por não saber dançar, ela surgiu. E ele levantou. E sente que tudo o que quer é ajudá-la em qualquer problema que exista pela frente, e que todos aqueles jogos de relacionamento escrotos não prestam para porcaria alguma, e que quer abraçá-la pela manhã, quando acordar, e passar o dia todo pensando naquele ato, e que, finalmente, havia vencido um round, ou acertado alguns passos.

E agora a pessoa que está ali, ele, não é mais ele, é que ele se tornou e está se tornando. Ainda não sabe por quê diabos está neste mundo e, oras, muito menos o que está fazendo aqui, mas sabe que, num lugar onde tudo parece se resumir a decepções e lágrimas, ela, a quase-galega de boca maravilhosa e um só namorado, de uma maneira completamente surreal, parece ser a exceção.



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-Domingo, Novembro 28, 2004-


Observe algumas sinopses de filmes de Pedro Almodóvar:

Tudo Sobre Minha Mãe: Depois de perder seu filho adolescente a enfermeira Manuela vai até Barcelona atrás do pai do menino, que virou o travesti Lola. Lá, reencontra uma amiga transformista e faz amizade com uma atriz e uma freira, que está grávida justamente de Lola.

Maus Hábitos: A cantora do cabaré Yolanda se refugia em um estranho convento, onde as freiras têm nomes humilhantes (Irmã rata de Esgoto, Irmã Esterco, Irmã Vibora) e criam um tigre de estimação. A Madre Superiora, viciada em drogas, se apaixona pela cantora e faz de tudo para conquistá-la, enquanto o convento cai aos pedaços.

O Que Eu Fiz Para Merecer Isso?: Uma dona de casa viciada em anfetaminas vive um cotidiano mesquinho, com o marido grosseiro, a sogra intrometida e os filhos marginais. Em uma crise de abstinência, ela mata o marido com o osso de um enorme presunto.

De Salto Alto: Rebeca, uma apresentadora de telejornal, casa-se com o ex-amante de sua mãe, a cantora Becky de Páramo. Quando o homem morre assassinado, um juiz, que à noite vira drag queen, comanda as investigações.

Ata-me: Quando sai de uma instituição de doentes mentais, onde passou toda a sua vida, o jovem Ricky decide raptar uma ex-estrela pornô para que ela se convença de sua paixão sincera.

Labirinto de Paixões: Uma jovem ninfomaníaca passeia por Madrid à procura de homens - e o mesmo faz um príncipe exilado. Entre eles está um terrorista gay. Muitas perseguições e Almodóvar de meia-arrastão completam esse exagero.


Agora respondam: em qual dos filmes citados não há personagens bizarros?


Nota: As sinopses não foram escritas por mim.



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-Sexta-feira, Novembro 26, 2004-


Monólogo a Dois

(IV)

- Sabe, é uma falácia dizer que o tempo cura todas as feridas. Diabo, algumas sequer deixam de sangrar com o passar dos anos... Mas, cura, ao menos, a maioria delas. Claro, ele deixa várias cicatrizes, mas quem não deixa?

- Você está bêbado?!?

- Não, não estou. O que quero dizer é que a escolha de exibir tais cicatrizes como grandes troféus de nossos esforços hercúleos ou como recordações dolorosas de homéricas batalhas perdidas, é nossa. Você escolhe como quer relembrar sua vida.

- Você está bêbado...

- Não, é sério. Em outras palavras, você simplesmente tem de escolher o que fazer com sua própria vida. Se verá troféus, ou recordações dolorosas. Se verá cicatrizes horrendas, ou apenas ferimentos fechados. Entende?

- Ok, eu é que vou dirigir...


Nota: Monólogo a Dois não é sobre mim, não é sobre amores atuais, não é sobre amores perdidos,.não é sobre Deus, não é sobre minha falecida tia-avó, não é sobre você. É apenas uma maneira de me expressar. Bem, ok... é um pouco sobre mim... mas, não exatamente. Entendem?



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-Quinta-feira, Novembro 25, 2004-


- Um centavo pelos seus pensamentos!

- Desculpe, os meus pensamentos custam um ''pau'' cada!

- Um dólar?!?!? Isso é um absurdo!! Seus pensamentos não valem isso!

- Este vale! A um dólar, é a maior pechincha da sua vida!

- Não pagaria 5 centavos por qualquer pensamento que você já teve em toda a sua existência pulguenta!

- Esse comentário acaba de elevar o preço a dez doláres...

- Dez?!? Você não pode me extorquir! Fique com seus pensamentos idiotas!

- Se você soubesse o que era, imploraria pra pagar dez dolares por ele...

- ...

- ...

- Vamos, me diga! O que é???

- Nada feito, cara!

- Tá, tá! eu te dou 25 centavos. É tudo o que eu tenho!

- Vamos ver...

- Tome! 25 centavos! Agora qual é esse seu grande e caro segredo?

- ''Um tolo e seu dinheiro logo se separam''.


Retirado de uma tirinha de Calvin & Haroldo - Bill (deus) Watterson



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-Terça-feira, Novembro 23, 2004-


Dios Mio!! Apresenta:


Exmo Sr. Noel,

Venho, por meio desta carta, informar-te de que as coisas por aqui mudaram. Este ano deixei de tentar ser um garoto bonzinho, diferente dos anos anteriores em que fui consagrado com 7 prêmios seguidos de rapaz mais bonzinho do bairro, e passei a fazer todo e qualquer tipo de maldade que me fosse possivel.

Isso mesmo, roubei doce de criança, estourei balões de ar em festas, não limpei os pés antes de entrar em casa e, pior ainda, não lavei as mãos antes de almoçar as famosas coxinhas de frango da Dona Maria. Há, engula essa, bom velhinho!

Agora, toda essa maldade aparentemente inexplicável, tem explicação, meu caro amigo do Pólo Norte. Descobri que você, na verdade, não mora no Pólo Norte. Aliás, para falar a verdade, você sequer existe, não é mesmo? Pois então, agora que sei disso, posso chantagea-lo como eu desejar.

Em suma, é bom que na manhã de natal um lança-chamas semi-automático, Crem-o-matic 3000, com quatro niveis diferentes de potência esteja esperando por mim debaixo de meu pinheiro-de-plástico-decorado-com-bolas-coloridas-e-luzes, também conhecido como ''árvore de natal'', ou várias crianças receberão cartas informando-as de que você, na verdade, não passa de um velho maluco que gosta de andar por aí vestindo um casaco vermelho por cima de suas ceroulas amarelas, capicci?

Grato
Jayme, ''Você-sabe-quem''

Ps: Feliz natal =)



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-Sexta-feira, Novembro 19, 2004-


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Dez (10) linhas de silêncio para meu falecido blog Live From Mars. Um dia nos encontraremos no grande céu virtual, para onde todos os blogs falecidos um dia irão. Amém.

Nota: Não se animem, os posts que por lá configuravam serão dividos entre o próprio Dios Mio!! e meu flog.

Nota2: Para entrar no meu flog basta clicar aqui, ou aqui. Se preferirem podem clicar aqui. Mas nada os impede de clicar aqui. Se clicarem no banner ali do lado esquerdo também dá certo. Mas eu realmente preferiria que clicassem aqui. Até mais ver.



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-Quinta-feira, Novembro 18, 2004-


Diacho... Alguém aí achou minha criatividade? Eu podia jurar que tinha guardado em algum lugar por aqui...




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-Terça-feira, Novembro 16, 2004-


Monólogo a Dois

(III)

- Oiiii

- Olá

- Tudo bem?

- Tudo... posso te fazer uma pergunta?

- Claro

- Por que você insiste em me ligar? Que raio de motivo faz com que você continue tentando isso?

- Bem, eu sei que você precisa de mim. Sei que toda a angústia, todo esse rancor, todo esse seu drama, não passa de uma máscara. Uma máscara muito bem trabalhada, que não deixa que os outros vejam como você realmente é...

- Você já parou pra pensar que eu talvez não queira você por perto?

- Já...

- E...?

- Bem, já pensei nisso. Mas a questão é: você quer ser deixado sozinho?

- ...

- Quer?

- Não...



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-Segunda-feira, Novembro 15, 2004-


Se você recuasse para o limite do universo, será que encontraria uma cerca de madeira e tabuletas dizendo ''SEM SAIDA''? Não. Talvez você encontrasse algo duro e arredondado, como o pintinho deve ver o ovo de seu interior. E se você atravessar a casca beliscando (ou encontrasse uma porta), não poderia jorrar, nesses confins do espaço, uma incrível luz torrencial através da abertura? Você não poderia olhar por ali e descobrir que todo o universo é apenas parte de um átomo numa camada de relva? Não poderia ser levado a pensar que, ao queimar um graveto, você está incinerando uma eternidade de eternidades? Que a existência não avança para um infinito mas para uma infinidade deles?

Agora, pense em como essa idéia das coisas nos torna pequenos, Pistoleiro! Se um Deus vela sobre tudo, acha realmente que Ele vai se preocupar em distribuir justiça a uma raça de mosquitos entre uma infinidade de mosquitos? Será que Seu olho vê o pardal cair quando o pardal é menos que um pontinho de hidrogênio flutuando solto nas profundezas do espaço? E se Ele realmente vê... qual deve ser a natureza de um tal Deus? Como é possível viver além do infinito?

Imagine a areia do deserto que você cruzou para me encontrar e imagine um trilhão desses universos - não mundos, mas universos - encerrados em cada grão daquele deserto, e dentro de cada universo uma infinidade de outros. Nós nos elevamos sobre esses universos de uma suposta posição privilegiada na relva; com um movimento de sua bota, você pode chutar um bilhão de mundos, fazê-los voar para a escuridão, numa reação em cadeia que jamais terá fim...

Tamanho... é isso o que nos mata... tamanho...

Stephen king - O Pistoleiro



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-Domingo, Novembro 14, 2004-


Salve-se Quem Puder

Sem querer dar uma de revoltado, nem querer me rebelar contra a ''sociedade'' (afinal, eu também faço parte dela), nem nada. Mas, pensem: Dá pra entender que as pessoas, cansadas dos fardos da vida e de todo o labor a que se submetem, queiram assistir novelas. Dá pra entender que a maioria dos seres humanos queira se afastar dessa visão do homem moderno, cujo sangue foi substituído pela fuligem que agora corre em suas veias, e se aproxime mais de toda aquela visão maniqueísta do mundo. Dá pra entender como um programa que exibe jovens esbeltos, brancos (alguns mulatos), sem problemas com acne e mau-hálito, faz sucesso. Tudo isso dá pra entender. Sério.

O que não dá pra entender é como essa m****(erda) de Vagabanda ainda faz sucesso!!!! Taqueopariu!!!





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-Sábado, Novembro 13, 2004-


Fadas, duendes, amor e outras coisas quase inexistentes

Sabem aquela época, logo antes de você crescer, enquanto você ainda beira a adolescência, de fato, e ainda acredita que muita coisa existe? A época em que você acredita que ser adulto é o máximo, que você vai conseguir todas as namoradas que quiser quando tiver um carro, que para arranjar emprego basta estalar os dedos e que para se obter dinheiro basta plantar uma moeda de dez centavos em solo fértil, sabem? Pois devem saber também que é nesta época em que realmente acreditamos que tudo vai dar certo. Que você vai encontrar o amor de sua vida, e que ele(a) será fiel, simpático(a), engraçado(a) e, o melhor, sem chulé algum, sabem?

Mas aí você encontra alguém que não é fiel, não é lá-tão-simpático e, ainda por cima, tem chulé; inevitavelmente você quebra a cara e seu processo de amadurecimento começa. Você deixa de acreditar em duendes, deixa de acreditar em fadas, deixa de acreditar na árvore de dinheiro e deixa de acreditar no amor de sua vida. E torna-se alguém quase adulto.

Mas é aí que tudo muda. Sabe-se lá como. Sabe-se lá por que. Mas tudo muda. Você conhece alguém de uma maneira espetacular, sabendo que, se fosse em outras circunstancias, nem chegaria a falar com a pessoa. Você conhece alguém que te deixa feliz com apenas um ''oi'', e que te deixa triste com apenas um ''tchau''. Alguém que te faz sorrir com seu próprio sorriso. Alguém que tem quase tudo em comum com você, mas que ao mesmo tempo é extremamente diferente, o que na verdade não importa, porque você realmente aprende com suas diferenças.

E, de uma hora pra outra, você passa a entender filmes românticos bestas. Você não consegue parar de olhar fotos. Você não consegue falar de outra coisa. Você passa a usar frases que começam com ''eu te...'', e isso não parece ser um problema. Você percebe que não tem porque ter medo de dizer o que lhe vem à cabeça. Você sente um aperto no peito toda vez que outra pessoa te convida para sair, pois sabe que não quer e não vai aceitar.

Aí então você pára para pensar e percebe que fadas e duendes sempre existiram e sempre existirão. Eles apenas não aparecem para quem não quer vê-los. Porém, quando você quer, realmente quer, vê-los, percebe que de fato estão lá, à sua espera, basta esticar o braço para tocá-los. Assim como o amor existe. Isso é, apenas se você realmente quiser senti-lo...


Nota: Ok, ok... meu texto não chega aos pés do dela. E nem é tão direto quanto prometi que seria. Mas, juro que escrevi com o coração ^_^. Mariana, amo você e todo esse sentimento nostálgico que me faz sentir.



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-Quinta-feira, Novembro 11, 2004-


Olá, olá, olá meus intrépidos leitores, como vão? E a familia? Vai bem?

Após muito tempo tentando esconder minha identidade secreta, é hora de revelar o que todo mundo já sabe. Sou dono de uma videolocadora.

Assim sendo, decidi levar a vocês, astutos leitores, os melhores lançamentos em DVD e VHS deste mês na minha singela, porém fantástica, opinião.

Bem, deixemos de bolodórios, e vamos ao que ''interessa'':


Dios Mio Apresenta:

Filmes (fodas) Deste Mês:


Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças - Jim Carrey, Kate Winslet (e uma porrada de gente pseudo-famosa). Roteiro fantástico de Charlie Kaufman e direção porreta de Michel Gondry.


Moça Com Brinco de Pérola - Colin Firth, Scarlett Johansson. Não gostou do filme? Tudo bem... vale a pena ver novamente, Scarlett Johansson é gatinha =)


Osama - não ouso escrever o nome do diretor, pois vou errar. Mas, vale a pena saber que este filme ganhou o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e trata de da história recente do Afeganistão. Diversão para toda a família...


Anti-herói Americano - Você acha que adaptações de quadrinhos têm de ter tiros, teias, pulos, explosões, beijinhos apaixonados e comercial de pasta de dente?? Errou. American Splendor (Anti-heró Americano) é uma HQ fantástica, que traz toda a vida repetitiva e ordinária de um cara aparentemente normal. Fantástico.


O Agente da Estação - Ahm... bem... esse eu não vi. Mas a revista SET deu nota 8, então sugiro que vejam.


Party Monster - Macaulay Culkin num misto de drogas e homossexualismo. Não é excelente, mas também não chega a ser um filme de Fernanda Montenegro né... (piada semi-interna)


Elefante - Taí uma verdadeira obra-prima. Ao lado de ''Brilho Eterno...'', é o melhor lançamento deste mês para quem gosta de cinema de qualidade. Longa vida a Gus Van Sant.



Bom, estão aí minhas recomendações. Se você não gostou ou tem alguma reclamação a fazer, deixe um comentário e eu verei se vou, ou não, apaga-lo logo em seguida. Obrigado =)



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-Terça-feira, Novembro 09, 2004-


O garoto, o homem, o menino, a antítese de si mesmo, a forma física contrapõe sua alma de maneira inexplicável, porém compreensível. Para alguns, pelo menos.

Ele não acredita em tudo que vê, mas também não vê tudo em que acredita. É cego, porém observador. Taciturno, mas espalha por aí tudo o que lhe disseram. É honesto, mas sabe mentir.

Mentiras contadas por obrigação e comodismo, mentiras que se tornam verdades com o passar do tempo. Distorcendo a realidade como um todo, transformando-a numa mistura intragável de tempo e espaço. Uma mistura quase intragável.

E os dias que passam são dias completamente loucos, sem pé nem cabeça, sem almoço ou janta. Dias insanos, mas dias que fazem-no brilhar, e radiar uma alegria inexplicável, porém, ao menos para alguns, compreensível. Tão inexplicável e compreensível quanto ele, se me permitem dizer.


Nota: Não tinha o que escrever, logo, taí um texto que escrevi com 16, 17 anos (com algumas pequenas adaptações) e, pelo qual, meu excelente professor de português me concedeu um maravilhoso C- (cê menos) . Eu acho que eu merecia, pelo menos, um C+... mas, bem... até hoje desconfio que ele era semi-analfabeto...



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-Sábado, Novembro 06, 2004-


Arlequinada

Lá vai ela, graciosa, linda, leve, solta, perfeita. E, logo atrás, com um sorriso bobo estampado no rosto, cabelo curto, espetado em todas as direções, revelando sua afobação ao se levantar, vem ele. Abobalhado e apaixonado. Um Pierrô atrás de seu amor supremo, atrás de seu ''felizes para sempre''. Um Pierrô em busca de sua Colombina.

E cá estou eu, invisível aos olhos do observador mais atento, Invisível aos olhos do pobre Pierrô, mas também, aos olhos de minha querida Colombina, a verdadeira personificação do amor. Um pobre e invisível palhaço apaixonado, a quem nada resta a fazer, senão frustrar os planos do ridículo Pierrô. Um pobre e invisível Arlequim.

Rasgo e pisoteio caixas de presente, transformo poemas românticos em velhas cantigas de ninar, chamo a chuva para presenciar caminhadas no parque, e, algumas vezes, a morte para seguir seus passos. E, quando ele desiste, cabisbaixo, fervendo de frustração e ódio, jogo toda a culpa em Destino, o cego escritor. Mas, assim que me vira as costas, dou pulos de alegria, pois consegui o que queria.

Porém, no mesmo instante em que meu objetivo é atingido, tudo perde o encanto. A Colombina, outrora magnífica e brilhante, se transforma numa garota pálida, 1,60m, 55 kg, opaca e triste como um pedaço de carvão. E o interesse que possuía por ela, torna-se tão invisível quanto eu.

Mas logo surge outro Pierrô, outra Colombina, mas nenhum Arlequim para completá-los. Assim, corro para me juntar a eles, no único papel que me restou. O papel do sádico palhaço, nesta arlequinada da solidão.



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Monólogo a Dois

(II)

- Oiiii

- Olá

- Tudo bem?

- Tudo...

- O que fazes?

- Escrevo...

- O que?

- Ahm - pausa para pegar o caderno - começa assim: ''Na verdade, há apenas duas classes de homens: os despertos e os adormecidos. Os primeiros são aqueles que já acordaram do sono bruto da indiferença, no qual os outros ainda estão miseravelmente imersos. Um sono imbecilizante, que os faz crer que a vida se resume à meia duzia de funções orgânicas, exceto a mais nobre: a de usar seus próprios cérebros para criar algo belo, que os torne felizes como deuses...''

- Hmmm... Você, neste caso, é um adormecido, não?

- Pra variar...



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-Quarta-feira, Novembro 03, 2004-


Mula Manca & A Triste Figura

Disseram que eu andava caido
disseram que o meu coração fora feito de esteira
que andaram por cima

Disseram que andei desistindo
e que meu olhar acabou em olheiras,
acabou com uma olheira

Disseram que eu me perdi no mato
por não ter tentado usar a bússola.
por não seguir a trilha.

Disseram ser minha força pouca
e que a luz que me acompanha havia sido esquecida
que tentaram apaga-la

Não, não vou desistir
ainda há muito a rodar,
ainda há muito a cair,
ainda há tanto a lutar

Não, não vou te pedir
um arrego em vão
ainda há vento no ar
ainda há pedras no chão

Não quero caminhar com a cabeça abaixada,
vou me expor para o céu,
ser e topar uma batalha

Vou levantar os punhos
e cerrar minha sorte
Vou gritar para o mundo:
Ainda sou Dom Quixote
Ainda sou louco o bastante para rir.



Nota: Post dedicado a uma pessoa sensacional, que, por sorte, sabe que falo dela =)



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-Terça-feira, Novembro 02, 2004-


É a segunda vez que tento escrever e não consigo. Digo, consigo, uma frase, pelo menos: ''Em meus sonhos eu morro o tempo todo''. E só. Sem continuidade, sem parágrafos, sem outras linhas, sem, sequer, outra frase. É só isso o que me vem à cabeça.

O motivo é óbvio, já que eu realmente morro o tempo todo. Não só em meus sonhos, mas também quando estou acordado. O tempo parece não passar, ele apenas se esgota. Lentamente. Cruelmente. Ele se esgota. E, enquanto isso, nada me vem em mente. Nada parece fazer sentido. Nem a vida, nem o tempo, nem minha mente. Nada. O que escrevo, também não faz sentido algum.

Nem minhas decisões, afinal, não importa o que eu decida, sempre tomo a decisão errada. Sempre. E agora não sei o que faço. Se vou, se fico, se estudo, se trabalho, se morro o tempo todo, se vivo o tempo todo.

E, de todas as decisões, a mais dificil é se vivo, ou não. Não importa o que faço, desde que me conheço por gente, ao invés de viver, eu morro. Morro uma morte lenta, dolorida, sofrida. Uma morte que às vezes nem percebo que está lá, mas está. No fundo, sei que está. E ela, ela sim, sempre foi, e sempre será, minha companheira nesta vida inexoravelmente solitária que levo...

Mas, bem... só escrevo isso porque não sei mais o que escrever... e precisava escrever algo... portanto, tenham paciência...

Até logo.



parcialmente expelido por Jayme, o Arlequim

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